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Entrevista da Terça

Paulinho Mixaria: um caso de amor (e humor) com Gramado

Artista veio para a cidade há 30 anos em busca da carreira
06/11/2018 09:55 06/11/2018 09:57

Foto por: Divulgação
Descrição da foto: Humorista nasceu em Taquari, cresceu em Parobé, mas adotou Gramado como sua cidade
Ele nasceu em Taquari, cresceu em Parobé, mas adotou Gramado com sua cidade. E foi adotado por ela. “Sou mais gramadense do que quem nasceu aqui porque eu escolhi essa cidade para morar. Quem nasceu aqui não teve escolha”, brinca Paulo Roberto Alves da Silva, 50 anos, mais conhecido como Paulinho Mixaria. A relação de amor e humor com Gramado existe há 30 anos, quando veio para a cidade em busca do sonho de ser artista. Na realização do sonho, além  da esposa Marilene, teve o apoio de muitas pessoas que lhe deram espaço para mostrar a sua arte.

Primeiro dançando em churrascaria, depois como músico (que, acreditem, não sabe tocar violão), e mais tarde como humorista. Como Paulinho Silva ele conhece Gramado desde os 16 anos, quando já tinha escrito um livro e vinha para a cidade dançar em churrascarias. O filho Paulo Roberto Alves da Silva Júnior, segue a carreira artística como músico e também como escritor, já tendo publicado um livro com o pseudônimo Paulinho Rahs. Hoje, como artista consagrado (mesmo fora da grande mídia), Mixaria leva o nome de Gramado para todo o Brasil, uma espécie de embaixador do município. Nesta trajetória de sucesso, ele tem 4 livros, 7 CDs, 2 DVDs e 2 filmes, tudo produção independente.

Como foi a tua vinda para Gramado?
Paulinho Mixaria - Venho para Gramado desde 1986, quando tinha 16 anos e escrevi meu primeiro livro. Vim dançar na Churrascaria Prenda Minha, do saudoso Pedro Dias.  Depois dancei na Churrascaria Recanto Gaúcho do Hélio de Souza Pinto e depois na Quatro Rodas do seu Gerci Bertolucci. Aos 18 anos eu casei, morava em Parobé. Casei e viemos morar aqui. Em 9 de abril fez 30 anos.
 
Mas tua ideia ao vir para cá era fazer humor?
Paulinho Mixaria - Eu sempre quis fazer humor, o meu sonho era esse. Mas não existe teoria pra isso, tu vai aprender onde? É prática, Hoje tem aulas para circo, humor propriamente dito é prática.  Daí eu dançava em churrascaria e sempre contava uma piadinha. Pedia espaço pra contar uma piada e vendia meus livros. Tinha escrito até então  três livros (hoje tenho quatro). Eu trabalhava pela bóia, sem cachê.
 
Onde te apresentava?
Paulinho Mixaria - Fiz muitos shows em cafés coloniais,  dentro de ônibus andando. Daí os guias passaram a me conhecer. Aliás, eu devo muito aos guias de turismo que sempre foram todos meus amigos. Eles me chamavam, fazia o show e eles passavam o chapéu. Depois se passou a cobrar um pila, o máximo foram dois reais por pessoa.

Mas era show de humor?
Paulinho Mixaria - Não. Naquele tempo ninguém aceitava eu fazer um show só de humor. Daí eu ia com um violão e fazia versos de improviso. Usava o nome do casal, da família, de onde elas eram. Eu fazia o verso na hora. Mas os versos que eu fazia eram direcionados a determinadas pessoas ou grupos. E aquilo não interessava a outras pessoas ou grupos que estavam assistindo. Daí, com o tempo, comecei a incluir piadas. A piada era para todos. No Galeto Itália, por exemplo, eu levava o violão mas usava muito pouco. Ficava mais nas piadas. As pessoas perguntavam: e esse violão? Eu respondia: é só pra tirar fotos. Até que um dia inventei que o violão tinha quebrado e só contei piadas. O pessoal não acreditava que daria certo só contar piadas.
 
