Olá leitor, tudo bem?

Use os ícones abaixo para compartilhar o conteúdo.
Todo o nosso material editorial (textos, fotos, vídeos e artes) está protegido pela legislação brasileira sobre direitos autorais. Não é legal reproduzir o conteúdo em qualquer meio de comunicação, impresso ou eletrônico.
VOLTAR
FECHAR

Rua Emílio Leobet, 1559, sala 21 - Bairro Avenida Central - Gramado/RS - CEP: 95670-000
Fones: (54) 3286.1666 - Fax: (54) 3286.4015

PUBLICIDADE
Entrevista

Você é feliz de verdade? Especialista fala sobre padrões e a busca por uma vida plena

Para Mariela Silveira, as pessoas estão se distraindo com o que chama de ''vício pelo prazer''
13/11/2017 11:45 13/11/2017 11:45


Kurotel/Divulgação
Mariela Silveira, especialista em nutrologia, pós-graduada em acupuntura e em Terapia Cognitiva
Você é feliz de verdade? Para a médica Mariela Silveira, especialista em nutrologia, pós-graduada em acupuntura e em Terapia Cognitiva, as pessoas, de um modo geral, têm buscado aquilo que acreditam ser a felicidade, mas estão se distraindo com o que chama de “vício pelo prazer”. Na entrevista abaixo, a diretora médica do Kurotel - Centro Médico de Longevidade e Spa de Gramado fala sobre a diferença entre o que foi estabelecido como padrão para alcançar a plenitude e o que é realmente ser feliz.

Qual é o padrão estabelecido de felicidade?

Primeiro, aprendemos desde cedo que a felicidade teria relação com as situações de fora. Criamos padrões estereotipados do que seria necessário para sermos felizes e, normalmente, estes padrões estão relacionados a expectativas idealizadas de perfeição com relação a estética, saúde, dinheiro, sucesso, relacionamentos, além da ausência de conflitos ou desafios. Esta vida não existe e, muitas vezes, as pessoas acabam buscando a felicidade imaginada, que estaria relacionada a uma situação perfeita, e se sentindo frustradas por não encontrar este tal sentimento. Não há vida perfeita. E tampouco existe este sentimento pré-concebido de felicidade. Segundo, quando as pessoas saem em busca desta ideia de felicidade, acabam se distraindo com o prazer. E isto é um grande risco, pois o prazer pode ser acessado através de coisas positivas, mas também negativas para elas, como exercício físico, sexo, açúcar, cigarro álcool, drogas, jogos, telas – eletrônicas. Isto é mediado pela dopamina no lobo frontal e esta recompensa prazerosa nunca esteve tão disponível. Assim, nunca houve tantas pessoas com compulsões na história da humanidade.

A busca por essa tal felicidade é também um motivo que reflete em ansiedade e depressão?

Sim. A depressão atinge mais de 322 milhões de pessoas no mundo e a incidência da doença vem crescendo nos últimos anos. Certamente, a busca por esta felicidade seria uma das causas para tantas pessoas frustradas, ansiosas e tristes.

E de que forma isso reflete nos relacionamentos?

Esta busca de perfeição de situações externas, somada à ânsia por se encontrar a recompensa da satisfação imediata, pode fazer com que as pessoas tolerem menos as frustrações. Muitas pessoas atribuem sua felicidade àquilo que os outros poderão fazer ou entregar para elas. Estão sempre esperando que venha dos outros. Assim, isto pode representar menor tentativa de auxílio mútuo, relacionamentos frágeis e instáveis, mais rompimentos e uma rede de apoio débil.

As pessoas estão buscando um novo sentido para a vida?

Toda vez que existe uma massa populacional andando em direção de um ideal, neste caso da “felicidade ideal”, existe também outras pessoas avaliando este movimento e buscando outro sentido. Quero dizer, estamos vendo uma grande quantidade de pessoas se frustrando com aquilo que foi entendido como sendo a felicidade ideal, baseado em uma série de aspectos externos idealizados. Ao mesmo tempo, este grande número de pessoas frustradas passa a se questionar sobre o real sentido da vida. Desta forma, cada vez mais, existem pessoas buscando pelo o que realmente importa na vida. Talvez esse seja um dos motivos pelos quais hoje muitas pessoas estão buscando por técnicas relacionadas a introspecção e autoconhecimento, como as psicoterapias, yoga, meditação e práticas contemplativas.

O uso de redes sociais contribui para a necessidade de parecer feliz?

Sem dúvida. Especialmente para os jovens, mas para todas as idades, as redes sociais possibilitam a encenação da “felicidade ideal”. Entram dentro daquilo do conceito egóico onde a pessoa deseja ser importante e amada. O mundo criado, onde é possível colocar o que se deseja ser e não o que realmente se é, permite engrandecer o ciclo expectativa-frustração. Além disso, a opinião do coletivo, e da “pseudoaceitação” ou do “pseudorrechaço”, é imediata, e muitos jovens se veem guiados pelo resultado do que o coletivo espera ou acha dele. Um trabalho publicado neste ano no Jornal of Social and Clinical Psychology mostrou que jovens grandes usuários de Facebook têm mais depressão que os menos usuários. Isto porque a opinião dos outros, entendida como os likes e comentários, ou a ausência deles, e a auto-comparação são fatores importantes para a autoestima.

Você pode citar algum trabalho na área da neurobiologia que trata de encontrar um caminho para uma vida mais plena?

A pesquisadora Kathryn Shut, que se dedicou à compreensão dos nossos parentes macacos, observou que aqueles que recebem mais carinho têm maiores benefícios em termos de desenvolvimento de córtex cerebral, área mais recente e evoluída do cérebro e que tem a ver com percepção de satisfação com a vida. Isto já era possível de se imaginar. Mas o mais impressionante é que aqueles que faziam cafuné para os demais, que doavam o cuidado com os outros, tinham maior desenvolvimento e maior benefício cerebral, inclusive maior do que aqueles que apenas recebiam o cafuné. Desta forma, longe de moralismos, mas considerando aspectos biológicos puristas, quando há amor envolvido, o benefício parece ser ainda maior. Isto porque, como têm demonstrado neurocientistas, a mente e a própria anatomia do cérebro humano podem ser modificadas favoravelmente quando existe amor.

E o que é ser feliz de fato?

O que eu entendo, baseado em muitos trabalhos científicos e em anos de atendimentos de pessoas que se consideram muito tristes e muito felizes, é que há um sentimento de satisfação, amoroso, que está relacionado mais a motivos internos que a externos, menos vulnerável ou suscetível às condições de fora. Compreendo que este sentimento de felicidade que tanto buscamos não está separado do amor. Aliás, embora essas duas palavras estejam separadas no dicionário, ele só existe dentro do amor. O resto é ilusão. Eu costumo dizer que a felicidade está escondida dentro do amor. Acho, sim, que felicidade existe, mas desta forma. Ser feliz é ter um sentimento de compaixão por si mesmo e pela existência. Ter um sentimento amoroso para com os demais também ajuda.


Jornal de Gramado
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
Capa do dia

FOLHEIE O SEU JORNAL PREFERIDO NA TELA DO SEU COMPUTADOR.

ACESSE ASSINE AGORA
51 3600.3636
CENTRAL DO ASSINANTE

51 3591.2020
CENTRAL DE VENDAS DE ASSINATURAS