
Novo Hamburgo - O período do carnaval traz consigo um clima de festas, viagens e animação. Em meio a esse ambiente de alegria, é necessária uma dose extra de responsabilidade para que outros tipos de contaminação não estraguem o momento. A Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Rio Grande do Sul – Sogirgs faz um alerta: o carnaval exige cuidados redobrados com as Doenças Sexualmente Transmissíveis, especialmente o HPV – papilomavírus humano, que pode ser transmitido através de relação sexual sem proteção ou contato direto com a pele infectada.
Segundo a médica ginecologista Aline Cesa, da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Rio Grande do Sul, existem diversos tipos de HPV e alguns estão diretamente relacionados com o aparecimento de câncer de colo de útero.
Dados do Instituto Nacional do Câncer comprovam que a infecção pelo HPV é muito comum – estima-se que cerca de 25% das brasileiras estejam infectadas pelo vírus. Apesar de somente uma pequena fração delas – entre 3% a 10% - desenvolver o câncer de colo de útero, estudos comprovam que, no mundo, 50% a 80% das mulheres sexualmente ativas serão infectadas por um ou mais tipos do HPV em algum momento de suas vidas.
Elas não são as únicas vítimas
Apesar de o câncer de colo de útero ser uma doença exclusivamente feminina, o HPV também pode contaminar os homens. Neles, as lesões se assemelham às mulheres, e podem ser clínicas (visíveis a olho nu) ou subclínicas (vistas somente com aparelho de aumento). “A grande discussão em torno do HPV é o fato de estar amplamente relacionado com o câncer de colo uterino. Tanto o homem quanto a mulher possuem a mesma chance de eliminar o vírus. O perigo se encontra no fato de que um parceiro com lesão subclinica (não visível a olho nu) ou em local não típico, como no interior da uretra, pode transmitir o vírus à sua parceira sem que ela saiba ou veja e, no futuro, até desenvolver um câncer de colo uterino”, alerta a Aline Cesa.
Formas de combater o vírus
O HPV, além de eliminável pelo organismo, pode ser curado através de tratamento. Atualmente, existem inúmeras formas de combater o vírus: aplicação de pomadas e soluções no local de lesões; tratamentos imunológicos, que aumentam a imunidade do organismo da paciente, diminuindo a carga viral e a ação do HPV; e ainda tratamentos cirúrgicos, como biópsia e aplicação de lasers de CO2. Ainda assim, a prevenção é a única maneira de evitar o vírus. Usar sempre camisinha durante as relações sexuais é medida obrigatória para quem quer se proteger. Além disso, ter cuidados de higiene básicos também é importante, já que o HPV pode ser transmitido por vias não sexuais, ainda que esse tipo de contágio seja mais raro.