Acidente - 11/03/2010 07h31
Atualizado em 10/04/2011 22h26

Menina atropelada em Canoas deverá ser enterrada nesta quinta-feira

Confira entrevista com o pai da criança falando sobre o acidente que vitimou a filha caçula.


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Cláudia Boff/ Da Redação

Canoas  - Um passeio acabou em tragédia ontem no bairro Niterói. Enquanto esperava o ônibus com a mãe e a irmã de 11 meses, uma menina de 5 anos foi atropelada por um veículo Celta na rua Venâncio Aires, por volta das 13 horas. Com a colisão, Eduarda Garcias Teixeira Greis foi arremessada 30 metros em direção à esquina da rua Protásio Alves. Ela teve diversas lesões no corpo e morreu vítima de traumatismo craniano. O condutor acabou agredido por populares e disse que estava apressado por causa de um compromisso de trabalho.

Segundo a Brigada Militar, o acidente ocorreu por volta das 13 horas, quando o motorista seguia em direção ao Centro-bairro. Conforme o condutor, ele trafegava entre 60 e 70 quilômetros por hora, quando a criança apareceu de repente. "Tentei frear, mas o carro não parou e ela acabou sendo arremessada", lamentou o supervisor de produção, 28 anos.

Após o acidente, o condutor teria descido do veículo para prestar socorro e foi surpreendido por moradores e transeuntes que o agrediram. Segundo a BM, em torno de 50 pessoas lincharam o homem. Quando as viaturas da polícia chegaram ao local, os PM contiveram a violência. O condutor, que recebeu cotoveladas, socos e chutes, foi encaminhado ao Hospital Nossa Senhora das Graças. Ele fez teste do bafômetro, que indicou ausência de álcool no organismo.

DETIDOS - Diante da confusão, cinco pessoas foram detidas e encaminhadas ao 15º Batalhão de Polícia Militar ‘‘por uso arbitrário das próprias razões’’. Entre elas estavam o pai e dois tios da vítima. De acordo com a BM, as pessoas não aceitavam que os policiais impedissem o linchamento.

Por volta das 16 horas, o condutor foi apresentado na 2ª Delegacia de Polícia para depoimento, confirmando estar entre 60 e 70 quilômetros por hora. Conforme a delegada Sabrina Deffente, o caso será encaminhado à Delegacia de Trânsito.
Abalado com a notícia, o avô materno Gilmar Gomes Teixeira, 51 anos, lembrou que a menina veio para Canoas há duas semanas, para estudar. "Por opção dos pais, ela morava comigo em um sítio em Gravataí", contou o aposentado. "Só quero agora confortar minha filha e garantir a despedida dela", disse o morador de Gravataí. Segundo a família, a menina deverá enterrada hoje no Cemitério São Vicente.

"Pela freada, só podia estar em alta velocidade"

O pai da menina atropelada, João Alfredo Greis, 33 anos, conversou com a reportagem sobre o acidente que vitimou a filha caçula dele. Leia abaixo.

Diário de Canoas - Qual era o destino da mãe e filhas?

João Alfredo Greis - A Eduarda tinha uma festinha no colégio amanhã (hoje) de manhã. Elas (mãe, Eduarda e a bebê de 11 meses) iriam para o shopping comprar um presente para uma amiguinha.

Como ocorreu o acidente?

Greis - Eu estava em um banco quando fui chamado. As três estavam na parada de ônibus, em frente à minha oficina de chapeação (na rua Venâncio Aires), quando a Duda pediu para ir ao banheiro. Minha esposa pediu para ela ficar quieta no portão, mas ela acabou descendo o meio fio. Ela (a mãe) chegou a gritar quando viu o carro, mas o cara se assustou e jogou o carro contra a menina.

Houve socorro?

Greis - O povo na hora começou a cercá-lo, aí uns conhecidos meus colocaram o motorista dentro de uma loja. O Samu veio, mas já era tarde. Quando cheguei, o condutor estava sendo agredido e na confusão os brigadianos me levaram junto para o Batalhão.

O carro estava em alta velocidade?

Greis - Pela marca da freada, só poderia estar correndo. O pessoal da perícia disse que em função da batida, o velocímetro do carro trancou. A gente acaba tendo que se conformar, pois foi um acidente. Infelizmente, ela não voltará mais para gente.







11 Comentários
Marilene Argenton
Novo Hamburgo, 24/03/2010 às 19:25
Acidentes acontecem, temos e que ter muito cuidado com as crianças que são imprevisíveis.
Camila
Novo Hamburgo, 12/03/2010 às 23:52
Porque a mãe não segurou a mão dessa criança??? é fácil culpar os outros para esconder seus próprios erros....
Leandro Oliveira
Canoas, 12/03/2010 às 01:18
Lamento profundamente a perda irreparável que a família teve. Sinto profunda tristeza mesmo sem conhecê-los. Antes das acusações é importante revisarmos nossas atitudes. A violência no trânsito é compatível com nosso comportamento no trânsito. Não existem acidentes, existe imprudência e imperícia.
Cintia
Novo Hamburgo, 12/03/2010 às 00:38
Ela era minha sobrinha, uma menina adoravel, o que me conforta é saber que agora ela está com Jesus
ELISANGELA PERES
Novo Hamburgo, 12/03/2010 às 00:37
Comentario aguardando moderação.
tati
Novo Hamburgo, 11/03/2010 às 22:47
Comentario aguardando moderação.
Ana Rosa
Novo Hamburgo, 11/03/2010 às 14:09
É lógico que os pais vão se defender, mas infelizmente foi um enorme descuido por parte da mãe em confiar que uma criança de apenas cinco anos ficasse quieta no portão. O motorista estava no trajeto dele (não estou defendendo ele), até porque a Venâncio é um desvio da BR-116.
Marcelo Cunha
Canoas, 11/03/2010 às 11:34
A Venâncio Aires se tornou via de tráfego intenso, pois muitos motoristas procuram-na como rota alternativa aos transtornos da BR e também por ligar vários bairros da cidade. Existem muitos problemas, tais como: carros estacionados dos dois lados da via, falta de fiscalização constante e quebra-molas.
Daiane Teixeira Pich
Canoas, 11/03/2010 às 11:33
Deixo aqui meus sentimentos a pais e familiares deste anjo. Conhecia a menina. Ela veio realmente fazer história. Só quem a conhecia, sabia a criança amável que ela era.
Paulo Silva
Canoas, 11/03/2010 às 10:09
A Venâncio Aires é um caos. E a fiscalização é precária. Na frente do Banrisul, estacionam nos dois lados da via. Lá no final da Venâncio, um borracheiro trabalha no meio da rua, e as casas avançaram na calçada. O Poder Público tem de tomar uma atitude, senão vão privatizar a rua.
Ricardo Lisboa
Canoas, 11/03/2010 às 08:48
Estamos vivendo em um mundo de pessoas hipócritas. li os comentários postados ontem imagina se a moda pega coitadinho do mortorista. A criança foi lançada a 30 metros o motorista segundo ele estava a 70 km quando a velocidade na avenida é 40km. Ele estava 75% acima da velocidade permitida.
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