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Notícias | Rio Grande do Sul TRANSPORTE DE CARGAS

Setor calçadista da região comemora ampliação de pista do Aeroporto Salgado Filho

Na quinta-feira se inicia operação dos 3,2 mil metros que mudarão perfil logístico do terminal

Por Felipe Uhr
Publicado em: 14.05.2022 às 18:19 Última atualização: 14.05.2022 às 18:22

São 920 metros a mais de extensão. Nesse espaço, cabem 12 boeing B777-300ER enfileirados. A partir da próxima quinta-feira (19), esse modelo e outros três tipos de aeronaves robustas poderão pousar e decolar da pista ampliada do Aeroporto de Porto Alegre, o Salgado Filho.

Ampliação da pista do aeroporto Salgado Filho vai permitir maior movimentação de cargas
Ampliação da pista do aeroporto Salgado Filho vai permitir maior movimentação de cargas Foto: Divulgação/Fraport
O investimento de R$ 175 milhões da Fraport, empresa que administra o aeroporto desde 2017, vai permitir que produtos exportados por empresas gaúchas saiam do Estado sem escalas.

"Hoje esses produtos vão de caminhão até o (aeroporto) de Viracopos ou Guarulhos e dali partem de avião pra Europa e Estados Unidos", destaca o coordenador do Conselho de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Estado (Fiergs), Ricardo Portella. "Os grandes aviões de carga não conseguiam pousar aqui, somente os médios. Essa ampliação vai propiciar um mercado mais potente."

A expectativa é de que o volume de cargas que passa pelo terminal - e que já havia registrado um recorde em fevereiro, com 30 mil cargas - sofra considerável incremento. Aeronaves maiores carregam mais carga, o que reduz o número de viagens e o custo logístico, além de abreviar o tempo de entrega.

Além do Boeing 777-300ER, com autonomia de 11.120 km, na pista do Salgado Filho poderão pousar os Boeing 747-400 (13.450 km de autonomia e que pode levar até 397 toneladas), o Boeing 787-900, (com 13.950 km de autonomia e capacidade para 253 toneladas) e a Airbus A330-900 (com 13.334 km de autonomia e 251 toneladas).

Calçadistas

Circularam pelo terminal, no primeiro bimestre de 2022, 70 mil volumes que somaram, ao todo, 1.620 toneladas, entre exportadas e importadas.

Metal mecânico, eletrônicos, ferramentas, medicamentos, têxtil, couro, máquinas e equipamentos, perecíveis, automotiva, polímeros, animais vivos, agropecuária, hospitalar, alimentícios e cargas perigosas são os destaques, segundo a Fraport. "O segmento de calçados saiu-se muito bem", destaca a diretora comercial da concessionária, Sabine Trenk.

Um dos pilares do Vale do Sinos, o setor calçadista festeja a ampliação da pista e a possibilidade de mais um nicho de exportação.

Aviões Aeroporto Salgado Filho
Aviões Aeroporto Salgado Filho Foto: Alan Machado/GES

Tempo é ganho financeiro na logística

Somente neste trimestre, as calçadistas embarcaram 10,8 milhões de pares, pelos quais receberam US$ 145,77 milhões, resultados superiores tanto em volume (50,3%) quanto em receita (78,2%) em relação ao mesmo período de 2021.

"A pista ampliada será um apoio competitivo, especialmente diante da redução de custos com fretes", salienta o presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Haroldo Ferreira. "A obra aumentará a oferta de serviços para exportação via modal aéreo, que hoje responde por cerca de 25% do total. Também trará mais rapidez e agilidade para o transporte."

De São Leopoldo, a Taurus, maior fabricante de armas do País, também comemora o avanço. "Esperamos ter acesso a mais opções de voos diretos internacionais, com novos destinos", diz o CEO Global, Salesio Nuhs.

Um trunfo logístico fortalecido num momento de incertezas do setor

"Geralmente mandamos nosso calçados por Viracopos, mas se conseguirmos enviar essa carga por Porto Alegre diretamente teremos uma economia de um terço no custo", explica o gerente de exportação da empresa Calçados Bibi, Mateus Giaretta. "Hoje um contêiner com 10 mil calçados leva até 12 dias daqui para o Equador por exemplo. Se fosse direto pelo Salgado Filho, a data da entrega seria de uma semana antes."

Giaretta aponta o terminal como um grande trunfo para a região. "Atualmente, vivemos um cenário incerto na logística internacional, com a falta de navios, rotas e equipamentos", analisa. "Em termos de mercado internacional, nós estamos projetando um crescimento de 18% em comparação a 2021 e 45% em relação a 2019", comemora o gerente.

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