
Canoas - O escândalo do bolão da Mega-Sena "esquecido" em Novo Hamburgo refletiu nas lotéricas de Canoas. Na véspera do sorteio de mais um concurso, cujo prêmio acumulado irá pagar R$ 70 millhões, o movimento de apostas caiu consideravelmente. A proibição dos bolões e a desconfiança de alguns apostadores são alguns dos motivos apontados pelos proprietários das agências.
Dono de uma lotérica no Centro, Dairo Luz diz que a mídia generalizou o problema ocorrido. "Tem cliente que chega desconfiado e até xingando os nossos funcionários como se tivessem culpa de alguma coisa", desabafa. Como consequência imediata, aponta o abalo na credibilidade do sistema e a questão financeira com a queda nas apostas.
Ele acredita que a situação de Novo Hamburgo foi causada por uma falha humana e, apesar de não ter havido má fé, refletiu em toda a rede de lotéricas credenciadas pela Caixa. Mesmo admitindo que seu estabelecimento fazia bolões, considera que cada loja tem um modo de trabalhar. Para ele, a modalidade era uma forma de favorecer as pessoas de menor poder aquisitivo. "Era um jogo maior e com mais chances de ganhar", justifica.
CLIENTES - Mesmo assim existem clientes fiéis que continuam fazendo as suas apostas. A consultora Shirlei Dembinski fez suas apostas na Mega-Sena na manhã de ontem. Disse que vai continuar jogando. "Se tivesse bolão eu compraria, porque confio na lotérica", garante. Já a dona de casa Maria Romilda Machado prefere fazer o jogo individual. "Sempre comprava bolões, agora não quero arriscar", afirma. O aposentado Paulo de Oliveira também tem a mesma opinião. "Já até tirei alguma coisa, mas foi pouco", recorda.
O sorteio do concurso 1.157 da Mega-Sena acontece hoje, em Florianópolis. O valor estimado chega a R$ 70 milhões, segundo a Caixa Federal. O maior valor da história das loterias foi pago no concurso especial da Mega da Virada, de R$ 144,9 milhões, divididos entre dois apostadores.
Delegado quer a lista de apostadores do jogo
O titular do caso do bolão da Mega-Sena, delegado Clóvis Nei da Silva, solicitou ao proprietário da Lotérica Esquina da Sorte, José Paulo Abend, uma lista com nome e telefone de todas as pessoas que compraram o polêmico bolão. A relação estaria com Abend, mas o delegado diz não ter acesso. "O número de 35 apostadores é muito relativo. Só vamos ter a quantidade real de pessoas que apostaram quando ouvirmos o depoimento delas",analisa.
O delegado também afirma que na próxima semana espera receber um posicionamento da Caixa Econômica Federal, para ver quem irá representar o banco na delegacia. Depois que todos forem ouvidos, inclusive alguns apostadores que ainda não foram chamados, o delegado pretende fazer uma acareação ou seja, colocar frente a frente alguns envolvidos para ver se há contradição nos fatos. A hipótese de estelionato não está descartada. Silva explica que só no final do inquérito, no dia 23 de março, poderá responder se houve ou não má fé.
A funcionária da Lotérica Esquina da Sorte Diane Samar da Silva, 21, não conseguiu comprovar se, de fato, havia comprado uma cota do polêmico bolão. Ela informou ao delegado que seu pai havia perdido o comprovante do jogo. Diane era responsável por registrar os jogos da lotérica e admitiu ter se esquecido da tarefa, o que foi comprovado pelas imagens captadas por câmeras no interior do prédio. (Colaborou Laura Píffero)
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luiz zimmer
Novo Hamburgo, 01/03/2010 às 09:15
A mídia não generalizou. Só falaram a verdade. Você em vez de falar essas besteiras, deveria apoiar o grupo de Novo Hamburgo, que foram lesados pela Caixa Econômica Federal e pela lotérica. Se isso acontecesse na China, esses (...) iriam para o paredão e ainda teriam que pagar as balas.
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