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Família envolvida em golpes milionários triplicava investimento das vítimas com dinheiro falso

Operação prendeu a esposa e o cunhado de Sandro Miotti, comandante do esquema criminoso na região. Investigação começou após crime em apartamento na Marcílio Dias

Por Susi Mello
Publicado em: 17.12.2021 às 16:17 Última atualização: 17.12.2021 às 17:00

Com a promessa de triplicar o valor de investidores com dinheiro falso, uma família organizava crimes de estelionato na região. Três integrantes da organização foram presos preventivamente na manhã desta sexta-feira (17), pela operação Ouro de Tolo, feita por meio da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Novo Hamburgo.

O principal responsável pela organização, Sandro Miotti, já estava na Penitenciária Estadual do Jacuí (PEJ). A esposa dele, Fabiane Beatris Molmann, foi presa no bairro Canudos, em Novo Hamburgo. E o irmão de Fabiane, Jair Carlos Molmann, foi preso em Taquara.

Segundo a Polícia Civil, Miotti era responsável pela prática de diversos crimes, tais como lavagem de dinheiro, estelionato e falsificação de documentos públicos e privados e, inclusive, homicídio. Ele tinha um patrimônio avaliado em mais de R$ 20 milhões, originário de golpes.

"Ainda há outros três mandados de prisão que faltam ser cumpridos, mas é importante dizer que são familiares, porque vamos passar em diligência e estamos ainda na busca deles. Os vínculos dessas pessoas são todos familiares. Era uma organização criminosa dentro de um vínculo familiar. O principal líder está preso, mas desde lá se verificou que ele articulava todos os golpes. Ele era o mentor intelectual de toda essa ação criminosa", declarou a delegada Ariadne Moraes Langanke, titular da DPHPP.

"Ainda há outros três mandados de prisão que faltam ser cumpridos, mas é importante dizer que são familiares, porque vamos passar em diligência e estamos ainda na busca deles. Os vínculos dessas pessoas são todos familiares. Era uma organização criminosa dentro de um vínculo familiar. O principal líder está preso, mas desde lá se verificou que ele articulava todos os golpes. Ele era o mentor intelectual de toda essa ação criminosa", declarou a delegada Ariadne Moraes Langanke, titular da DPHPP.

O golpe

O delegado Cassiano Cabral, diretor da Divisão de Homicídios Metropolitana do DHPP da Polícia Civil, explica que Miotti, na tentativa de atrair a confiança das vítimas, se apresentava como sendo uma pessoa rica, alugava casas em praias como Atlântida e Jurerê e tinha veículos importados. A partir desse envolvimento, ele oferecia para as pessoas o triplo do valor por elas investido, porém em dinheiro falsificado de altíssima qualidade.

"As pessoas davam 100 mil reais a ele com a promessa de que receberiam 300 mil reais. Elas tinham consciência disso. A torpeza era bilateral", aponta o delegado.

No entanto, depois que as vítimas entregavam a quantia a Sandro, ele simulava uma abordagem policial, com veículos com adesivo da polícia e pessoas fardadas. Nesse momento, criminosos que se passavam por policiais corruptos levavam o dinheiro. "A pessoa ficava desencorajada a registrar ocorrência, porque primeiro estava participando do esquema, da falcatrua, e segundo porque envolvia policiais também", conta Cabral.

Construtora de fachada

A delegada Ariadne Moraes Langanke, titular da DPHPP, salienta que Sandro tinha uma construtora de fachada, sediada em Taquara. "Mas o modelo operante dele era aplicar golpes, de todos os jeitos", frisa.

A delegada afirma que, além das prisões, o que é mais importante é o poderio financeiro de Miotti. Ele possui 23 imóveis, em Taquara, Nova Hartz, Sapiranga, Novo Hamburgo, Capão da Canoa e São José do Norte, que não podem mais ser negociados. Além de 11 veículos de luxo, totalizando mais de R$ 20 milhões, a indisponibilidade de contas e outros.

Como a operação começou

A investigação desta sexta-feira foi originária do homicídio na Marcílio Dias, do genro de Sandro. "Havia informações de que ele poderia tomar a frente dos negócios. A vítima do homicídio trabalhava com Sandro, era namorado da filha dele e havia essa possibilidade de disputar imóveis, tomar conta do patrimônio, mas não se sabe se isso se confirma", conta a delegada.

De acordo com Langanke, desde março de 2020, quando se originou o inquérito de homicídio, a delegacia vem apurando essa questão porque na época foi apreendido mais de R$ 2 milhões, entre moeda nacional e estrangeira.

"Então, foi instaurado um inquérito de lavagem de dinheiro e organização criminosa pela Delegacia de Homicídio. Depois de um trabalho de meses, um trabalho diário de busca de informações, resultou na operação de hoje", explica a delegada.

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