De onde vem essa sua vocação para o humor?
Paulinho Mixaria - Eu tinha um seis anos de idade e vi um palhaço atuando, me encantei com aquela magia de fazer os outros rir. E o legal é que aquele palhaço não falava palavrão, não falava de cor de pele, de cor de cabelo. Ela fazia graça com ele mesmo. As crianças, os adultos, os avós riam. Pensei: minha gente, é isso que eu quero fazer. Quero divertir os outros e me divertir também. Nos meus shows eu me divirto também. No momento em eu não estiver me divertindo, não vou conseguir divertir os outros. Se eu estiver fazendo só pelo dinheiro, não vou convencer ninguém. Tem que se divertir junto daí tu consegue alcançar o coração das pessoas.

Como tu fez para produzir teus CDs, DVDs e filmes?
Paulinho Mixaria - Todo meu trabalho é produção independente. Não tem nada de recursos público. No começou eu gravava fita-cassete. Não tinha condições de copiar uma fita para outra e não tinha condições de pagar estúdio. Daí eu me fechava no banheiro com um gravadorzinho, gravava um  lado da fita e depois o outro. Uma por uma. Literalmente eu gravava, não copiava. Quando o pessoal me pergunta qual é a receita do sucesso, eu respondo: é luta, força de vontade. Sempre digo: pra chegar onde os outros não chegam, é fazer o que os outros não fazem. Tu não pode te espelhar no fulano, Te espalha em ti, vê a tua capacidade, a tua limitação, o tamanho da tua vontade e o tamanho da tua perna e vá à luta.

De onde vem a inspiração para os teus shows?
Paulinho Mixaria - A inspiração vem do dia a dia. Quase não conto piadas, eu narro situações. Vejo situações e faço graça daquilo. Onde muitas pessoas vêem um mico, eu vejo uma graça. Meu show se renova quase todo dia. Eu não levo um roteiro, é coisa de momento. Preciso respirar, sentir a energia do público. O que eu sentir vontade de falar eu vou falar. Não consigo fazer dois shows exatamente iguais. Digo pro público: não combinamos assunto, o que decidimos é rir juntos, O que vou me lembrando eu vou contando.
 
Tu também te dedica à música…
Paulinho Mixaria - Tenho várias músicas gravadas, pelo Gaúcho da Fronteira, pelo Velho Milongueiro. O maior sucesso da carreira dele é música minha: “É Mentira Desses Loco”. Faço músicas para o Pepeu Gonçalves (adoro este guri), o Ataliba já gravou várias minhas. Fico feliz de contribuir de alguma forma, embora  não seja o meu forte. Mas eu faço com amor.
 
Como surgiu a ideia de fazer filmes
Paulinho Mixaria - Filme eu sempre quis fazer para deixar aqui, quando eu não tivesse mais. Que chegasse onde eu não pudesse chegar. Quando era criança ali em Parobé, tinha o salão Sperb, onde todas as quartas-feiras  passava filmes. Vinha um senhor de Kombi que passava nos bairros anunciando os filmes, a maioria de Teixeirinha e Meri Terezinha, Luis Mendes, Mazaropi, Tarzã... Mas o que marcou muito foram os filmes do Teixeirinha e Meri Terezinha por causa da Jimmy Pipiollo que fazia graça. Naquele tempo, pra ir no cinema, eu e uns guris íamos lá e montávamos a sala, com bancos sem encosto e as cadeiras de palha. Daí aquele senhor deixava a gente assistir. E a gente não perdia um filme. Isso marcou muito a minha infância. Estes meus filmes não tem nada de profissionalismo, é amador do amador. O que me agrada é que estes filmes que eu fiz, mesmo assim, têm encantado principalmente as crianças. O importante é que chegou no coração das pessoas.


Jornal de Gramado
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