

Santa Catarina - Essa reportagem poderia começar explicando para vocês a sensação maravilhosa que é estar a poucos metros de distância de um dos mamíferos mais lindos do mundo, mas vai ser difícil. Sim, claro que eu vou fazer isso, aliás é essa minha missão, e foi para escrever essa reportagem que passei o último final de semana, dias 14 e 15 de julho, na Praia do Rosa, em Santa Catarina.
Mas tenho uma coisa primordial para dizer antes de tudo: para sentir, só vivendo. Poucas coisas são tão sensacionais quanto estar a poucos metros de distância de um animal de 60 toneladas e 18 metros. A temporada de baleias francas está aberta e a hospitalidade da Praia do Rosa a sua espera. Prepare-se para viajar.
Para quem nunca ouviu falar, ou ouviu e nunca teve o privilégio de vivenciar, tem até meados de novembro para experimentar a delícia de espetáculo que a natureza prepara: as baleias francas no mar do Rosa. São 130 quilômetros de preservação, devidamente regulamentados pelo Ibama que rodeiam a Praia do Rosa, na cidade de Imbituba e as praias do município de Garopaba.
No último sábado o primeiro passeio oficial de barco na costa catarinense juntou alguns turistas e jornalistas do País para mostrar em três horas de passeio o quanto a natureza pode ser linda se for respeitada e preservada. Para começar todo mundo que trabalha no Instituto Baleia Franca (IBF) é apaixonado pelo que faz, lá na praia, são as baleias que mandam. O passeio dura em torno de três horas, o melhor horário para vê-las é pela manhã.
O tur deve ser agendado e custa 90 reais de segunda a sexta-feira por adulto e 70 reais para criançasde 5 a 10 anos, nos sábados, domingos e feriados o preço sobe para R$ 140,ou R$ 120 se for mais de uma pessoa. Nesses dias crianças pagam 90 reais. Quem for vai poder ter a certeza de que vale a pena cada centavo investido. O presidente do IBF e dono da empresa de Turismo Vida, Sol e Mar, Enrique Litman resume. “Somos o único lugar para observação de baleias do País, no mundo podem existir embarcações iguais, mas não melhores.”
O passeio
O passeio sai da praia de Garopaba, passa pela Vigia, Praia da Silveira, Ferrugem, Barra, Ouvidor, Praia Vermelha, Praia do Rosa, Luz e Barra da Ibiraquera.O ideal é ir de tênis e uma calça curta, pois antes de entrar no barco é preciso tirar o calçado e molhar um pouco os pés até chegar no barco. Todos os turistas recebem capa de proteção e coletes salva-vidas. O barco possui biólogo a bordo que vai indicando o caminho percorrido, junto com o comandante do barco.
No último final de semana foram avistadas seis baleias, sendo que uma era filhote. A média de mamíferos vistos por temporada fica entre 100 e 200 animais, o que pode variar muito. A bióloga coordenadora do IBF, Mônica Pontalti, acredita que a expectativa para esse ano é de ótimas observações e que a possibilidade de não se ver nenhuma baleia em um passeio é zero. Mas o presidente do IBF Enrique Litman explica. “A água é o habitat delas, nós respeitamos a vontade das baleias, se elas não se sentirem a vontade não chegarão muito perto do barco e nós vamos respeitar isso” . Quem organiza esse passeio é a operadora de Turismo Vida, Sol e Mar, licenciada pelo Ibama e reconhecida pela Embratur.
Mamíferos gigantes
Para entender melhor o porquê das baleias francas estarem em Santa Catarina explicamos. Elas chegam na orla catarina em meados de junho e julho para se refugiarem dos rígido inverno da Antártica. Elas usam o litoral para fazerem o acasalamento e também parirem seus filhotes. Esse turismo de observação de baleias atrai cerca de 10 milhões de pessoasno mundo e movimenta mais de R$ 2 bilhões por ano.
Instituto Baleia Franca
Para conservar toda essa riqueza um grupo de apaixonados por esses mamíferos comanda o Instituto Baleia Franca (IBF), uma ONG sem fins lucrativos que promove projetos na área de educação ambiental, pesquisas científicas e turismo sustentável. “Atingimos hoje 100% das escolas de Garopaba e buscamos com as crianças preservar não só a espécie das baleias francas, mas toda a vida marinha”, explica a bióloga Mônica Pontalti.
Estudos computadorizados do IBF conseguem hoje ter um banco de dados e imagens muito avançado sobre as baleias. O instituto se sustenta com a verba da Operadora de Turismo Vida, Sol e Mar que repassa 5% do valor arrecadado com os passeio de barcos para observação de baleias, ao IBF.