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Notícias | Gramado Polêmica

'Índio com celular de última geração', questiona fiscal da Prefeitura durante fiscalização

Imagens foram publicadas pela líder indígena Sonia Guajajara; Prefeitura de Gramado afirma que tomará medidas administrativas em relação à abordagem do servidor

Por Letícia de Lima
Publicado em: 04.05.2021 às 17:59 Última atualização: 04.05.2021 às 18:16

Vídeo foi publicado pela ativista Sonia Guajajara Foto: Reprodução Instagram
Um vídeo publicado no Instagram pela líder indígena Sonia Guajajara está repercutindo na internet nesta terça-feira (4). As imagens foram gravadas nesta segunda-feira (3) na Avenida Borges de Medeiros, em Gramado, em frente à Praça das Etnias, quando um indígena, identificado por ela como Merong Kamakã, é abordado por um fiscal da prefeitura por vender pinhão em alguns cestos na calçada, o que seria irregular.

Ao ser abordado, Merong justifica que a venda da semente faz parte do seu trabalho. "O pinhão é uma comida típica indígena e sabemos que toda essa cidade foi construída em território indígena", rebate. O homem atua na retomada do povo Xokleng, em São Francisco de Paula.

De acordo com Sonia Guajajara, trata-se de um ataque de racismo, pois nas imagens o servidor se mostra surpreendido pelo indígena utilizar um smatphone. "Um índio com um celular de última geração é coisa estranha", diz o funcionário público, orientando para que a venda do pinhão ocorra no espaço do Lago Negro, destinado à comercialização de produtos indígenas. Em três horas de publicação, a postagem tem mais de 270 comentários e 13 mil visualizações no perfil da ativista.

Em nota oficial, a Prefeitura afirma que "Gramado respeita e valoriza a cultura indígena". A administração municipal diz que lamenta o episódio e aponta que medidas administrativas serão tomadas com relação ao servidor que aparece nas imagens. A identidade do fiscal não foi revelada.

Ainda de acordo com a Prefeitura, um nova abordagem ocorreu na sequência, feita por um servidor da Secretaria da Cultura. "Em uma conversa tranquila e respeitosa, o mesmo entendeu os motivos que impedem a comercialização de produtos naquele local, inclusive agradecendo a cordialidade do servidor", informa a nota.

 
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