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Notícias | Rio Grande do Sul Restrições no comércio

Economistas avaliam impactos da bandeira preta, mas lembram que questão é humanitária

Lockdown, volta do auxílio emergencial e prejuízos para os pequenos negócios são analisados por especialistas neste momento de agravamento da pandemia

Por Bianca Dilly
Publicado em: 05.03.2021 às 12:59

Com bandeira preta, restaurantes atendem apenas tele-entrega e pedidos para levar Foto: Matheus Chaparini / GES-Especial
A piora nos indicadores da pandemia no Estado levou o governador Eduardo Leite a antecipar a decisão sobre a segunda semana de bandeira preta. Diante da superlotação dos hospitais e agravamento na curva de contágio, a extensão da medida restritiva impacta na economia, já que o funcionamento do comércio e dos serviços é alterado.

Para o economista e professor da Universidade Feevale José Antônio Ribeiro de Moura, a situação atual apresenta o binômio crise econômica e sanitária, ocasionando um dilema.

“Os sanitaristas nos alertam da gravidade e reforçam a necessidade do lockdown extremo, para que tenhamos dias melhores logo ali na frente. Em contrapartida, a economia precisa girar e os gestores públicos estão pressionados pelos dois lados”, descreve.

Porém, conforme Moura, a questão já é humanitária, de sobrevivência. “A economia se recupera. Os dados do PIB de 2020, não são animadores, mas positivamente além do que esperávamos. Mostra-nos um claro sinal que a retomada pode vir com mais força”, diz.

Como alternativa, entidades setoriais, poder público e comunidade devem trabalhar em conjunto. “Com a volta do auxílio emergencial e ações que os governos possam contribuir, postergando pagamentos de impostos, olhando para seu orçamento e realizando o possível”, pontua.

Vice-presidente de Economia da ACI analisa cenário

Sob o ponto de vista econômico, o vice-presidente de Economia da Associação, Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom e Estância Velha (ACI NH-CB-EV), André Momberger, afirma que a avaliação é "terrível".

“Estabelecimentos fechados, que continuam custando, mas sem gerar receitas. Alguns até conseguem encontrar subterfúgios, mas se a medida se estender, começa a criar sérios problemas”, diz, chamando a atenção sobretudo para os negócios menores, “que dependem do curto prazo para fazer a roda girar”, resume.

Apesar de afirmar que a medida é necessária, Momberger questiona se não há outras alternativas. “O estopim veio com as aglomerações, festas clandestinas. Será que parando tudo agora vai adiantar? O horário de atendimento deveria se estendido, para dispersar o público nos horários. E os protocolos de limite de clientes, por exemplo, seriam menos nocivos”, avalia.

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