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Gilson Luis da Cunha

Uma viagem sentimental

Diário de bordo de um nerd no planeta Terra (DATA ESTELAR 17122017)
17/12/2017 07:30

Gilson Luis da Cunha - Blog Diário de Bordo de um nerd no planeta terra

Gilson Luis da Cunha é doutor em Genética e Biologia Molecular pela Ufrgs, Old School Nerd, fã incondicional de livros filmes, séries e quadrinhos de ficção científica, fantasia e aventura

www.wattpad.com/search/Gilson%20Luis%20da%20cunha

Não existem dois autores com o mesmo processo criativo. Para falar a verdade, muitas vezes, um mesmo autor não repete o mesmo processo duas vezes. Por isso foi com curiosidade que li O Ninho e Outras Histórias Fantásticas, uma coletânea de contos de horror de Simone Saueressig. Conheço seus trabalhos no campo da ficção científica e já tinha lido pelo menos um conto de horror da autora, o excelente O Orquidófilo, em minha modesta opinião, a melhor história de horror gótico da antologia Vampiros, publicada pela editora Avec.

A atmosfera dos contos de O Ninho é claramente inspirada em Lovecraft. Neles encontramos o medo e a loucura se insinuando sutilmente, levando os personagens, meros mortais, a extremos, enquanto se descobrem impotentes contra o caos e a selvageria que lhes invade as vidas. Mas engana-se quem espera pelo mesmo ritmo em todos os contos. Eles são bem diversos entre si e apresentam em comum apenas o fato de terem todos sido escritos durante os anos em que a autora viveu na Espanha. Essa influência se faz sentir na ambientação das histórias e, até, na construção de algumas frases que, mesmo em português, trazem um certo sabor hispânico.

O primeiro conto, A Fluorescência, começa sutil, mas avança como um soco vindo de parte alguma, um ataque brutal do desconhecido, que não se detém nem mesmo diante da inocência de uma criança. O Ninho, o conto que dá nome à coletânea, é um engenhoso exercício sobre a alienação e a loucura, com um final surpreendente. Não quero dar spoilers, mas A Partida, mesmo sem usar elementos da mitologia de Lovecraft, consegue transportar o clima dos contos do mestre do horror para os dias de hoje, ao narrar a história de irmãos que viajam pelo interior da Espanha, até que se deparam com uma antiga igreja medieval envolta em mistérios ancestrais.

Há leitores vorazes que gostam de pular de livro em livro sem cerimônia. Eu não sou um deles. Por isso, li esse livro sem pressa, curtindo as sutilezas de cada um deles. Afinal, ler um bom livro com pressa é como entrar no restaurante de um grande chef e comer com se estivesse num fast food. Não faz o menor sentido. Mas cada leitor é um universo. Se for o caso, deixe-se levar pelo impulso de ler tudo de uma vez. De qualquer modo, esse livro é uma experiência envolvente e valerá cada segundo de seu tempo. Vida longa e próspera e até domingo que vem.


Jornal de Gramado
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