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Loterias - 25/02/2010 07h48
Atualizado em 10/04/2011 22h26

Em depoimento, dono de lotérica admite que bolões ficaram na gaveta

Veja vídeo que mostra a funcionária da lotérica desesperada quando se deu conta do erro.


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Sílvio Milani/ Da Redação

Foto: Sílvio Milani/ Da Redação
Em depoimento, dono de lotérica admite que bolões ficaram na gaveta
Em depoimento, dono de lotérica admite que bolões ficaram na gaveta

Novo Hamburgo  - O dono da lotérica Esquina da Sorte, José Paulo Abend, 49 anos, quer provar que não houve má- fé no episódio que deixou 40 apostadores sem os R$ 53 milhões do último concurso da Mega-Sena. Os números sorteados, conforme ele, não foram computados porque uma funcionária esqueceu três bolões na gaveta da máquina registradora. "Temos imagens do interior da lotérica, gravadas no sábado à noite, que mostram o desespero das funcionárias ao constatar a falha humana", salienta Abend, que ontem à noite entregou o DVD à Polícia. Para o advogado dele, Cláudio Rodrigues Neto, é a prova cabal de que não há crime. "Fica nítido que não houve intenção de fraudar os consumidores, nem a Caixa."

"Eu não sou estelionatário"

Quando e como o senhor ficou sabendo do problema?

José Paulo Abend - A Diane, minha funcionária responsável por registrar os bolões, havia comprado um para o pai e foi conferir no sábado à noite. Pai, estamos milionários. Ligou para outra funcionária, Fátima, que tem Internet em casa, para ver quantos ganhadores havia, e recebeu a informação de que o prêmio constava como acumulado. A Diane começou a chorar, apavorada, e me ligou.
Relatou que havia algo errado e pediu permissão para conferir na lotérica. Já tremi, tomei calmante. Imagina: sai uma Mega-Sena na minha lotérica e o volante não é registrado. Perto das 22 horas, entraram lá, acenderam as luzes e abriram o caixa. A menina entrou em estado de choque ao constatar que não passou três dos quatro bolões desse prêmio. Ficou em estado de choque.




O senhor também tem cotas desse bolão?

Abend - Eu tenho uma cota, assim como o pai da funcionária que esqueceu de passar. A Caixa Federal e a gráfica não têm nada a ver com isso.

O senhor é proprietário de quantas lotéricas?

Abend - Uma lotérica, a Esquina da Sorte, há cinco anos.

Como foi a compra da Esquina da Sorte?

Abend - Já existia. Comprei de terceiros. É uma lotérica idônea. Nunca teve esse tipo de problema.

A Esquina da Sorte já teve bolões premiados na quadra ou quina?

Abend - Quinas nunca houve, mas sim terno da quina, quadra da quina.
Isso recentemente?
Abend - Há três, seis meses. Sempre tem um prêmio. A gente fica com a lista das pessoas.

É verdade que há lotéricas que embolsam o dinheiro dos apostadores e não efetivam bolões?

Abend - Quem é o louco que vai bancar uma Mega-Sena para ganhar 200 reais de um bolão? Se fosse assim, por que os funcionários iam comprar? Nesse jogo eu podia ter ganho R$ 1,3 milhão.
O senhor se sente vítima?

Abend - Eu deixei de ganhar o dinheiro, vou ser processado, minha lotérica faliu, perdi clientes. Eu fui o maior prejudicado. A funcionária que seria beneficiada é um guria humilde, honesta. Ela pagou pelo jogo. E eu também.

Como o bolão não foi registrado?

Abend - O gerente abriu três bolões durante a semana e botou no caixa dela (funcionária). É só ela que passa, justamente para não haver a confusão. Aí no sábado, como teve saída de bolões, abriu mais um. Esse ela passou na hora, esqueceu dos três bolões, entre eles o que estava com a combinação de números premiada.

A Polícia cogita estelionato.

Abend - Eu não gostei dessa declaração do delegado, antes de me ouvir, antes das provas. Eu não sou estelionatário. Trabalho desde criança, tenho a ficha limpa. As imagens das funcionárias na lotérica, no sábado à noite, comprovam o pavor ao ver o erro. Entregamos um DVD para o delegado.
O senhor vai continuar com os bolões?
Abend - Não. Primeiro vamos ter que ver se a lotérica vai ser aberta.
O senhor pretende falar com os clientes para tentar um acordo?

Abend - Mas que acordo que vou fazer com eles? R$ 1,3 milhão. Falar o quê?

Algum apostador lesado já foi procurá-lo?

