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Luiz Coronel

Natalinamente

"O Natal tem uma tonalidade de infância, um resíduo de inocência que fatalmente nos leva a escorregar por uma ladeira nostálgica"
24/12/2017 06:45

Luiz CoronelLuiz Coronel é poeta
www.luizcoronel.com.br

“Mudaria o Natal ou mudei eu?” A tantas vezes citada frase de Machado de Assis reflete nossa tendência a ver o passado melhor do que foi, o presente pior do que é e o futuro melhor do que será. Mas vamos e venhamos, o Natal tem uma tonalidade de infância, um resíduo de inocência que fatalmente nos leva a escorregar por uma ladeira nostálgica. Nosso coração é uma manjedoura onde dormem desvalido o infante que fomos, a casa que outrora habitamos, os afagos que se perderam trôpegos nos degraus da escadaria do tempo.

É valido dizer que o Natal faz vibrar aquele sino secreto que habita o coração das gentes. E vem aquela vontade muito urgente de um mundo melhor, limpando suas máculas, banindo suas trapaças. E aquela redescoberta de nossa vocação para o abraço. Ao sair da placenta materna, agitamos os braços, pois somos entregues a um mundo que antevemos aflito e desafiador. E somente nos braços de nossos seres amados encontraremos um retorno àquele universo envolvente que outrora tivemos.

Fui criado por uma família piedosa. A casa, bem próxima ao templo, era ordenada pelos sinos que repicavam para saudar os fiéis atentos aos chamados da fé. Criança, eu acreditava que na Missa do Galo, um suntuoso exemplar de penas douradas seria transportado do galinheiro ao átrio da igreja, onde e quando, em canto solo, saudaria o nascimento do Deus Menino. Lembro: em minha infância, o amanhecer era sempre uma exposição de presentes recentes. O menino rico ostentando sua bicicleta dotada de uma buzina alarmante. Minha avó levava ao forno pães, e eu recebia coelhos e gatos com olhos de grãos de feijão. Foram necessárias várias décadas para que eu pudesse saborear um pouco essa côdea de ternura daqueles pães que cresciam sustentados pelo fermento da doçura humana, daquela gente simples e humilde que me cercava.

Não posso negar, embora não seja um homem de práticas religiosas, que os procedimentos promocionais natalinos me constranjam e desagradem. Talvez por isso tenha, ao longo dos anos, criado mensagens institucionais para o Grupo Zaffari, marcadas pelo sentimento religioso. Beto Philomena soube dar continuidade a esse nexo criativo, construindo mensagens emocionantes. Penso que ao chegar ao pórtico do paraíso, o Senhor ordenará a São Pedro: “Deixe entrar o Coronel, apesar de seus pecados. Ele escreveu poemas em minha homenagem que me louvaram majestosamente, destinados aos habitantes do sul do planeta”.


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