
Novo Hamburgo - Depois de ouvir ontem depoimentos de dois representantes da Caixa Econômica Federal sobre o caso do bolão da Mega-Sena não registrado pela Lotérica Esquina da Sorte, o delegado da 2.ª Delegacia de Polícia Civil de Novo Hamburgo, Clóvis Nei da Silva, aguarda pela relação feita pela lotérica com os nomes dos integrantes da aposta conjunta e segue acreditando que trata-se de um estelionato. Para hoje estão previstos mais dois depoimentos. O inquérito policial deve ser concluído até o próximo dia 22.
Na tarde de ontem, o advogado Cláudio Rodrigues Neto, que defende o proprietário da lotérica, José Paulo Abend, 49 anos, colocou à disposição da Polícia o sigilo telefônico do empresário e o computador com as imagens onde a funcionária Diane Samar da Silva, 21, aparece ao lado de uma colega conferindo se realmente tinha feito os jogos.
Neto solicitou também que o delegado entregue cópias do inquérito. "Foi uma fatalidade e por isso não temos nada a temer", disse o advogado de Abend. Já o advogado dos quatro funcionário da lotérica, Jacson Simon, pretende ajuizar ação contra a Caixa Econômica Federal entre amanhã e quarta-feira. O mesmo procedimento será realizado pelo advogado de alguns dos apostadores.
Quina "quase" sai de novo
Depois do bolão não registrado na Esquina da Sorte, uma confusão fez com que a Lotérica A Papagaia anunciasse que a Quina da Mega-Sena teria saído pela segunda vez consecutiva para Novo Hamburgo. Tanto que a notícia foi festejada com cartazes colados na vitrine do local. Entretanto, a Quadra saiu para outra lotérica da cidade. No concurso de sábado passado, três moradores da região (Taquara, Canoas e São Leopoldo), faturaram, cada, R$ 24.207,80.
ENTENDA O CASO
- No sábado, dia 20, 35 a 40 clientes da Lotérica Esquina da Sorte, Centro de Novo Hamburgo, apostaram um mesmo jogo no bolão da Mega-Sena, do concurso 1.155
- Ao conferir os números divulgados pelo Jornal ABC Domingo, alguns apostadores descobriram que eram os novos milionários da região, mas logo depois constataram que os seus jogos não teriam sido registrados na central de apostas da Caixa
- O caso se tornou público depois que os apostadores foram surpreendidos pela Caixa Econômica Federal, que acumulou o prêmio da Mega-Sena
- Na quarta-feira passada, a funcionária da lotérica admitiu ter se esquecido de validar o bolão dos apostadores e a defesa do dono da lotérica entregou um vídeo à Polícia que comprova a ação da funcionária
- A Polícia não descarta a possibilidade de estelionato por parte do dono da lotérica, que se diz inocente, além de também ser um dos apostadores do bolão