

Novo Hamburgo - Uma declaração conjunta, sem advogados ou interferência. Foi assim que sete apostadores do suposto bolão premiado da Mega-Sena definiram a reunião com a imprensa realizada na manhã desta quinta-feira. Depois de assistirem ao vídeo divulgado pelo dono da lotérica, que mostraria a funcionária percebendo o seu erro, os ganhadores questionaram a veracidade das imagens. "Só a polícia pode dizer se ele é verdadeiro", afirmou o motorista de táxi e participante do suposto bolão, Jadir Quadros, uma espécie de porta-voz do grupo na coletiva de imprensa. Um grupo de 22 pessoas ingressou com ação ação conjunta por danos morais e restituição de valores contra a
De acordo com Quadros, que diz ter se sentido milionário "só por cinco horas", um dos advogados teria lhe telefonado para participar da reunião. O grupo, no entanto, achou melhor apresentar-se sem a interferência de outras pessoas. O comerciante Jair Lorena, de 38 anos, questionou as declarações do dono da lotérica. Segundo Lorena, a casa lotérica não foi fechada por uma vontade do dono, e sim por resolução da Caixa Econômica Federal, após realizar sindicância. "Mas o responsável por nos pagar não é o dono da lotérica, e sim a Caixa", disse. "Queremos o prêmio integral".
Ainda não se chegou a uma confirmação do numero de apostadores. Segundo o comprovante recebido por Lorena, seriam 40 os que pagaram R$ 11 para participar. "Alguns não querem aparecer", esclareceu. 22 deles ingressaram em uma ação jurídica conjunta. Esse grupo, de acordo com Quadros, contratou seis advogados para atuarem no caso - quatro de Porto Alegre e dois de Novo Hamburgo.
Apostador assíduo, Lorena comprou o bolão no sábado, dia 20, em torno das 10 horas da manhã. No ano passado, em bolão de outra lotérica, ele ganhou uma pequena quantia, de uma quadra. "Não consigo dormir", disse ele, que acredita em falha humana como explicação para o caso. "Acordei hoje às 5 horas da manhã para ler o Jornal NH".
A dona de casa Noeli Wildner, de 65 anos, comprou o bilhete para o suposto bolão na sexta-feira, logo após o meio-dia. "Fui na lotérica para uma conta de telefone, e a moça me ofereceu", conta. Noeli teria perguntado ainda se seria a mulher do caixa que lhe pagaria. "Não, é garantia da Caixa Econômica Federal", teria sido a resposta. A dona de casa só ficou sabendo que quase ficou milionária na segunda-feira, quando leu o jornal. "Ganhei o bolão", disse ela, em sua casa. A filha perguntou: "E por que está chorando?".
O primeiro a entrar em contato com o Jornal NH sobre o fato foi o industrial Eudacir Baroni, de 61 anos. Ele telefonou às 8h30 de domingo para a redação e contou que havia ganhado na Mega-Sena. Desde então, o vendedor Paulo César Amaral afirmou ter virado motivo de chacota nas ruas. "É uma vergonha e nós queremos uma solução", disse. "Não acredito que o vídeo apresentado seja verdadeiro, acho que é uma armação".
Conversando com o repórter, durante a coletiva, a dona de casa Noeli perguntou: "Será que vai acabar em pizza? O que você faria no meu lugar?".
Foto: Luís Félix/GES