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Opinião

Nós e as azaléas

Por Romeo Riegel
Publicado em: 24.09.2021 às 03:00 Última atualização: 24.09.2021 às 14:27

As azaléas, cumprindo a missão de fecharem as portas do inverno e abrirem as portas da primavera, compõem cenário que desenha uma das mais ternas figuras a compor a beleza essencial de nossa cidade. E satisfaz a alma dos abençoados pelo dom de enxergar a natureza pelas vias da sensibilidade.

Essas flores, ainda, gozam do privilégio de serem arbustos de caráter civilizado, reservando-se à ocupação de lugares públicos distintos. Nesse caso, chegam até a serem merecedoras de honras legislativas, executivas e carinhoso apreço popular.

Às vezes, queremos desanimar sob o argumento de que essas flores duram tão pouco, pois logo sucumbem à fatalidade dos aguaceiros de setembro. Mas, elas não foram feitas para ficar, senão para serem artífices de um sinal. A corajosa fragilidade de sua floração termina com o temor de outras espécies e atiça a vontade que elas têm de aparecerem e de ajudarem a enriquecer o colorido com que será pintada a primavera gramadense.

O estímulo visual que as azaléas produzem, por aceitarem sentar raízes nos mais inesperados lugares, cria exemplo e gera entusiasmo dos capins, dos arbustos e dos grandes arvoredos. Mostra que ninguém mais precisa ter medo de inverno e que outras flores e tenras folhas podem arriscar seus olhares ao mundo, pois se a delicada azaleia assumiu lugar no palco, certamente todas atuarão também. Mas no jogo de seus cuidados, a natureza toma algumas precauções. Não arrisca todos os seus pincéis, deixando em espera alguns matizes para serem usados como molduras de verão.

Porém, acima dos rigores climáticos, o mais refinado apelo dessas flores é atendido pelas orquídeas, que respondem florescendo igualmente no silêncio dos matos ou no conforto das estufas, sendo a encantadora avalanche de suas cores demais até para o tímido orgulho das azaléas. Então, olham-se nos espelhos de orvalho e se recolhem, fazendo planos de como repetir suas glórias ano que vem.


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