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20 de Fevereiro de 2012 - 16h02

Resenha: Os Descendentes

Por Ulisses da Motta Costa

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OS DESCENDENTES (The Descendants, EUA, 2011). Direção de Alexander Payne. Roteiro de Alexander Payne, Nat Faxon e Jim Rash, baseado no livro de Kaui Heart Hemmings. Com George Clooney, Shailene Woodley, Amara Miller, Nick Krause.

Ter Os Descendentes como um dos favoritos a alguns Oscars é a prova cabal de que a temporada 2011 de Hollywood foi imensamente fraca. Não, o filme não ruim, pelo contrário -- porém, está longe de ser brilhante, de algo que fosse merecedor de prêmios.

Esta comédia dramática se passa no Havaí, onde Matt King (George Clooney) está às voltas com dois problemas sérios. Um deles é um acidente que põe a sua esposa em coma; o segundo é a venda de uma grande área de terras da sua família, com vários primos interessados no dinheiro que a transação gerará. No meio do furacão, o protagonista precisa cuidar das duas filhas, a adolescente geniosa Alexandra (Shailene Woodley) e a pequena Scottie (Amara Miller) -- quando descobre um segredo referente à sua mulher.

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A composição para uma boa comédia dramática está ali. Afinal, o diretor Alexander Payne é especialista no gênero -- é dele o ótimo Sideways - Entre Umas e Outras. No entanto, as duas pontas da narrativa (a comédia e o drama) não se costuram em Os Descendentes. A veia dramática funciona muito bem, graças especialmente a George Clooney, que compõe um personagem contrito, que tem flagrantes dificuldades em lidar com o que acontece à sua volta. É uma caracterização do ator com a qual não estamos acostumados. Em contraponto a ele, temos a jovem Shailene Woodley, com atuação segura da filha adolescente convicta e resoluta.

Se os dois são os destaques dramáticos, quando o filme pula para a comédia ele resvala, e às vezes resvala feio. O alívio cômico do personagem Sid (Nick Krause) é deslocado e quase sempre idiota. Aliás, o personagem em si é inútil. As tentativas de fazer rir sempre destoam com as atuações contidas dos seus personagens, o que deixa a narrativa frouxa.

Apesar das belas locações havaianas (aliás, a abordagem que o filme faz da cultura do 50o estado dos EUA é muito interessante), não é o tipo de filme que valha a pena ser visto no cinema, talvez sendo mais apropriado para o formato de home video. E certamente está longe de ter um roteiro que justifique o favoritismo para o Oscar da categoria.

Acompanhem a cobertura do Oscar no Twitter do Sétima das Artes: @setimadasartes 

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