Futebol - 05/09/2010 12h30
Atualizado em 10/04/2011 22h29

O declínio da força na Serra: o juventude ladeira abaixo!

Desde a fundação, no dia 29 de junho de 1913, esse é o momento mais delicado na história do Ju.


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José Diehl/Da redação

Foto: José Diehl/Da redação
O declínio da força na Serra: o juventude ladeira abaixo!
O declínio da força na Serra: o juventude ladeira abaixo!

Novo Hamburgo  - Quem te viu e quem te vê! O Juventude, campeão gaúcho, da Série B do Brasileiro e da Copa do Brasil, clube que durante 13 anos se manteve na elite do futebol brasileiro, está a um passo da última divisão nacional. O encontro com o fundo do poço pode ser hoje, a partir das 16 horas. Só a vitória interessa aos caxienses contra a Chapecoense, no Estádio Alfredo Jaconi, pela penúltima rodada da primeira fase do grupo D do Campeonato Brasileiro da Série C. Lanterna, com quatro pontos em seis jogos, além de ganhar hoje tem que derrotar o Criciúma na última rodada, em Santa Catarina, para não amargurar a pior decepção na sua história de 97 anos. Até agora, o time gaúcho não venceu nenhuma partida. Foram quatro empates e duas derrotas. Como se vê, a missão não é nada fácil.

Desde a fundação, no longínquo 29 de junho de 1913, esse é o momento mais delicado na história do Ju. Nas três principais conquistas, foi fundamental o apoio da multinacional italiana Parmalat. A falta de um patrocinador forte também colaborou para esse declínio. Depois de conviver com os grandes do nosso futebol, os últimos anos foram de decadência para o clube da Rua Hércules Galló, no Centro de Caxias do Sul. Veio a queda do Brasileirão da Série A para a Série B e, depois, para a C. Se confirmada a queda para a D, mais o time esmeraldino não cairá, pois não existe a Série E.

LOURUZ E FLÁVIO
Foi sob o comando do técnico Walmir Louruz, gaúcho de Porto Alegre, que o Juventude conquistou a sua maior glória, a Copa do Brasil de 1999, título que possibilitou a disputa da Copa Libertadores da América do ano seguinte. Aos 66 anos, Louruz lamenta o momento do time que ele se considera um torcedor. ‘‘Eu acompanho muito o Juventude e lamento o que está acontecendo no clube em que eu encerrei a minha carreira de jogador e comecei a de treinador’’, explica o hoje morador de Caxias do Sul. Para ele, a queda vertiginosa do Ju tem uma explicação: ‘‘É inacreditável, mas tudo aconteceu por força da desunião de todos no clube’’. Louruz acha que, nos últimos anos, a crise começou de cima para baixo.

Outro que está triste com o péssimo momento alviverde é o técnico Flávio Campos, 45 anos. Ele foi o jogador que levantou a Copa do Brasil no histórico 27 de junho de 1999. ‘‘Eu lamento que isso possa acontecer, pois até hoje tenho um vínculo muito grande com o Juventude. Vejo com muita tristeza. Gostaria que ele ainda estivesse na Série A, pois é um clube que eu gosto muito’’, destaca Flávio que defendeu a equipe durante cinco anos. ‘‘Encerrei a carreira de jogador e depois comecei a de técnico no próprio Juventude’’, recorda o hoje treinador do Sampaio Correa do Maranhão, que disputa a Série C do Brasileirão. Flávio foi convidado para assumir o lugar de Osmar Loss, demitido no mês passado. No entanto, acabou indo para o Nordeste e o Ju contratou Beto Almeida, que estava no Pelotas.

O lamento de Lauro

Ninguém vestiu a camisa do Juventude mais do que ele. O volante Lauro começou a sua história no time esmeraldino no dia 28 de maio de 1991, em um amistoso contra a Associação Atlética Ortopé, com vitória por 2 a 1. Ele tinha 17 anos e entrou durante o decorrer da partida, escalado pelo técnico Hélio dos Anjos. Foram 17 temporadas defendendo o Ju, num total de 571 jogos. A despedida de Laurinho Guerreiro, como é chamado pela papada, foi no dia 10 de julho num amistoso com o Grêmio e que terminou empatado por 2 a 2. Disputou apenas os primeiros 15 minutos do jogo e foi substituído com aplausos e festa do seu povo. O volante de 37 anos entrou em campo com uma camisa comemorativa.

O ex-capitão do Ju também está triste com a situação do seu ex-time. ‘‘Infelizmente o clube entrou em decadência nos últimos anos. A gente sempre colhe na vida o que se planta. Tudo isso é fruto de administrações mal sucedidas’’, salienta. Ele acrescenta: "O Juventude precisa se encontrar como clube para voltar a ter a força que sempre teve. Foi na simplicidade que sempre foi forte. Não nasceu grande. Não foi o orgulho que fez o clube crescer, mas sim a humildade’’.

Em três passagens pelo Juventude, o gaúcho de Alegrete atuou nas campanhas dos três grandes títulos da história do clube. Durante a sua carreira, defendeu ainda o Paulista de Jundiaí (SP), Palmeiras, Grêmio e Ulbra. No Ju, foram 235 vitórias, 151 empates, 185 derrotas, 26 gols e 18 expulsões do volante.

Tags/ palavras-chave:
Grêmio , Ulbra , Inter , Libertadores , Futebol , Juventude





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