Canoas - A cada competição, o mesmo drama. Além dos rivais no tatame, Renan Nunes, 24 anos, era obrigado a enfrentar outro adversário, este, implacável: a balança.
Com a obrigação de perder peso para se enquadrar nos até 90 quilos da categoria médio, o judoca canoense acabava lutando longe da condição física ideal, com
sua forças limitadas. Cansado da situação, o atleta, com a aprovação de seus técnicos na Sogipa, decidiu subir de categoria, passando a lutar entre os meio-pesados, cujo limite de peso é 100 quilos. A idéia, que vinha sendo amadurecida, ganhou corpo durante os desafios internacionais que a equipe porto-alegrense fez contra as seleções da Colômbia, Chile e, principalmente, Cuba.
Competindo entre os meio pesados, fez uma grande luta contra o cubano Oreidi Despaigne, top ten do ranking mundial e uma espécie de pedra no sapato do campeão mundial Luciano Corrêa, que também luta nesta categoria. "Foi uma opção minha.
Perder peso me desgastava muito. Não conseguia ter uma recuperação boa",
explica. Neste primeiro momento, explica, o foco será na preparação física,
já que a exigência, principalmente na questão força, será muito maior.
Momento é de adaptação
Renan ainda não sabe se viaja aos Estados Unidos agora em agosto para a Copa do Mundo de Miami. Certo mesmo é a participação no Troféu Brasil de Judô, em setembro, na Sogipa.
Até lá, pretende seguir tirando proveito de cada treino ao lado das feras que integram a equipe da Capital, como o bicampeão mundial João Derly e os irmãos cariocas Eduardo e Walter Santos. "São atletas muito experientes, que estão sempre trazendo novidades sobre o que está acontecendo no mundo", elogia. O canoense prefere não fazer muitos planos para o futuro, antes, pondera, é preciso sentir como será a adaptação a esta nova etapa. Os principais nomes da categoria no Brasil vão lutar em setembro. "Vai ser um teste muito bom" , projeta o judoca, que tem tudo para brigar por uma vaga na equipe brasileira
dos Jogos Olímpicos em 2016.