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Cotidiano | Viver com saúde Entre as vítimas da Covid-19

Obesos são parte do grupo de risco , mas perda de peso ajuda a se proteger

Em vários países, pacientes jovens e obesos tiveram piores desfechos para o novo coronavírus. Atividades físicas e reeducação alimentar podem contribuir com a imunidade

Por Adriana Lima
Última atualização: 23.05.2020 às 13:57

Obesos estão no grupo de risco da Covid-19; mudança de hábitos é urgente Foto: Adobe Stock
Mateus Reis, endocrinologista Foto: Arquivo Pessoal
Em dias de distanciamento social, uma das queixas comuns é que o tempo em casa pode ter rendido uns quilinhos a mais. Porém, mais do que a preocupação com a estética, esse acréscimo na balança é, em muitos casos, preocupante quando o assunto é o coronavírus.

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O endocrinologista Mateus Reis destaca que na avaliação dos pacientes que apresentaram desfechos desfavoráveis para a doença boa parte deles tinha em seu histórico o diagnóstico de obesidade. "Uma análise no Reino Unido mostrou que dois terços dos pacientes que ficaram gravemente enfermos tinham sobrepeso ou obesidade. Lembrando que muitas vezes o diagnóstico de obesidade é negligenciado por muitos pacientes e até mesmo profissionais da saúde que não o consideram na lista de diagnósticos dos pacientes. No Brasil, mais da metade da população tem sobrepeso e a obesidade atinge um a cada cinco brasileiros, de acordo com dados da pesquisa publicada em 2019 da Vigitel - Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico", alerta.

O médico de Novo Hamburgo lembra que a obesidade é uma doença multifatorial, que envolve fatores de risco modificáveis e não-modificáveis. "O fato de a pessoa ter um histórico familiar de obesidade contribui para que ela também se torne obesa, mas caso ela consiga desde pequena ter hábitos saudáveis e fazer atividade física aumenta as suas chances de manter o peso adequado", indica.

E lembre-se que a comprovação da obesidade vai além do número na balança. "O diagnóstico é dado pelo cálculo do índice de massa corporal, contudo ele não é um método 100% fidedigno. Um exemplo é com os indivíduos musculosos, muitas vezes podem ter um índice de massa corporal elevado, que indicaria excesso de peso, porém isso pode ser às custas do aumento de massa muscular. Isso mostra a importância da avaliação médica da composição corporal do paciente, a fim de demonstrar a porcentagem de massa magra e massa gorda", cita.

Quero emagrecer. Por onde eu começo?

Primeiramente, busque orientação profissional. "É ideal que crie uma rotina, mantenha o horário das refeições, não pule-as, faça uma lista de compras quando for ao supermercado para comprar o necessário, não compre em excesso aquela comida que lhe traz conforto quando estressado e fracione as porções, evitando o excesso. Outro ponto é a atividade física, que ajuda no controle do peso e no manejo do estresse", cita Mateus.

Baixa imunidade

"O excesso de peso faz com que o indivíduo apresente um estado de inflamação crônica que prejudica a imunidade e dificulta para o organismo combater adequadamente o vírus. Também está sendo estudado que o vírus pode se depositar na gordura e é liberado aos poucos, atrapalhando o sistema de defesa, ou até mesmo tendo uma liberação tardia mais intensa, prolongando o tempo de infecção num paciente que já tem o sistema imune prejudicado", alerta. Piores desfechos também podem ocorrer pelas doenças cardíacas e metabólicas associadas e maior risco de comprometimento pulmonar.

Perca peso, mesmo que pouquinho!

Comece hoje mesmo a mudar os hábitos e comemore cada conquista! "Ao contrário do que muitos pensam, para reduzir os riscos associados a obesidade o paciente não precisa voltar para o peso normal. Perdas discretas de peso, em torno de 5% a 10% do peso máximo atingido, auxiliam na melhora de muitas condições associadas a obesidade e reduzem a inflamação que é uma das causas dos riscos aumentados", esclarece.

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