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Notícias | Região Colapso na saúde

Por falta de leitos, paciente de Ivoti tem pedido de transferência para UTI negado pela Justiça

"Diante da realidade presente não há o que possa ser determinado, pois leito vago em UTI não há", disse o magistrado em sua decisão

Publicado em: 12.03.2021 às 12:28 Última atualização: 12.03.2021 às 12:41

Um paciente de Ivoti teve seu pedido de transferência para UTI negado pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) na última quarta-feira (10). Internado desde o dia 1º de março, o paciente ajuizou na terça-feira (9) uma ação ordinária contra o Estado do Rio Grande do Sul e o Município de Ivoti pedido sua transferência imediata para hospital com leito de unidade de tratamento intensivo (UTI) com suporte dialítico. Embora tenha reconhecido e se solidarizado com a gravidade da situação, o desembargador de plantão, João Barcelos de Souza Júnior, disse que "Diante da realidade presente não há o que possa ser determinado, pois leito vago em UTI não há".

Em sua alegação o paciente informou que sofreu infecção por Sars-CoV-2 (Covid-19) e que, além disso, está acometido de pneumonia, necessitando de ventilação mecânica com urgência. No pedido o paciente defendeu que os réus, no caso Estado e Município, têm a obrigação de fornecerem o tratamento médico por força da Constituição Federal. Por fim, o paciente ainda expõe em seu pedido que sofreu "importante piora respiratória nas últimas 24 horas", necessitando de ventilação mecânica com urgência.

Ao negar o pedido liminar, o desembargador ressaltou a preocupação com a situação enfrentada no âmbito da saúde. "É com profunda tristeza e angústia que este recurso é recebido neste plantão judicial de Segundo Grau. O drama humano aqui relatado pode ser amanhã enfrentado por este Magistrado plantonista, assim como por qualquer outro colega de toga, já que todos da ativa ainda não foram vacinados, visto que a imunização ainda não alcançou os que estão abaixo dos 75 anos (lembrando que esta é a idade limite para a aposentadoria compulsória). Isso sem contar o que pode ser ainda pior para a maioria, ter de presenciar um ente querido nessa situação", disse. "Não há vagas de UTIs, estamos diante do colapso!", afirmou.

Desabafo

Ao discorrer sobre a situação dos hospitais, o magistrado ainda registrou, em seu despacho, um breve desabafo sobre o tema.

"Nos transformamos em um País que trata uma pandemia mortal como coisa banal; medidas de segurança e prevenção como desrespeito a direitos pessoais; medicamentos já classificados em estudos científicos sérios como inúteis para a Covid-19 como 'poção mágica'. Estamos ,desmanchando, como sociedade organizada, pois estamos perdendo humanidade, compaixão, empatia e responsabilidade. Para onde a presente situação nos levará não sabemos, mas é certo que todas as pessoas 'minimamente humanas' estão com muito medo do 'preço total' que vamos pagar por ter construído, ao longo de muitos anos, este País que nesta grave crise humanitária está mostrando sua verdadeira face", completou.

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