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Notícias | Rio Grande do Sul Análise da pandemia

Especialistas da área da saúde alertam que resultado da bandeira preta não será imediato

Profissionais explicam que medidas mais restritivas terão reflexo nas próximas semanas; situação demanda paciência e persistência da população

Por Bianca Dilly
Publicado em: 05.03.2021 às 10:29

Emergência e CTI Covid-19 do Clínicas de Porto Alegre está superlotada há dias Foto: Clovis S.Prates
Para especialistas da área da saúde, o governador Eduardo Leite não tinha outra alternativa a não ser a manutenção da bandeira preta. Como já antecipado, o Estado entrará na segunda semana com a classificação de risco altíssimo para o novo coronavírus, tendo em vista a superlotação de hospitais e alta taxa de contágio do vírus. Mas mesmo com a medida restritiva, profissionais alertam que os resultados não serão imediatos e as ações poderiam ser ainda mais duras.

A coordenadora do mestrado em Virologia da Universidade Feevale, Juliane Fleck, explica que a bandeira preta é necessária, assim como a conscientização da população. “Mas o que a gente tem visto é que mesmo com a esta classificação, as pessoas não têm respeitado as restrições. É preciso diminuir a circulação ou a pressão sobre o sistema de saúde vai se agravar ainda mais”, frisa.

Outro ponto destacado por Juliane é que a comunidade deve exercitar a paciência, já que as medidas adotadas agora não terão reflexo imediato. “O resultado será colhido nas próximas semanas. Por isso, precisamos ter persistência. Exemplo disso é que toda a pressão que temos visto agora não decorre do que fizemos ontem, mas, sim, há algumas semanas”, alerta, citando como exemplo o verão, festas e aglomerações, somadas à circulação de novas variantes.

Infectologista defende restrições maiores

Por isso, o infectologista Fernando Lipp defende até mesmo a implementação das restrições por um período maior – para que as curvas mais brandas possam se firmar. “O governo deveria estar preparado para manter tais medidas por um período adicional à melhora dos indicadores (situação politicamente difícil), como uma forma de consolidação”, pontua. As mudanças em protocolos a cada semana, segundo Lipp, apenas mitigam o vírus, não o controlam.

Para o especialista, após um ano de pandemia não existem dúvidas sobre algumas questões, como a de que a redução de contato entre pessoas é uma atitude efetiva para reduzir as taxas de transmissão.

Portanto, outras ações devem ser tomadas neste momento. “Medidas educativas já fizeram seu trabalho. Todos já sabem quais as medidas de proteção que devem ser adotadas. Precisamos de coragem legislativa para punições exemplares”, conclui.

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