Economia - 05/02/2012 15h07
Atualizado em 05/02/2012 15h09

Argentina estuda novos controles sobre importações brasileiras

Quem deseja exportar bens para país vizinho precisa apresentar declaração.


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Agência EFE

Argentina  - A secretária de Comércio Exterior da Argentina, Beatriz Paglieri, se reunirá nesta segunda-feira com sua colega brasileira, Tatiana Prazeres, para analisar o impacto dos novos controles às importações impostos por Buenos Aires no comércio bilateral.

Segundo o site oficial do governo argentino, a reunião será realizada em Buenos Aires e as secretárias analisarão os alcances do sistema de declaração antecipada das importações, que entrou em vigor na Argentina no último dia 1º.

O novo regime exige que aqueles que desejam exportar bens de consumo para a Argentina apresentem uma declaração antecipada de importação, que será analisada por diferentes organismos estatais que validarão a operação em um prazo de três a dez dias.

Em janeiro, ao anunciar a implementação deste regime, o governo argentino argumentou que, em um contexto de crise global, sua "prioridade" é manter este ano um superávit comercial de US$ 10 bilhões mediante políticas de acompanhamento das importações e incentivos à produção nacional.

Mas a medida despertou polêmicas entre os parceiros da Argentina no Mercosul, tanto entre representantes governamentais como em dirigentes industriais do Brasil, Paraguai e Uruguai.

Por esta razão, na última quinta-feira, o presidente da Federação de Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, viajou a Buenos Aires para se reunir com autoridades argentinas e analisar o impacto que a medida poderia ter nas exportações brasileiras.

A Fiesp, maior empregadora do Brasil, argumenta que a declaração antecipada de importações pode afetar 74% dos produtos que o Brasil exporta para a Argentina que, segundo Skaf, é "um importante parceiro comercial e vizinho", com o qual "é preciso buscar soluções amigáveis e criativas".

Na última quarta-feira, Tatiana Prazeres admitiu que o Governo Federal "acompanha com preocupação o assunto" e se mantém "em contato permanente com o setor privado", a fim de estabelecer o impacto real dessas novas medidas.

Neste contexto, o governo de Cristina Kirchner insiste na necessidade de equilibrar suas trocas deficitárias com o Brasil, seu maior parceiro comercial.

Segundo dados do Ministério de Indústria argentino, em 2011 o déficit no comércio com o Brasil foi de US$ 5,8 bilhões.

De acordo com a Argentina, foi detectado um universo de 436 itens tarifários de manufaturas de origem industrial que o Brasil importa do mundo todo por US$ 37 bilhões, dos quais apenas US$ 6,1 bilhões são importados de seu país.

Por isso, considera que existe um "potencial" de US$ 31 bilhões de compras que o Brasil poderia fazer na Argentina.






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