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Notícias | Rio Grande do Sul Cúpula do Mercosul

Com forte esquema de segurança, agricultor deixa caminhões com portas abertas e chaves na ignição

Cena inusitada foi registrada nas imediações do Spa do Vinho; moradores da região foram cadastrados pelo Exército para poder circular durante o evento

Por João Victor Torres
Última atualização: 03.12.2019 às 20:33

Município de 120 mil habitantes situado no coração do Vale dos Vinhedos e um dos polos da produção vínicola no Estado, Bento Gonçalves vive com dias distintos da rotina habitual. Carros com delegações oficiais cortam a cidade das primeiras horas da manhã até a noite. Policiais fortemente armados, seja pelo chão ou nos ares, deixam claro - a quem circula pela zona rural ou urbana - que os olhos do continente estão voltados à Serra gaúcha. Desde segunda-feira (2), equipes técnicas e representantes dos governos do Mercosul estão em território gaúcho para a cúpula dos países membros do bloco.

Por óbvio, a intensa movimentação mexe diretamente na vida dos bento-gonçalvenses. Uma família de agricultores, tipicamente italiana, até aproveitou a maciça presença de soldados para fazer coisas que costumeiramente não consegue. Thiago Mazolla, 29 anos, ousou a deixar os dois caminhões que possui de portas abertas e com as chaves na ignição. “Eram tantos policiais que pensamos: 'ninguém vai fazer nada'. Por isso, todos fomos à lavoura”, comentou. Por residir às margens da RS-444, local de intenso fluxo de veículos e afastado do Centro, com objetivo de evitar pequenos furtos sempre um Mazolla fica como “guardião” da propriedade. Com tamanho volume de policiais, nesta terça-feira (3), a família se deu o “luxo” de ir inteiramente para o trabalho no campo.

Quem reside nas imediações do Spa do Vinho, que sediará os encontros entre ministros e chefes de Estado sul-americanos, foi cadastrado pelo Exército para conseguir chegar em casa durante quarta (4) e quinta-feira (5), já que o bloqueio será ampliado na região. Nem mesmo profissionais de imprensa credenciados pelo Palácio do Planalto para cobrir a cúpula podem chegar ao Vale dos Vinhedos de carro. Um esquema de transporte para chanceleres e jornalistas foi montado pela organização do evento.

O agricultor Raul Mazolla, 64, e pai de Thiago, conta que apenas nesta terça foi “fichado” pelas Forças Armadas para ter a certeza que não ficará “ilhado” em até o final desta semana. “Eles vieram aqui, pegaram as placas dos carros e nossos nomes”, comenta.

Poucos metros antes, uma comitiva do Uruguai passava pela RS-444 trazendo representantes da delegação do país vizinho. Batedores da Polícia Rodoviária Federal (PRF) acompanhavam os veículos que traziam parte dos integrantes uruguaios ao local da cúpula.

Eleitor na bronca com o presidente

Se por um lado, o agricultor Raul Mazolla é vizinho à cúpula, pois mora há menos de um quilômetro do Spa do Vinho, não anda satisfeito com as ações do governo Bolsonaro. Eleitor do presidente, afirma que, se o pleito fosse neste momento, talvez, mudaria de opção. Questionado sobre o que perguntaria ao mandatário caso o encontrasse em Bento Gonçalves, o chefe da família Mazolla foi taxativo. “Eu pediria para ele lembrar mais dos menores (agricultores). Hoje, acho que ele esqueceu de uma parte (das pessoas) que votou nele”, afirmou.

A bronca está na falta de incentivo aos pequenos agricultores, bem como, na dificuldade para obtenção de financiamentos para custear a produção.

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