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Viver com Saúde

Excesso de tecnologia pode afetar atenção, memória e socialização das crianças

Especialista em neuropsicologia alerta necessidade monitorar uso os filhos
08/04/2019 03:00 12/04/2019 14:17

Foto por: Cristiano Santos/Ges-especial
Descrição da foto: Fernanda Helena Stroeher, psicóloga especialista em Neuropsicologia
Em um contexto social e cultural cada vez mais atrelado aos usos de tecnologias e da Internet, as novas gerações vivem, desde o nascimento, cercadas por aparelhos eletrônicos. O uso destes equipamentos é essencial na contemporaneidade. Porém, a falta de limites na frequência e no tempo que os usuários ficam conectados, além de outros fatores, podem ser prejudiciais ao desenvolvimento dos pequenos.

Recentemente, voltou a pipocar vídeos virais da Momo, que surgiu no Whatsapp. O desafio se assemelha ao antigo "Desafio da Baleia Azul", que foi acusado de promover suicídio e atos de violência entre crianças em todo o mundo.

A psicóloga especialista em Neuropsicologia Fernanda Helena Stroeher salienta a necessidade de os pais ou responsáveis de crianças e adolescentes imporem regras ao acesso a dispositivos tecnológicos, principalmente aqueles que ofereçam conexão com a web, onde os menores ficam vulneráveis a qualquer tipo de conteúdo.

Como estes jogos on-line ou desafios do tipo Baleia Azul e Momo agem sobre as crianças e os adolescentes?
A circulação destes jogos ou desafios constituem real ameaça, pois a vulnerabilidade está presente nesta faixa etária. Crianças ainda confundem realidade com fantasia. Por isso, vídeos que as induzem a se automutilarem podem gerar traumas significativos. Outra questão que levanto é a possibilidade desses desafios estarem sugestionando e encorajando crianças e adolescentes, que já possuem dificuldades psíquicas e não estão conseguindo encontrar suporte emocional no mundo externo, a se mutilarem ou suicidarem.

Por que eles são mais suscetíveis a ser atraídos por este tipo de conteúdo?
As crianças ainda estão em processo de formação de suas capacidades cognitivas e sociais. Durante essas etapas de desenvolvimento, recebem uma série de informações que irão construir sua personalidade e percepções de mundo. Essa construção se dá a partir dos contatos sociais que estabelece com a família e a sociedade. A construção do processo de pensar e refletir será desenvolvido neste contexto de interação. Por isso, a importância dos pais estarem sempre presentes, ensinando sobre os perigos presentes na Internet. Melhor do que criar pânico ou proibir a criança de acessar a Internet é ensinar a ter discernimento sobre o que podem postar e acessar, assim como criar estratégias de como lidar com as situações de risco que encontrarão.

Como saber se a criança ou o adolescente está dependente de tecnologia?
Segundo a Organização Mundial da Saúde, três sintomas podem indicar o distúrbio: o primeiro é não controlar a conduta de jogo quanto ao início, frequência, quantidade, duração, finalização e tempo on-line; o segundo é priorizar os jogos/tecnologias em vez de atividades do cotidiano; e o terceiro é ficar jogando mais e mais, apesar das consequências negativas que este excesso gera.

Com que idade as crianças devem experimentar as tecnologias?
É complicado definir a idade, porque as crianças nascem no meio da tecnologia, e elas veem os pais usando as tecnologias. Então, não tem como proibir ter acesso, mas quando são muito pequenas, o ideal é que fiquem muito pouco tempo com aparelhos, cerca de meia hora por dia. Se conseguirmos limitar o tempo e usar ele em um contexto de jogos e interação, isso será muito melhor. É muito importante estar atento ao horário de acesso às tecnologias pelas crianças. Muitas vezes elas ficam vinculadas a telas à noite, e pesquisas mostram que isso aumenta a atividade cerebral, fazendo com que não durmam bem. Também tem a questão corporal, acabam desenvolvendo problemas ortopédicos pelo excesso de uso. Então, o ideal é usar com bom senso.

O que seria o normal no uso de tecnologia por crianças e jovens?
Fica difícil estabelecer o que seria normal, porque a tecnologia faz parte do dia a dia de todo mundo. É importante observar a idade da criança, quanto menor, de preferência menos acesso se tenha. O problema da tecnologia é que tira a criança do contexto do brincar e de atividades recreativas e sociais. O brincar desenvolve todos os aspectos sensoriais da criança, que são importantes para o seu desenvolvimento cognitivo e modulação de suas emoções. É importante que os pais possam estabelecer limites. O uso de Internet e de jogos precisa estar no meio de outros contextos de interação da criança. Quando isso não ocorre, a criança pode passar a apresentar algumas dificuldades, inclusive escolares, como falta de atenção e memória. O excesso no uso de tecnologias acaba afetando também a socialização da criança, criando prejuízos e não desenvolvendo o potencial dela neste processo.

Como é possível negociar o tempo com as tecnologias?
O uso de tecnologia pode entrar na rotina da criança com horários para o uso, fazendo combinações em relação a isso, intercalando com outras atividades e tarefas. Se inserirmos em uma rotina saudável, a criança não terá prejuízos em relação ao uso. Mas, os pais precisam estar vinculados neste processo. O limite é essencial para tudo. A criança que não tem limites não se frustra, e a frustração é a base do desenvolvimento saudável.


  • Criança no telefone, smartphone, tecnologia
    Foto: Pixabay
  • Fernanda Helena Stroeher, psicóloga especialista em Neuropsicologia
    Foto: Cristiano Santos/Ges-especial

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