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Notícias | Rio Grande do Sul Fim de um capítulo

Sentença traz alívio aos sobreviventes e familiares das vítimas no caso da Boate Kiss

'A condenação traz um pouco de paz no coração. Para que não seja esquecido', defineKelen Ferreira, uma das sobreviventes da tragédia

Por Matheus Chaparini
Publicado em: 11.12.2021 às 03:00 Última atualização: 11.12.2021 às 15:36

Julgamento do caso Kiss teve os quatro réus declarados culpados
Julgamento do caso Kiss teve os quatro réus declarados culpados Foto: Matheus Chaparini/GES-Especial

Um suspiro de alívio. E foi possível até voltar a sorrir. O anúncio da condenação dos quatro réus soltou da garganta de sobreviventes, amigos e familiares de vítimas o grito de justiça que estava entalado há mais de oito anos. No plenário do Salão do Júri, eles se abraçaram, formaram uma roda e clamaram em uníssono: "Que não se repita."

Os promotores, David Medina da Silva e Lúcia Helena Callegari, e os assistentes de acusação se juntaram às famílias. Foram recebidos com abraços apertados e lágrimas de emoção. "Quando o juiz disse 'eu dedico a minha vida às mães', eu pensei 'meu deus, agora vai'. Foi um suspiro para nós", definiu Mara Amaral dal Forno. Ela perdeu a filha Melissa, de 19 anos, na tragédia.

Promotor Medina foi recebido por familiares de vítimas
Promotor Medina foi recebido por familiares de vítimas Foto: Matheus Chaparini/GES-Especial
Mara nunca havia acompanhado um julgamento e ficou com medo da decisão até o último instante. Depois da sentença, ela alternou o riso e o choro, e abraçou o promotor Medina. "Meu coração doía quando ele era atacado. Disseram coisas terríveis e a gente sabia que ele só queria justiça, como nós."

Um pouco de paz

Kelen Ferreira foi uma das jovens que estavam na festa Agromerados naquela madrugada trágica. Ela sobreviveu, mas traz no corpo as marcas visíveis daquela noite. Tem queimaduras nos braços e uma prótese na perna. Ela avaliou a sentença como adequada, mas afirma que esperava uma pena maior para o dono da boate, Elissandro Spohr.

"Não viemos aqui por vingança, mas pela justiça, que era a condenação. A condenação traz um pouco de paz no coração. Para que não seja esquecido", afirma. E acrescenta: "Espero que eles repensem tudo aquilo que aconteceu e sintam a nossa dor, porque nunca foi feito um pedido de desculpa."

Emoção de vítimas e familiares no momento em que o juiz anunciou o resultado
Emoção de vítimas e familiares no momento em que o juiz anunciou o resultado Foto: Matheus Chaparini/GES-Especial
Valeu a luta

Em manifestação após o fim do julgamento, o presidente da Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM), Flávio José da Silva, afirmou que o grupo está satisfeito com a condenação.

"Foram longos anos em busca dessa justiça. Alcançamos o objetivo: a justiça pelo assassinato dos nossos filhos", disse Silva durante coletiva de imprensa. Para ele, as condenações servirão para evitar outras tragédias. "Valeu a pena essa luta, no sentido de que vamos proteger muitas vidas de agora em diante, o que é a nossa intenção. Esse resultado de hoje não vai trazer nossos filhos de volta, mas vamos evitar que outras famílias percam seus filhos."

Silva pontuou que as condenações são uma conquista da sociedade "para garantir que seus filhos não fiquem à mercê dos empresários da noite, que abrem seus estabelecimentos sem o mínimo de cuidado com as pessoas que lá frequentam".

Sobre o habeas corpus que garantiu que os réus saíssem do Foro Central de Porto Alegre em liberdade após o julgamento, o presidente da associação disse que é questão de tempo para que eles sejam presos. "Infelizmente só no Brasil que somente os réus têm direitos e as vítimas e familiares ficam em segundo plano. Já era esperado (o habeas corpus), mas hoje, amanhã, daqui um mês, com certeza vão ter as prisões decretadas e vão cumprir a pena em regime fechado".

Para Silva, que perdeu a filha de 22 anos na tragédia, o dia 27 de janeiro vai continuar sendo o mesmo. "Temos que manter essa lembrança, para que essa tragédia não caia no esquecimento", finalizou.

Férias coletivas

Exausto, mas com expressão de alívio e satisfação, Silva disse que os membros da associação tirarão um período de "férias coletivas". "Porque esses anos de luta nos deixaram a maioria do tempo focados na questão da tragédia e dos processos. A gente precisa desligar um pouco e descansar, para termos fôlego para a próxima parte da luta."

O caso

Em 27 de janeiro de 2013 a Boate Kiss, localizada na área central de Santa Maria, sediou a festa universitária denominada "Agromerados". No palco, se apresentava a Banda Gurizada Fandangueira, quando um dos integrantes disparou um artefato pirotécnico cujas centelhas atingiram parte do teto do prédio, que era revestido de espuma, que pegou fogo. O incêndio se alastrou rapidamente, causando a morte de 242 pessoas e deixando mais 636 feridos.

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