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Notícias | Mundo GUERRA NO LESTE EUROPEU

Rússia intensifica ataques para tomar região ao leste da Ucrânia

Presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, acusou na sexta-feira a Rússia de atingir alvos civis em um "terror deliberado"

Por Estadão Conteúdo
Publicado em: 02.07.2022 às 19:19 Última atualização: 02.07.2022 às 19:45

Forças russas intensificaram os ataques aos arredores de Lisichansk em uma tentativa de tomar o último reduto de resistência na província de Luhansk, na região de Donbas, no leste da Ucrânia. Nas últimas semanas, tropas ucranianas conseguiram evitar a conquista do município, como já ocorreu com a vizinha Sievierodonetsk há uma semana. O presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, acusou na sexta-feira (1º) a Rússia de atingir alvos civis em um "terror deliberado".

O Ministério da Defesa da Rússia disse que suas forças assumiram o controle de uma refinaria de petróleo nos limites de Lisichansk nos últimos dias. No entanto, o governador de Luhansk, Serhiy Haidai, afirmou que os combates pela instalação continuavam. "No último dia, os ocupantes abriram fogo de todos os tipos de armas disponíveis", disse Haidai, ontem, no aplicativo de mensagens Telegram.

Luhansk e a vizinha Donetsk são as duas províncias que compõem a região de Donbas, onde a Rússia concentrou sua ofensiva desde que se retirou do norte da Ucrânia e da capital, Kiev, no mês passado.

Em Sloviansk, importante cidade de Donetsk ainda sob controle ucraniano, quatro pessoas morreram após mísseis de fragmentação russos atingirem áreas residenciais na sexta-feira, disse o prefeito Vadim Liakh no Facebook. Ele afirmou que os bairros não abrigavam alvos militares. Ainda ontem, equipes de busca vasculhavam escombros de um ataque aéreo russo no mesmo dia, que atingiu áreas residenciais perto do porto ucraniano de Odessa - 21 pessoas morreram.

A procuradora-geral ucraniana, Irina Venediktova, afirmou ontem que as equipes de resgate e investigadores estão recuperando fragmentos de mísseis que atingiram um prédio de apartamentos na pequena cidade costeira de Serhievka. Eles também estavam fazendo medições para determinar a trajetória das armas, disse. "Estamos tomando todas as medidas investigativas necessárias para determinar exatamente os responsáveis por esse terrível crime de guerra", disse Irina.

As autoridades ucranianas interpretaram o ataque com mísseis em Odessa como uma vingança pela retirada das tropas russas da Ilha das Cobras, próxima ao Mar Negro, com um significado simbólico e estratégico na guerra que começou com a invasão da Ucrânia pela Rússia em 24 de fevereiro. Já a Rússia disse que sua saída da região foi um "gesto de boa vontade" para ajudar a desbloquear as exportações de grãos.

Terror

Zelenski afirmou ontem que três mísseis antinavio atingiram "um prédio residencial de nove andares" onde moravam cerca de 160 pessoas. "Enfatizo: Este é um terror russo deliberado e direto, e não um erro ou um ataque acidental de mísseis", disse Zelenski.

O Ministério da Defesa britânico disse ontem que os mísseis antinavio geralmente não têm precisão contra alvos terrestres. De acordo com os britânicos, a Rússia provavelmente tem usado esse armamento por causa da escassez de artefatos mais ajustados.

O Kremlin respondeu que seus alvos são sempre locais de armazenamento de combustível e instalações militares e não áreas residenciais. As acusações contra o Exército se tornaram mais frequentes depois que mísseis atingiram recentemente um prédio de apartamentos em Kiev e um shopping center que estava aberto em Kremenchuk. Ontem, Vitali Maletski, prefeito dessa última cidade, disse que o número de mortos no ataque ao shopping subiu para 21, sendo que uma pessoa está desaparecida.

Resposta ao Ocidente

Para analistas e autoridades ucranianas, as recentes investidas contra alvos civis é um recado de Moscou para que o Ocidente fique de fora da guerra. "Foi um ataque simbólico", disse o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, ao se referir ao ataque que atingiu a capital em 26 de junho, três dias depois de os líderes da União Europeia terem concordado por unanimidade em tornar a Ucrânia candidata à adesão ao bloco. Pelo menos seis pessoas morreram.

Um dia após a investida contra Kiev, enquanto os líderes do G-7 se reuniam na Alemanha para discutir mais apoio à Ucrânia durante sua cúpula anual, a Rússia atacou o shopping de Kremenchuk.

O presidente russo, Vladimir Putin, alertou recentemente que Moscou atacaria alvos que havia poupado até agora se o Ocidente fornecesse à Ucrânia armas que pudessem chegar à Rússia. A Rússia "usará nossos meios de destruição, que temos em abundância", disse ele. (Com agências internacionais).

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