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Notícias | Novo Hamburgo Pátria Nova

'O chão sai de baixo da gente', diz pai após atropelamento das filhas em Novo Hamburgo

Motorista atropelou irmãs de 2 e 3 anos e fugiu do local. Mais velha ganhou alta no último sábado; mais nova segue na UTI do Hospital Regina

Por Joyce Heurich
Publicado em: 07.04.2021 às 14:37 Última atualização: 07.04.2021 às 18:08

Luana Freitas Peteffi, de 2 anos, ao lado da irmã, Helena Freitas Peteffi, de 3 anos Foto: Arquivo Pessoal

Na última quinta-feira (1), véspera da Sexta-Feira Santa, o empresário Ismael Peteffi recebeu uma notícia por telefone que mudaria os planos da família para o feriadão de Páscoa. A ligação era do hospital. As filhas, de 2 e 3 anos, haviam sido atropeladas no Bairro Pátria Nova, em Novo Hamburgo. A mais velha, Luana Freitas Peteffi, estava desacordada.

“O chão sai de baixo da gente, né? Porque quando é um bem material, quando é uma coisa que a gente consegue adquirir novamente, eu não tenho tanto apego. Mas nós sabendo da situação da Luana, e não ter o que fazer, tu te sente impotente”, desabafa o pai.

Naquele dia, as irmãs estavam passando a tarde com a avó. Ismael conta que, a pedido das crianças, as três saíram a pé para comprar alguns itens no mercado, a pouco mais de uma quadra de distância. No retorno para casa, por volta das 15 horas, elas atravessavam a Avenida Primeiro de Março, perto da Rua Itu, quando foram atingidas por um Audi.

"Elas atravessaram até o canteiro central e, posteriormente, estavam indo até a calçada. Ele [o motorista do Audi] vinha no sentido Maxxi-Centro. Um senhor reduziu a velocidade para elas terminarem a passagem delas até a calçada. Esse rapaz vinha um pouco mais rápido, chegou a bater no carro do senhor e pegou elas no cordão da calçada", relata Ismael. "As câmeras pegaram o camarada fugindo. Ele desceu, olhou a situação e fugiu", conta.

O condutor chegou a ser preso em flagrante no mesmo dia, mas foi liberado após pagar fiança. "Pagou R$ 3 mil e está na rua. Ele saiu antes de mim da delegacia, eu fiquei lá com testemunhas", diz Ismael, inconformado. Segundo a Polícia Civil, ele ficou em silêncio durante o depoimento e se recusou a fazer o teste do etilômetro. Hoje, ele foi preso novamente.

Embora atingida, a avó não precisou ser hospitalizada. Quem acabou socorrendo as meninas foi um "anjo da guarda". A mulher, desconhecida, parou para reanimar a mais nova, que estava desacordada. "Ela ‘morreu’, não respirava. Uma moça que estava no local do acidente reanimou minha filha. Até onde eu sei, ela fez curso de primeiros socorros e nunca tinha usado, foi um 'anjo' que apareceu”, relata o pai, agradecido.

Segundo testemunhas, foi a mulher que colocou uma das crianças no carro particular que levou as meninas ao hospital. "Continua massageando o peito dela", recomendou na ocasião. Em seguida, sentou na calçada, com as mãos na cabeça e aflita após o socorro. 

Mais nova segue na UTI

As meninas foram levadas ao Hospital Municipal de Novo Hamburgo e transferidas, no mesmo dia, para o Hospital Regina. A mais velha, Helena Freitas Peteffi, ganhou alta no sábado.

“A Helena tem 3 anos e 6 meses. Ela teve hematomas mais fortes no rosto, estava bem desconfigurada, olho inchado, um dos olhos não abria. Eu ainda fui agradecer porque ela estava bem, não afetou a visão, não quebrou nada”, detalha o pai.

Já Luana, a mais nova, segue na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regina. "Ela está estável, respira sem auxílio mecânico, ela dá sinais, depende dela agora. Ela tem que despertar no momento dela. Médicos dizem que pode ser um dia, dois, uma semana", afirma.

Segundo Ismael, ainda não é possível saber se Luana ficará com alguma sequela. "Essa é a grande dúvida. Ela teve lesões na cabeça, no cérebro, em função da batida. Mas a gente está na esperança de que fique tudo bem", torce.

Saudade da 'mana'

Desde o sábado em casa, para alívio da família, a pequena Helena já está conversando, brincando e se recupera bem. A ausência da irmã, no entanto, tem causado estranhamento.

“A única situação que está difícil de contornar é 'onde está a mana'. A gente diz que a 'mana' está ‘dodói’, está no médico. Ela pede para ir visitar a 'mana'", conta o pai.

As duas têm idades parecidas e, segundo Ismael, viviam juntas. "Elas passam brincado, são muito unidas, então, deu aquela saudade. Ela não consegue entender como que a 'mana' está há três, quatro dias, longe de casa. Isso nunca tinha acontecido", explica.

O domingo de Páscoa neste ano foi diferente para a família, com as irmãs separadas. Mas o espírito da data esteve presente e reforçou a crença de que, muito em breve, Luana estará em casa novamente.

"A gente esteva acreditando que a Páscoa é ressurreição, é vida nova. A gente estava bem crente, fiel, de que tudo isso era só passageiro, que ela estava realmente acordando e que esse pesadelo estava acabando para nós", conclui Ismael.

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