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Viver com saúde

Da bariátrica ao balão intragástrico: conheça as técnicas de controle da obesidade

Procedimentos auxiliam pacientes obesos na perda de peso
12/12/2018 14:54 13/12/2018 14:18

Diferente daquele delicioso ato de saciar a fome, pacientes têm lutado diariamente contra uma prisão chamada compulsão alimentar. O resultado dela, em pouco tempo, se vê na balança e nas complicações de saúde. Conforme o Instituto Nacional do Câncer (Inca), pelo menos 15 mil casos de câncer por ano no Brasil poderiam ser evitados com a redução do peso e o combate à obesidade. Pesquisa feita na Universidade de Montreal, Canadá, e compartilhada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) apontou que obesos perdem até oito anos em sua expectativa de vida.

Foto por: Marco Bourscheid/GES-Especial
Descrição da foto: Cirurgião geral Fábio Strauss
E nada de culpar apenas a genética e esconder os maus hábitos. O cirurgião geral Fábio Strauss explica que o estômago é um órgão com capacidade "elástica" de se expandir e pode chegar até cinco vezes seu tamanho original quando está bem cheio de alimentos. "O tamanho original dele varia muito, pois depende do tamanho da pessoa e do quanto come, mas ele pode diminuir de tamanho também. Há pessoas que fazem dietas e não conseguem mais comer a mesma quantidade de antes, o estômago se 'acostumou' à nova rotina", diz.

Paciente jovem

Para quem tentou várias alternativas e não conseguiu perder peso o bastante para alcançar um padrão de saúde, a cirurgia bariátrica é uma opção. "É preciso ter mais de 18 anos e, normalmente, menos de 60. Hoje, as cirurgias são, em média, em pacientes com 20 a 35 anos, fase de dificuldades devido ao excesso de peso. Tem o Índice de Massa Corporal (IMC), resultado do peso dividido pela altura ao quadrado, acima de 35 ou então de 30 e alguma outra comorbidade como diabete, colesterol alto ou pressão alta.


O eficiente balão intragástrico

Uma das indicações para o combate à obesidade sem intervenção cirúrgica é o balão intragástrico, uma bola de silicone colocada na parte inicial do estômago. Strauss destaca que este é um procedimento ambulatorial, o paciente o coloca por meio de endoscopia, não há corte nenhum, e leva entre 20 e 30 minutos. Logo em seguida, ele vai para casa. "Ele é colocado então pela boca do paciente, ainda murcho e com uma guia, até chegar na parte mais alta do estômago, onde se localizam os receptores da fome, bloqueando-os. Depois que está no corpo, injetamos, em média, 600 ml de soro, até no máximo 700 ml, dentro do balão, junto com um líquido corante azul. Depois, é desengatada a guia, ficando só o balão inflado dentro do paciente, preenchendo uma parte do estômago e assim ele não vai conseguir comer tanto quanto antes. O azul é um marcador pois, se por algum motivo o balão esvaziar, o corante vai sair na urina e o paciente vai saber o que está acontecendo e que deve ir imediatamente para o hospital para retirá-lo. Se esvaziar todo, pode sair do estômago e seguir para o intestino, que é uma complicação. Nunca tive isso até hoje, mas pode acontecer caso não se siga corretamente todas as instruções, por isso há o azul para guiar", informa.

O médico ainda ressalta que este é um método temporário. "O que uso aqui fica por seis meses e depois obrigatoriamente temos que retirar. O paciente então não vai conseguir comer tanto quanto antes e precisa seguir uma dieta que começa com a parte líquida alguns dias, passa para a pastosa e depois a comida sólida. Ele chega a perder cerca de 20% do seu peso. Nesse tempo, se acostuma com hábitos alimentares mais saudáveis, com a qualidade de vida após ter perdido peso. O paciente então precisa seguir a dieta e a atividade física para perder mais peso, se assim ele quiser, ou para manter o peso que perdeu", explica.

É preciso emagrecer antes da operação?

"Não, isso hoje é um mito. Há um tempo atrás sim, porque a gente sabe que a cirurgia nos obesos é de maior risco, não só a bariátrica, mas qualquer outra como cirurgias de hérnia, vesícula, que são cirurgias mais comuns. Mas antigamente a cirurgia bariátrica era feita por corte, aí sim o paciente ficava muitos dias acamado, sem conseguir levantar pela dor e isso ainda aumentava os riscos de complicação pós-operatória. Assim, antigamente o paciente tinha que perder um pouco de peso para tentar diminuir esses riscos. Hoje não é assim, com a cirurgia por laparoscopia, se opera de manhã e no fim da tarde o paciente já está caminhando, fica dois ou três dias no hospital e depois vai para casa. Não tem porque expor o paciente a um risco muito maior tanto durante a cirurgia quanto no pós-operatório se temos toda esta evolução por vídeo. Antes, com cirurgia por corte, ele ficava de 7 a 10 dias e, nesse tempo, os riscos de complicação, principalmente a embolia venosa porque o paciente fica muito deitado, aumentavam muito. O paciente mais pesado que já operei tinha 29 anos e pesava 250 quilos, se ele conseguisse perder um pouco de peso seria bom, mas ele não conseguia, foi feito de tudo, então operamos ele assim por videolaparoscopia, sem problemas", explica o médico.

Equipe multidisciplinar

"O paciente não vem consultar hoje e opera amanhã, ele passa primeiro por uma gama de avaliações pré-operatórias, com psicólogo, às vezes psiquiatra, cardiologista, endocrinologista, nutricionista, além da avaliação cirúrgica. Todos dando um ok aí é feita a cirurgia bariátrica", destaca Fábio Strauss.

O médico também explica que a bariátrica e o balão intragástrico impulsionam uma mudança de vida para o paciente, mas o processo de emagrecimento depende dele. "Uma pessoa se torna obesa por vários fatores, mas o principal é não conseguir controlar a alimentação e não fazer atividade física. Sem mudança de hábitos e apoio da família, perderá peso no início e depois de algum tempo vai recuperar tudo de novo."

Duas técnicas para uma mesma cirurgia

O cirurgião de Taquara explica que até bem pouco tempo o procedimento cirúrgico pelo Sistema Único de Saúde (SUS) era feito apenas por corte, mas que hoje já há centros médicos que o realizam por videolaparoscopia, como o feito por meio dos convênios médicos. Ele ainda detalha as duas técnicas da cirurgia bariátrica feitas hoje. "Numa delas, o sleeve, se retira uma parte, chamada de estômago residual, e fazemos como se fosse um tubo do estômago. Então deixamos um caninho e todo o restante é retirado. Já no bypass, com o corte deixamos o estômago menor e se retira em torno de 1 metro da absorção intestinal. A parte do estômago que não é utilizada mais para a digestão, continua com o paciente, fica um estômago excluso, por onde não vai passar mais a parte dos alimentos. No sleeve, o paciente fica com cerca de 20% até 15% do tamanho do estômago, dependendo de cada anatomia, a gente usa uma sonda para moldar o tamanho que vai ficar ali. E no bypass fica bem menos de 20%, chega a ficar em torno de 10% a 8% do tamanho original", detalha o médico.

Jornal de Gramado
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