Abend - Já sofri ameaças de morte. Não sei como descobriram meu celular. Um ligou de um telefone sem identificação e avisou: Eu te conheço. Isso não vai ficar assim. É por medo que resolvi fechar a lotérica.
Mas ela não está lacrada?

Abend - Só as máquinas da Caixa Econômica Federal estão lacradas. Eu podia estar vendendo Mega-Sena, continuar com o bar, a tabacaria.

Pretende reabrir?

Abend - Ainda não sei.

Como o senhor vai se sustentar?

Abend - Está difícil. É meu único negócio. Tenho família, filhos.
O que mudou na sua vida com essa confusão?
Abend - Minha vida mudou completamente. Podia ter sido transformada pelo lado bom. Eu com R$ 1,3 milhão no bolso, uma faixa na frente da lotérica como única do Vale a ganhar esse prêmio, os clientes me abraçando. Mas ficou do avesso. Não dá para acreditar no que aconteceu. Tanto é que no Brasil está toda mídia em cima.

Como o senhor pensa em se defender nesse processo?

Abend - (Advogado Cláudio Rodrigues Neto responde) - Depende de qual seara. Se for na cível é um caminho e na criminal, outro. Vamos entrar com uma medida determinando que o fato seja atípico. O arquivamento do inquérito policial. Porque, a partir de todo esse conjunto probatório, se revela que na verdade houve um erro humano. Nada mais que isso. Houve um fato sim, mas que não tem repercussão na seara criminal. Houve um erro da funcionária, que não passou o bolão. Não teve dolo, não houve intenção de fraudar os consumidores, nem a Caixa. Na esfera civil vamos nos defender. Meu cliente não dispõe de patrimônio para honrar esse prejuízo. Não tem R$ 53 milhões.

Vídeo mostra desespero das funcionárias

A quarta-feira foi de depoimentos e coleta de provas que possam elucidar o que aconteceu com o bolão da Mega-Sena, sorteado no sábado, passado e que deixou 40 pessoas quase milionárias em Novo Hamburgo. Um vídeo da funcionária da Lotérica Esquina da Sorte Diane Samar da Silva, 21 anos, pode ser a principal prova contra a hipótese de estelionato. A gravação mostra Diane chegando no prédio sábado, às 21h20, desesperada para ver se realmente tinha feito os jogos dos bolões, função que só ela exercia há um ano. Diane foi ao local com a colega Fátima Schons, 19.

A funcionária se deu conta do erro porque seu pai também era um dos apostadores do bolão. Quando conferiu o jogo dele no sábado, viu que os números conferiam com os sorteados, mas no site da Caixa a informação era de que o prêmio tinha acumulado. Logo, ela lembrou que poderia ter deixado de registrar os bolões e correu para lotérica. Lá, constatou o esquecimento.

O vídeo foi assistido ontem pelo delegado do caso, Clóvis Nei da Silva, que também foi até a lotérica, acompanhado do proprietário e de seus advogados, entender o que ocorreu naquele dia e analisar os relatórios de apostas enviados pela Caixa. "Foi 100% erro humano", defendem os advogados da lotérica.
O delegado explica que o vídeo será anexado ao inquérito, mas a hipótese de estelionato só pode ser descartada quando todos os envolvidos no caso forem ouvidos e o inquérito for encerrado, daqui 30 dias. Ontem, além de José Paulo Abend, outros apostadores foram ouvidos. Hoje, a funcionária Diane é aguardada para depor.

Advogado pede arquivamento do inquérito

O advogado Cláudio Rodrigues Neto ingressou ontem à noite, no plantão judicial do Foro de Novo Hamburgo, com um habeas corpus para trancar o inquérito policial contra o cliente José Paulo Abend. "A medida sustenta que se trata de um fato atípico. O conteúdo probatório, com ênfase às imagens das funcionárias na lotérica, revela que houve um erro humano, nada mais que isso, sem qualquer repercussão na seara criminal. Por isso o inquérito deve ser arquivado." O defensor demonstra maior preocupação na área cível. "Meu cliente não dispõe de patrimônio para honrar esse prejuízo, que por sinal é dele também, pois é um dos apostadores. Ele não tem R$ 53 milhões."

Mega-Sena acumula e pode ir a R$ 70 milhões

Apesar das filas e do movimento intenso nas lotéricas ontem à tarde para apostar na Mega-Sena, o prêmio de 61 milhões acumulou mais uma vez e pode chegar a R$ 70 milhões. Na lotérica A Papagaia, a gerente Elisete Silva Lucena diz que, em função de ser a mais próxima da lotérica Esquina da Sorte, que foi fechada, o movimento tanto para pagar contas quanto para apostar aumentou. O vendedor Gavilan Vargas diz que em bolão ele não joga, mas a sua aposta não vai deixar de fazer. "Se ganhasse um prêmio ajudaria quem é da minha família e quem não é, essas pessoas que passam fome pelo mundo" planeja.

