Olá leitor, tudo bem?

Use os ícones abaixo para compartilhar o conteúdo.
Todo o nosso material editorial (textos, fotos, vídeos e artes) estão protegido pela legislação brasileira sobre direitos autorais. Não é legal reproduzir o conteúdo em qualquer meio de comunicação, impresso ou eletrônico.
VOLTAR
FECHAR

Rua Emílio Leobet, 1559, sala 21 - Bairro Avenida Central - Gramado/RS - CEP: 95670-000
Fones: (54) 3286.1666 - Fax: (54) 3286.4015

PUBLICIDADE
Viver com Saúde

Queimação no peito: doença do refluxo e hérnia de hiato podem estar relacionadas

Ambos os problemas têm tratamento
01/04/2019 03:00 01/04/2019 14:37

Foto por: Fotolia
Descrição da foto: Sensação é de queimação no tórax
Os sintomas da doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) eram sentidos há anos pelo aeronauta Carlos Fleck, morador de Novo Hamburgo. A queimação no peito e as crises de refluxo após as refeições foram agravadas pela hérnia de hiato que desenvolveu. Três anos atrás, procurou ajuda médica, já com dificuldades para dormir e se alimentar. "A situação ficou insustentável. Eu dormia sentado. Se deitasse, acordava com o jato de ácido subindo a garganta, ficava todo queimado na boca", relembra. Até mesmo uma ação simples como amarrar os calçados poderia ter consequências incômodas. "Não conseguia. Tinha que levantar um pé por vez em cima de um móvel para atar os cadarços", conta.

O médico gastroenterologista Carlos Francesconi explica que a DRGE é um problema digestivo no qual o conteúdo gástrico, que inclui o ácido clorídrico, retorna pelo esôfago quando deveria continuar no processo normal da digestão, causando o refluxo e irritando os tecidos que envolvem o esôfago. O especialista explica que isso ocorre quando o esfíncter (anel de fibras musculares que impede que os alimentos regressem) não mantém a pressão entre o abdômen e tórax. Com o suco gástrico do estômago, podem voltar o que a pessoa bebeu ou comeu. "A sensação é de queimação atrás do peito, conhecida como pirose", esmiúça o médico. Uma das consequências mais graves e que pode deixar sequela é a esofagite, que é a inflamação no esôfago.

Uma doença difícil de engolir

Não há um público mais propenso a desenvolver a DRGE. De acordo com o cirurgião geral João Couto Neto, entre as causas pode-se citar hérnia de hiato. Este problema, comenta, ocorre quando há o deslizamento do esôfago em direção ao tórax, fazendo com que as pressões abdominais se tornem superiores às torácicas. "O ácido do estômago sobe em direção ao esôfago, causando o refluxo", salienta.

Entre os alimentos que irritam a DRGE, Francesconi elenca o café, bebidas alcoólicas e o fumo. O tipo de comida consumida por Fleck fazia com que sentisse acidez no esôfago. "Levava quatro dias para conseguir melhorar de uma refeição que tinha me feito mal", diz, lembrando que buscava comer sempre as mesmas coisas que não o prejudicavam.

Neste panorama, o aeronauta lembra que os alimentos farináceos, como pão branco, estavam condenados. Muitas vezes, durante o almoço, Fleck lembra que acabava vomitando porque o ácido engasgava no esôfago, provocando dor no peito. "Isso era um processo doloroso. A hora das refeições, que deveria ser de descanso, havia se tornado de preocupação", recorda.

O que é a hérnia de hiato

Foto por: RAQUEL RECKZIEGEL/GES-Especial
Descrição da foto: SOLUÇÃO: Couto explica os métodos para a hérnia de hiato
A hérnia de hiato é uma doença anatômica do aparelho digestivo que pode ou não apresentar sintomas. Se for assintomática, geralmente não precisa ser tratada; porém, se apresentar sinais como dor, anemia, dificuldade para comer, queimação e refluxo pode precisar de intervenção médica. Pessoas que sofrem com obesidade correm mais risco de desenvolver a hérnia de hiato porque o acúmulo de gordura na barriga aumenta a pressão e faz esforço no diafragma, que se alarga com maior facilidade.

A doença acontece quando a abertura pela qual passa o esôfago se alarga muito e o estômago, que deveria ficar no abdômen, acaba passando e subindo para o tórax. É possível corrigir o problema com uma cirurgia, que leva de volta esses órgãos do tórax para a barriga e fecha um pouco a abertura do diafragma para que a hérnia não volte a acontecer.

Cirurgia

Para o diagnóstico da hérnia, dois exames são comuns: Manometria Esofágica e a pHmetria de 24 Horas, este faz com que eletrodos colocados vejam o PH. Este PH vai considerar quanto tempo teve de refluxo e acidez e colocará o resultado dentro de uma escala, que indicará a necessidade cirúrgica. A Manometria é um exame de pressão do esôfago, vendo se está flácido o esfíncter. Fleck fez os dois exames até avaliar a necessidade do procedimento cirúrgico. "Desde o dia que fiz a cirurgia, nunca mais tive refluxo ou qualquer tipo de queimação", garante. "No momento que passei a comer normal, duas semanas já estava recuperado. Eu mesmo passei a me cuidar no que como", compartilha.

Tratamentos aos sintomas

O tratamento para a doença do refluxo pode ser feito de diferentes formas e varia de acordo com a intensidade do problema do paciente. Francesconi lembra que em alguns casos é recomendado ter atitudes preventivas, como evitar fazer a última refeição a três horas de dormir, controlar o consumo de bebidas alcoólicas e comidas gordurosas e, em alguns casos, elevar a cabeceira da cama. No entanto, dependendo da intensidade do refluxo, pode ser necessário uso de remédios, com diferentes indicações às várias alternativas farmacológicas.

A intervenção cirúrgica geralmente ocorre com pacientes que não querem tomar continuamente os medicamentos. Mas, neste caso, Francesconi diz que o procedimento precisa ser muito bem avaliado.

Em julho de 2016, Fleck optou pela cirurgia da hérnia de hiato, que intensificava os refluxos. No entanto, os sintomas desta doença também podem ser controlados a partir de medicamentos, como lembra Couto. Numa segunda fase, os efeitos da hérnia podem ser tratados através de alguns eletrodos colocados no esôfago, como se fossem marcapassos, fazendo com que aumente as pressões. "O maior problema não é a hérnia, mas o sintoma dos refluxos", garante o cirurgião geral.

Moderação

Em todos os casos, Francesconi ressalta que é necessário controle de hábitos dos pacientes. "A pessoa deve tentar levar uma vida normal. Não quer dizer que nunca mais poderá tomar café ou álcool, mas terá moderação", reforça.

Jornal de Gramado
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
Capa do dia

FOLHEIE O SEU JORNAL PREFERIDO NA TELA DO SEU COMPUTADOR.

ACESSE ASSINE AGORA
51 3600.3636
CENTRAL DO ASSINANTE

51 3591.2020
CENTRAL DE VENDAS DE ASSINATURAS