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Mauro Blankenheim

Direto da Ilha da Salsicha

"No black market, uma unidade do produto era vendida até por quatro vezes o seu valor de mercado. E o povo pagava sem bufar"
03/06/2018 06:30

Mauro Blankenheim é publicitário
mauroblankenheim.com.br

O Governo na Terra da Salsicha, era autoritário. Não somente isso, totalitário também. Mas havia focos de resistência dentre a plebe rude. O Salsichômetro, algoritmo medidor da captação de impostos, tinha estourado a boca do balão, mas ninguém na ilha percebia os reais benefícios de tanto dinheiro mal versado, imaginavam os moradores.

Até que um dia, os conselheiros do rei invadiram a nave principal do castelo e anunciaram ao soberano a revolta de centenas de súditos contra o preço exorbitante do alimento, commodity que identificava a sua terra tanto quanto os relógios, o queijo e o chocolate, a Suíça.

Não queriam mais entregar salsicha para ninguém. Faziam forfait, corpo mole e operação branca, não queriam mais correr riscos por conta da demanda provável de salsichas. Tavam levando preju. Bom, todo mundo sabe o que acabou acontecendo. Houve um movimento organizado dos food-trucks de cachorro-quente que queriam derrubar o Mestre Salsicha; as donas de casa, revoltadas, se reuniram num grupo de WhatsApp e juraram boicotar os supermercados que racionassem a distribuição do produto e, não demorou muito, veio a ordem de cima:

“NÃO TEM MAIS SALSICHA!”, decretou o mandatário mor da ilha. Assim o povo que comia e consumia salsicha como nós comemos baião de dois, viu-se limitado a duas salsichas por CNPJ. Iniciou-se um movimento no câmbio negro de salsichas por toda a extensão da ilha. No black market, uma unidade do produto era vendida até por quatro vezes o seu valor de mercado. E o povo pagava sem bufar. Havia filas venezuelanas em padarias, mercadinhos e lanchonetes que cobravam o preço do hotdog integral por uma única salsichinha daquelas depauperadas pela longa hibernação nos freezers.

Com o tempo, o produto foi ficando cada vez mais escasso. O povo lembrava com saudade aquele tempo em que as salsichas abundavam. Era salsicha pra cá, salsicha pra lá: cozida, com molho, sem molho, com mostarda, sem maionese, do jeito que o vivente gostasse.

Mas a crise em vez de mirrar, se tornou cada vez mais gigante. Era a vez dos frigoríficos decretarem greve, depois de um acordo meio destransparente ter sido homologado entre as partes. Ninguém entendia muito bem o que havia sido celebrado. Se tinha alguma coisa que não era transparente nesse regime, era o próprio Governo.

As instituições da ilha pareciam baquear. Ninguém acreditava em mais nada, nem em ninguém. O futuro deixou de ser incerto. O presente é que era. Mas havia uma esperança: a Copa do Mundo da Rússia. Chance de ouro para reverter o quadro. E vamo que vamo!


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