Foto: reprodução






16 Comentários
LPD
Novo Hamburgo, 27/02/2010 às 21:26
É facil ofender depois do acontecido. Ninguém estava e nem está na pele das pessoas envolvidas no caso. Já pensou se as pessoas envolvidas se ofendessem com os comentários? Quanto dano moral vai ter.
bernardo
Novo Hamburgo, 25/02/2010 às 13:54
Comentário bloqueado por não estar de acordo com as regras do site.
bernardo
Novo Hamburgo, 25/02/2010 às 12:59
Comentário bloqueado por não estar de acordo com as regras do site.
Roselena
Novo Hamburgo, 25/02/2010 às 12:50
Se não ganharam é porque não era pra ser. Só Deus sabe. Agora, já não é de hoje o péssimo atendimento desta lotérica. Justiça foi feita. Atendem mal, as meninas ficam de trololó e nem dão bola pro cliente. E se o proprietário fosse alguém que valorizasse o cliente, não contrataria pessoas incompetentes
Fabio
São Leopoldo, 25/02/2010 às 12:00
Não sei exatamente se o vídeo mostra o desespero ou irá confirmar algum tipo de má fé. É só notar no início do vídeo que ela entra com um papel na mão, pega a chave da gaveta e depois coloca este mesmo papel na gaveta e parece que é neste ponto que começa a cena do desespero. É bem estranho...
LUIZ ZIMMER
Novo Hamburgo, 25/02/2010 às 11:29
Comentário bloqueado por não estar de acordo com as regras do site.
suel
Novo Hamburgo, 25/02/2010 às 11:03
Nao coloquem a culpa só na funcionária porque é meio desumano o movimento nas lotéricas, são filas intermináveis quase o dia inteiro. Houve falha do gerente que não verificou a validação do bolao e do dono por nao conferir se estava tudo ok no final do dia porque a lotérica e sua responsabilidade.
tati
Novo Hamburgo, 25/02/2010 às 10:35
brasil né, sempre a corda arrebenta no lado do mais pobre, pra eu não responder pelos meus erros q tambem é meu eu boto a culpa no ( inocente), o certo não era o propietario conferir no final do dia os lançamentos dos caixa das funcionarias com elas.
ROQUE
Novo Hamburgo, 25/02/2010 às 10:02
Nada mal embolsar o valor de 3 bolões!!isso da um salário e tanto no final do mês! são inocentes!!!essa é boa.
Adailson - EX-NH
Pelotas, 25/02/2010 às 10:00
A pergunta que não quer calar... se foi erro humano...vamos imaginar uma situação : Se a funcionária jogasse agora de novo, sozinha, o valor que acumulou em 70 milhoes e ganhasse... será que ela pagaria os 53 milhoes dos outros e ficaria com a diferença de 17 milhoes...??? hehehehe
sandra silva
Novo Hamburgo, 25/02/2010 às 09:46
Acho que não é responsabilidade da caixa, porque todos sabem que jogo de bicho, etc. não é legal. Também os funcionários e dono da lotérica não são funcionários da caixa concursados, é responsabilidade do dono da lotérica. E o gerente da lotérica não ajuda a fiscalizar as atividades da lotérica?
ALICI
Novo Hamburgo, 25/02/2010 às 09:21
... ??? .... Como fecharam o caixa da empresa? não tem livro caixa?
berenice a trelha do
Novo Hamburgo, 25/02/2010 às 09:11
não importa de quem foi o erro, o importante é que os apostadores foram prejudicados e devem ser indenizados.
rosy
Novo Hamburgo, 25/02/2010 às 09:06
antes mesmo deste cara depor eu já havia comentado que ele iria colocar a culpa num funcionário, pra mim não é novidade nenhuma. É lógico que ele tá tirando o dele fora, a coitada da funcionária precisa do emprego então...acho que estes videos tem que serem bem analisados.
Eduardo Emerich
Novo Hamburgo, 25/02/2010 às 08:38
Isso que dá deixar pra fazer as coisas depois. No momento que foi aberto o bolão já devia ter sido registrado. O que são R$ 440,00 pra lotérica bancar se não vender? Tudo isso podia ter sido evitado. É o tipo de coisa que não pode "deixar pra depois". Sou apostador há 3 anos e não queria estar nessa.
Ricardo
Novo Hamburgo, 25/02/2010 às 08:36
E culpa e sempre do estagiário...Não existe controle de caixa nesta lotérica?? Não sabem o que entra e o que sai de R$?? Este video não prova nada..
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