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Publicado em 11/12/2014 - 08h42
Última atualização em 11/12/2014 - 09h06

Malala e o indiano Satyarthi recebem o Prêmio Nobel da Paz

Malala já recebeu vários prêmios, foi convidada para visitar a Casa Branca, o palácio de Buckingham e discursou na ONU

AFP

Foto: AFP
A adolescente paquistanesa Malala Yousafzai recebeu nesta quarta-feira, em Oslo, o Prêmio Nobel da Paz e, aos 17 anos, se tornou a pessoa mais jovem a obter a honraria, que dividiu com o ativista indiano Kailash Satyarthi, líder da luta contra o trabalho infantil.

"Vou continuar com esta luta até ver que todas as crianças podem frequentar a escola", disse Malala, uma defensora do direito à educação das mulheres, que virou símbolo mundial depois de sobreviver milagrosamente a um ataque armado dos talibãs.

Em 9 de outubro de 2012, os talibãs interceptaram um ônibus escolar no vale de Swat, onde Malala nasceu, e atiraram contra a cabeça da adolescente, acusada de profanar o islã.

'Uma jovem e um homem de mais idade, uma paquistanesa e um indiano, uma muçulmana e um hindu, ambos símbolos do que este mundo precisa: unidade, fraternidade entre as nações", declarou o presidente do comitê do Nobel, Thorbjoern Jagland, antes de entregar o prêmio na prefeitura de Oslo. Malala já recebeu vários prêmios, foi convidada para visitar a Casa Branca, o palácio de Buckingham e discursou na ONU. Também escreveu sua autobiografia.

Na terça-feira, a adolescente afirmou que não pretende ficar parada e que sonha, um dia, ser primeira-ministra do Paquistão. "Se puder servir ao meu país da melhor forma por meio da política, virando primeira-ministra, então definitivamente escolheria isto", disse ao canal BBC.

No mundo, 57,8 milhões de menores de idade não estudam e precisam de vozes de defesa, especialmente as 30,6 milhões de meninas afetadas. "Meu sonho é que meu país vire um país desenvolvimento e que todas as crianças recebam uma educação", afirmou.

Luta contra o trabalho infantil

Minutos depois de Malala receber o prêmio, um homem com uma bandeira mexicana tentou se aproximar da jovem, mas foi impedido por seguranças. Pela primeira vez desde a tentativa de assassinato, o uniforme escolar que a adolescente usava no momento do atentado será exposto, com as manchas de sangue, no Centro Nobel de Oslo esta semana.

Duas colegas de turma que também ficaram feridas no atentado viajaram a Noruega para acompanhar a cerimônia de entrega do Nobel da Paz, que acontece na prefeitura de Oslo, na presença do rei Harald.

Menos conhecido pelo grande público, o indiano Satyarthi luta desde 1980 para retirar milhares de crianças indianas do trabalho em fábricas, em regimes de quase escravidão.

"Me nego a aceitar que o mundo é muito pobre (para que as crianças estudem), quando apenas uma semana de gastos militares mundiais bastaria para colocar todo os nossos filhos em sala de aula", disse Satyarthi.  "Quando uma só criança corre perigo, todo o mundo corre perigo. Quando uma criança não pode ter acesso à educação, todos ficam sem luz, na minha opinião", afirmou o indiano, de 60 anos, na entrevista coletiva ao lado de Malala.

A organização criada por Satyarthi, Bachpan Bachao Andolan (Movimento para Salvar a Infância), afirma ter libertado 80.000 crianças que trabalhavam em fábricas e oficinas.

Apesar da redução de um terço no número de crianças que trabalham em todo o planeta desde 2000, o número de menores explorados chega a 168 milhões, segundo Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Em Estocolmo, o rei da Suécia, Carl XVI Gustaf, entregou o Nobel de Literatura ao escritor francês Patrick Modiano, e o prêmio de Economia ao também francês Jean Tirole. "Estes dois prêmios Nobel são um orgulho para a França. É muito importante que o governo esteja presente nesta cerimônia", disse à AFP a secretária francesa de Pesquisa, Geneviève Fioraso.

O Nobel de Química foi entregue aos americanos Eric Betzig e William Moerner e à alemã Stefan Hell, enquanto o prêmio de Medicina foi para o pesquisador britânico-americano John O'Keefe e para os noruegueses May-Britt e Edvard I. Moser. Todos receberam uma medalha de ouro, um diploma e um cheque de oito milhões de coroas suecas (857.000 euros). 

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