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Gilson Luis da Cunha

O Melhor Filme Chato De Todos Os Tempos!

Diário de bordo de um nerd no planeta Terra (DATA 08042018)
08/04/2018 07:30

Gilson Luis da Cunha é doutor em Genética e Biologia Molecular pela Ufrgs, Old School Nerd, fã incondicional de livros filmes, séries e quadrinhos de ficção científica, fantasia e aventura

www.wattpad.com/search/Gilson%20Luis%20da%20cunha


2001

Na última segunda-feira, 02/04/2018, 2001: Uma Odisseia No Espaço, completou 50 anos. Entretanto, eu só conseguiria assisti-lo na TV, mais de uma década depois. Era a primeira metade dos anos 80. Sem VHS (ao menos, para a maioria), sem as salas de cinema multiplex que conhecemos hoje. E com um sistema de distribuição horrível, que podia fazer um sucesso comercial estrear no Estado meses após o resto do Brasil. Foi assim com Indiana Jones e O Templo Da Perdição, que estreou aqui com mais de seis meses de atraso em relação à região Sudeste.

Então, lá por 1982 ou 83 (a memória não me ajuda. Um amigo sugeriu 1985), a Globo, que já tinha lançado Planeta dos Macacos na TV brasileira, anuncia: 2001: Uma Odisseia No Espaço, será exibido em partes como uma minissérie. Para mim, um adolescente que vivia à base de filmes de ficção científica B, feitos em sua maioria, nos anos 50 e 60, foi um segundo marco histórico (o primeiro foi Planeta dos Macacos, exibido na TV em 1975). Aquele era, talvez, o único filme de ficção científica que a crítica respeitava na época! Blade Runner mal tinha sido exibido e ainda tinha um longo caminho até virar cult.

Eu sei. Dois ou três anos, hoje em dia, são história. Mas, naquela época, era como a semana passada. Fiquei eufórico. Eu precisava ver aquele filme. Nem que tivesse que matar aula no turno da noite, que eu frequentava na época. Fui advertido por um amigo uruguaio: “Já vi essa porcaria. Tem macacos dançando para uma laje negra, um cara correndo numa roda como um hamster e que termina como um feto gigante no espaço”, disse ele. Pelo sim e pelo não, li o livro homônimo de Arthur C. Clarke, lançado logo depois do filme em 1968 e disponível, numa tradução portuguesa, numa biblioteca próxima de minha escola. Apesar de não ter, na época, a bagagem necessária para entender todas as implicações da trama, compreendi o essencial.

E veio a bendita exibição, com aqueles cortes e narrações adicionais que a Globo costumava fazer de tempos em tempos, praticamente criando outros filmes. Como esperado, boa parte de minha geração o odiou. E não é para menos. Quase não há diálogos. Nenhuma narração em off que salve a plateia. O ritmo é modorrento e, para piorar, o silêncio do espaço é silencioso mesmo. Nada das explosões de Star Wars nem o barulho dos motores das naves de filmes mais antigos.

E, mesmo assim, o filme me ganhou. Era chato, mas, ao mesmo tempo, genial. Um filme de ideias, na melhor tradição da ficção científica. Conta-se que, em 1968, foi feita uma pré-estreia no dia anterior ao lançamento nos cinemas americanos. Casualmente (ou não), a data era primeiro de abril. Rock Hudson, que estava na sala de exibição, teria perguntado o que foi que eles tinham assistido. Três quartos do público se levantaram e saíram da sala, indignados, antes da metade do filme.

Mesmo com reação parecida após a estreia, os donos de cinemas pediram aos distribuidores que o filme ficasse mais tempo em cartaz. Resultado: Em poucas semanas, aquele que tinha tudo para ser o filme que enterraria a carreira de Stanley Kubrick, virou um sucesso. Motivados pelo boato de que ver a sequência da viagem do astronauta David Bowman através do monólito, sob efeito de LSD, aumentava o “barato”, usuários de drogas recreativas lotavam os cinemas numa das mais inesperadas viradas do destino de todos os tempos. E o resto é história.

O filme teria uma continuação em 1985, 2010: O Ano Em Que Faremos Contato, de Peter Hyams, bem mais convencional e palatável ao público convencional. Mas a película original está entranhada na cultura pop até hoje. Referências a ela podem ser encontradas em filmes como A História do Mundo Parte 1, de Mel Brooks, além de dúzias de HQs, séries animadas, etc.

Conta-se que, em 1972, em plena Guerra Fria, Andrei Tarkovski teria feito o filme de ficção científica soviético Solaris como uma resposta do bloco comunista a 2001, que ele considerava “pavoroso”. Quando finalmente tive a chance de assistir Solaris, não me restaram dúvidas. O filme russo é medonho. Um pé no saco que faz seu rival americano parecer um blockbuster de ação dos anos 80 protagonizado por Bruce Willis ou Sylvester Stallone.

Por mais lento que seja 2001, tudo nele tem um propósito. Já, em Solaris, temos quase quinze minutos de algas se movendo no fundo de um lago e um entra e sai de túneis que dura quase o mesmo tempo. Cheguei a pensar que era lavagem cerebral. Mas, como não saí do cinema com vontade de destruir a civilização ocidental, acho que era só ruindade mesmo... de qualquer modo, 2001: Uma Odisseia... lidou com temas cósmicos, como a evolução e o destino da humanidade, de um modo até hoje insuperável pela maioria dos filmes do gênero.

Lembro que lá por 1989, um amigo conseguiu a fita VHS do filme e me convidou para uma sessão comentada, junto com outros colegas, com direito a paradas para sanduíches e refrigerantes e análise em pause. O resultado: juntando o texto do livro com a sequência final do filme, acredito que conseguimos decifrar seu enigmático fim. O que acontece com David Bowman é que ele… Opa. Sem spoilers. Vocês terão que assistir para tirar suas próprias conclusões. Mas, se vocês estão a fim de algo mais leve e comprometidos apenas com entretenimento, eu sugiro a leitura de 2001: Uma Outra Odisseia, minha noveleta satírica que presta uma, digamos, singela homenagem ao clássico de Stanley Kubrick e Arthur C. Clarke. Ela pode ser lida neste link: https://www.wattpad.com/260340949-2001-uma-outra-odisseia.

Vida longa e próspera e que a força esteja com vocês. Até domingo que vem.


Jornal de Gramado
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