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Notícias | Gramado Empreendedorismo

Pioneira no Brasil, locação de casacos é sucesso entre turistas em Gramado

Cidade foi a escolhida para receber a proposta há quatro anos; acervo tem mais de 300 peças

Por Fernanda Fauth
Publicado em: 10.09.2021 às 03:00 Última atualização: 13.09.2021 às 12:10

Ao pensar em Gramado e Serra gaúcha, para muitos turistas que vêm de fora do Rio Grande do Sul, a palavra-chave é o frio. Só de imaginar a região, temperaturas baixas viram motivo de preocupação, inclusive, na hora de arrumar as malas.

A loja física, localizada no Centro de Gramado, foi inaugurada neste ano Foto: Fernanda Fauth/GES-Especial
A mineira Camila Siqueira, atualmente residindo em Goiânia, passou por isso. Sempre morando em cidades quentes, nunca teve casacos e acessórios para viagens e sabia que essa era uma das maiores dificuldades dos turistas que visitam regiões frias. "Morei fora alguns anos, durante a faculdade, e a ideia de compartilhamento veio sendo desenvolvida durante toda a minha trajetória profissional e pessoal. Como sou adepta à prática minimalista, me incomodava saber que, caso comprasse, eu não usaria novamente aquelas peças depois", relata.

Foi com este pensamento que a hoje empresária criou um espaço virtual, chamado AirCloset. Há quatro anos, participou de eventos relacionados a startups e apresentou a ideia, que tinha como objetivo inicial conectar lojistas que possuem casacos parados em estoque, com clientes finais, como turistas. "Muitas pessoas compraram a ideia, e o start se deu acompanhando toda a tendência de fast fashion e necessidade urgente de uma mudança de cultura", revela.

Contudo, Camila encontrou dificuldades no seu caminho. A maior foi identificar lojistas que comprassem a ideia de compartilhamento inicialmente. "Era quase um papo de maluco. Por esse motivo resolvemos abrir a nossa própria loja, pois tínhamos o cliente e precisávamos dos produtos. Mas a nossa ideia inicial, não era virar lojista, e sim, ajudar aquele cliente de regiões quentes que provavelmente compraria ou pegaria emprestado um casaco, viajando cheio de malas, para alugar com os comerciantes da cidade", afirma.

Para abrir a loja, a empresária pensou em um perfil de cidade para gerar o impacto desejado. O município deveria ser pequeno, mas com muito movimento e público oriundo de regiões quentes do País. "Gramado era um local que eu visitava com frequência, por isso a escolha".

Pensando sempre na disseminação da ideia de compartilhamento, Camila deu um passo a mais e abriu sua primeira loja física. E para ela, será um ano para ficar na história, principalmente com o episódio da neve, no final do mês de julho, que auxiliou na alavancada das locações.

"Tivemos números significativos no aumento do aluguel, acreditamos que a loja física foi determinante para o resultado. A neve que não dava as caras há muitos anos nos ajudou no engajamento nas redes sociais e semanas depois, como resultado, novos clientes na loja física. Superamos as expectativas para esse inverno e estamos otimistas", comenta.

50 a 100 solicitações por dia

O acervo da AirCloset está em constante crescimento e os próximos objetivos são peças de meia-estação. Atualmente, são mais de 300 objetos disponíveis para locação entre casacos, acessórios, botas, óculos, guarda-chuva, chapéu, carrinho de bebê e bolsas. As diárias ficam entre 25 e 90 reais.

Já o atendimento via redes sociais e WhatsApp não para: são cerca de 50 a 100 clientes por dia, em média, na alta temporada, muitos deles com dúvidas ou já com modelos escolhidos para reservar.

Ainda segundo Camila, os turistas que frequentam a loja criaram uma rotina. "Encontramos com eles três ou quatro vezes durante a estada para trocar as vestimentas. Na sua maioria, as peças são alteradas diariamente, para aproveitarem as fotos. Isso me dá muita satisfação, pois além de estarmos fazendo bem para o planeta, ajudamos tantas pessoas a economizar, viajar leve e com muito estilo", fala.

Locação e sustentabilidade

A proposta de compartilhamento de roupas de frio, através da locação dessas peças, tem como ramificação a sustentabilidade. Para Siqueira, essa foi uma das razões de abrir o seu próprio negócio. "Hoje todos nossos móveis foram pensados nessa linha e são de madeira de reflorestamento, por exemplo. Nossos contratos são enviados on-line sem necessidade de impressão. Mesmo que o valor do aluguel seja o da compra de uma determinada peça, você irá utilizá-la apenas uma ou duas vezes", finaliza.

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