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Notícias | País CIÊNCIA

Variantes mais perigosas de Covid-19 podem surgir nos próximos meses, aponta estudo

Pesquisadores brasileiros revisaram mais de 150 artigos em que analisaram o comportamento do vírus SARS-CoV-2

Por Redação
Publicado em: 05.05.2022 às 13:44 Última atualização: 05.05.2022 às 13:47

Um estudo publicado na revista internacional Viruses aponta que há alto risco de surgirem novas e perigosas variantes da Covid-19 nos próximos meses. A pesquisa foi feita por pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP) em parceria com o Hospital Sírio-Libanês e com o Instituto de Química (IQ).

Estudo: variantes mais perigosas de Covid-19 podem surgir nos próximos meses
Estudo: variantes mais perigosas de Covid-19 podem surgir nos próximos meses Foto: Nexu Cience Communication
A pesquisa revisou mais de 150 artigos sobre o SARS-CoV-2, nos quais os especialistas analisaram comportamentos do vírus, como o potencial de mutação, o nível de transmissão, a capacidade de controle do sistema imune e a eficácia das vacinas.

“A principal conclusão a que chegamos é que não devemos deixar o vírus circular, porque não sabemos como serão as variantes nos próximos meses”, afirma Cristiane Guzzo, professora do departamento de Microbiologia do ICB e pesquisadora principal do artigo.

Ela diz que é um erro acreditar que a pandemia está sob controle e também que não se trata mais de uma emergência sanitária, conforme anunciado pelo Ministério da Saúde. “Estamos em uma situação confortável para os próximos meses – quando a imunidade criada pelas doses de reforço das vacinas e pelo alto índice de contaminação da Ômicron permanecerá alta".

Ela ainda explica que a "tendência é que as pessoas comecem a se infectar novamente e aí ficaremos sujeitos ao surgimento de variantes ainda mais contagiosas e fortes do que as que conhecemos, o que diminui a eficácia das vacinas. Como não temos como prever como será a evolução da pandemia e como as novas variantes vão se comportar, todo o cuidado ainda precisa ser feito pela sociedade de forma a evitar a circulação do vírus”.

De acordo com o estudo, o coronavírus tem uma capacidade maior de mutação do que se pensava. Pois a proteína Spike, parte do vírus que faz contato com as células humanas, segue em evolução. Com isso, a transmissibilidade da doença é mais rápida que nas versões observadas anteriormente.

Outras proteínas do vírus também estão em modificação e isso deve impactar no aumento da taxa de multiplicação nas células humanas. No caso das alterações da proteína Spike, os pesquisadores acreditam que o SAR-Cov-2 evolua para infecções em outras células além das pulmonares, como acontece na forma mais comum da doença atualmente. “O grande medo seria a infecção, por exemplo, de células neurológicas”, afirma Cristiane.

O artigo reforça a importância da manutenção da vacinação contra a Covid-19 e lembra que ela não impede que se pegue a doença e não anula a capacidade de transmissão do vírus, mas pode diminuir os efeitos do vírus no organismo e evitar a morte.

Aumento da transmissão

Além disso, foi observado que o período em que as pessoas começam a transmitir o vírus tem se iniciado cada vez mais cedo conforme as variantes surgem. Antes ainda do início dos sintomas.

No vírus original, a média de transmissão era de uma pessoa contaminada para outras duas pessoas. Já com a variante Delta, os especialistas observaram que a transmissão aumentou para cinco pessoas, e com a Ômicron, de sete a dez novos contaminados. Com isso, pode-se projetar uma maior transmissibilidade com as possíveis novas variantes.

“Vimos que 74% das transmissões pela variante Delta foram feitas por assintomáticos. Na variante original, as pessoas começavam a transmitir o vírus um dia antes do início dos sintomas. Já na Delta, isso passou a acontecer com dois dias de antecedência. São detalhes que mostram que o vírus está evoluindo na sua capacidade de se esconder em nosso organismo. O que também pode estar relacionado com o aumento na gravidade dos casos e na taxa de transmissão”, detalha.

Com informações do Jornal da USP

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