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06 de Fevereiro de 2012 - 21h01

Quando o amor não tem fim

Por Patrícia Spindler

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Depois de assistir, na mesma semana, Minha tardes com Margueritte e Conto Chinês, garanti minha temporada de bons filmes com o excelente Late Bloomers – O Amor Não Tem Fim. Com direção de Julie Gravas, estreou no fim do ano passado, com dois maravilhosos e conhecidos atores, Isabella Rossellini e William Hurt. É uma história especial para pessoas que estão às voltas dos 60 anos, mas interessante para todos que apreciam um excelente drama e romance sem dramalhões. Também para aqueles que pensam no seu modo de viver e de envelhecer com lucidez e cuidados com a saúde física e mental.
Um casamento de 30 anos, filhos criados, carreiras estabelecidas, aprendendo a conviver com a tão aguardada ou temida aposentadoria. A hora mais esperada por muitos, que passam muito tempo vivendo para chegar este momento, nem sempre ocorre como o sonhado. As mudanças que a idade traz precisam ser contabilizadas e levadas a sério, ainda que para isto seja necessário uma boa dose de humor. Pois as pessoas com 60 ou mais tem vivido importantes paradoxos. Alguns se acham velhos, impedindo-se de experimentar novas situações e provocando um fechamento para a vida. Outros evitam tudo que indique este caminho, fazendo uma espécie de negação da realidade que vem mudando com o passar do tempo. Como diz o chefe de Adam, personagem de Hurt: “envelhecer é pra macho!”, em um tom de brincadeira evidenciando os obstáculos deste processo.
Mas para um casal que cultivou o amor, o respeito, a admiração e que chega a conseguir estabelecer uma comunicação com olhares porque se conhece o suficiente para isto, e não simplesmente sai achando saber tudo sobre o outro, as coisas podem ser diferentes. O roteiro não evita o sofrimento, o afastamento e as dúvidas vivenciados pelos protagonistas e seus familiares, mas também não desconsidera todo afeto construído até ali.
Um belo filme que mostra o que temos pouco visto não apenas nas telas, mas também no filme das vidas que assistimos de perto. Um amor que se preserva porque não se esquiva do amadurecimento se pensando e se enfrentando de maneira generosa e afetiva.

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