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Entrevista

Encontro encontro Brasil-Alemanha começa neste domingo em Porto Alegre

Cônsul da Alemanha no Rio Grande do Sul diz que encontr é oportunidade única para ampliar negócios lá e cá
12/11/2017 09:38 12/11/2017 09:40

Amilton Belmonte/GES-Especial/Amilton Belmonte/GES-Especial
Stepan Traumann, cônsul geral da Alemanha para o Rio Grande do Sul e Santa Catarina
Diplomata de carreira há 24 anos, Stepan Traumann está como Cônsul Geral da Alemanha para o Rio Grande do Sul e Santa Catarina desde julho de 2013. Antes, serviu ao seu país em cidades como as norte-americanas Washington e Miami, a sul-coreana Seul e as germânicas Bonn e Berlim, vindo dessa última para a capital gaúcha. Fã do churrasco, ele tem vivido os últimos dias em intensas agendas e reuniões.

O motivo é o mais importante evento bilateral entre brasileiros e germânicos ocorrido nos últimos anos por aqui, o 35º Encontro Econômico Brasil-Alemanha (EEBA), que ocorre de hoje até terça no Centro de Eventos da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs). Afirmando ser um otimista, Traumann recebeu a reportagem do ABC Domingo na sede do Consulado e garantiu que o encontro é uma oportunidade única para ampliar a relação comercial entre o Estado e sua pátria.

ENTREVISTA

EEBA é um encontro singular. Qual a expectativa para ele?
Stepan Traumann - A palavra é essa, singular. É o maior encontro bilateral que temos entre Brasil e Alemanha e com grande significação, porque temos a crise, a situação do Brasil. Mas é a chance e oportunidade para os dois lados ampliarem os laços e os negócios. E agora é o tempo de investir e buscar novas possibilidades, não só das empresas alemãs, mas também para as empresas gaúchas na Alemanha.

E como a crise gaúcha e brasileira é vista pelo empresário alemão?
Traumann - É um desafio do nosso trabalho, do governo estadual e da União, pois não é um desafio limitado ao sul do Brasil. O desafio é convencer as empresas, os empresários na Alemanha, para que vejam as oportunidades. A imagem do Brasil neste momento na Alemanha é bem complicada. O trabalho é convencê-los a olhar e depois decidir. Na minha opinião o evento é fundamental, pois nada substitui esse contato pessoal.

O que mais preocupa os alemães em relação ao Brasil?
Traumann - Há uma mistura não objetiva, mas falta a normalidade, o que é mostrado diariamente pela mídia, e não as oportunidades. Na mídia alemã os assuntos que chegam do Brasil são a insegurança pública, meio ambiente, a situação política e também as condições para investir, fazer negócios entre Brasil e Alemanha. Nós temos ainda problemas e desafios, como impostos, licenças e algumas barreiras que temos que vencer. E por isso temos que ter o apoio dos governos em níveis municipal, estadual e federal. E o encontro econômico é essa oportunidade de aproximar e também de mostrar boas perspectivas.

É possível pensar que a partir do EEBA haja avanços para rever ou retirar algumas dessas barreiras?
Traumann - Não sei se vamos chegar já a algum acordo, mas estabelecer negócios e identificar os problemas concretos. Em anos passados, alguns problemas foram resolvidos, há novas iniciativas do governo estadual, de atrair novos investimentos. O governador Sartori visitou a Alemanha, foi na Stihl, Medical Valley, SAP e Fraport. E convidou todas essas empresas a investirem aqui, reafirmou o apoio do governo. Acho que com muita vontade e trabalho podemos resolver esses assuntos, podemos desburocratizar. E o EEBA será uma plataforma pra discutir isso, pois não é só um encontro entre governos, mas de empresários, que podem juntos identificar obstáculos. Então temos também desafios como na área da agricultura e exportações para a União Europeia e Alemanha, que teremos que renegociar.

A zona de livre comércio entre Mercosul e União Europeia é sonho ou pode virar realidade?
Traumann - É uma tarefa federal. Sei que no último ano as negociações avançaram. Eu sou um otimista, como sempre, que vamos chegar a um acordo e solução. Por quê? Porque é necessário e é interesse dos dois lados, especialmente pela nova situação da economia mundial, com o governo americano e o governo chinês. Temos que desfrutar das nossas possibilidades e acho que o Sul da América Latina e o Sul do Brasil e Europa, e dentro da Europa a Alemanha, têm as oportunidades de se beneficiar. Penso que os dois lados têm vontade de chegar a um resultado positivo. Nosso comércio bilateral não é pequeno, mas ainda tem muito potencial a ser desenvolvido. E o encontro pode ampliar isso.

Onde se pode avançar mais nesse comércio bilateral e quais os setores brasileiros e alemães que podem ser potencializados nessa balança?
Traumann - O agrobusiness, a agropecuária, é uma área muito atrativa pra fazer negócio. Mas não só ela. Acho que, em particular, muitas empresas com especialização, com manufatura, a indústria da transformação, são muito atrativas. Junto com isso empresas de tecnologia, energia renovável e infraestrutura.

É possível imaginar na área de infraestrutura alguma PPP entre empresas alemãs e o Estado, mesmo na crise gaúcha?
Traumann - Acho que PPPs dependem do lado do financiamento. Mas financiamento, na minha opinião, não é o primeiro obstáculo. O primeiro obstáculo são as regras claras, leis, condições, licenças. Que são difíceis demais. O problema que vi muitas vezes, ao lado de empresas alemãs, é a segurança jurídica para fazer nosso negócio e segurança não só nessa área, mas no momento de assinar os acordos. Uma PPP na infraestrutura teria que ser de longo prazo, como a da Fraport, de 25 anos. Tem que ter segurança jurídica e regras claras. Isso é importante. Se tivermos isso, não só empresas alemãs se sentirão atraídas.

E no Vale do Sinos? A partir dos novos investimentos da Stihl, do Medical Valley, é possível acreditar que mais empresas alemãs possam se instalar no berço da colonização alemã no Brasil?
Traumann - O Brasil é muito atrativo para a economia alemã, demonstrado pelo fato de que mais de 1,6 mil empresas alemãs estão aqui, umas 200 ou 300 no Rio Grande do Sul. O centro é São Paulo, mas nosso desafio, dos gaúchos, e a minha tarefa é convencer as empresas alemãs da atratividade do Sul do País. O Vale do Sinos tem um papel muito importante, porque é o berço da colonização alemã aqui. Em São Leopoldo, olhando pra Stihl, é um fenômeno. É uma empresa familiar, que investiu 45 anos atrás lá. Por quê? Por que um dos fatores maiores foi a cultura alemã. E a maioria das empresas alemãs são pequenas, familiares. E essa estrutura encontramos aqui no Sul do Brasil. Eu percebi muito quando empresários de pequenas empresas alemãs chegavam aqui ao Brasil e se entendiam de uma maneira muito fácil com os gaúchos. É a mesma cultura, ligada com a imigração, não só alemã, mas também italiana, de espírito empreendedor. O Vale do Sinos é pra nós muito importante.

Uma mensagem para empresários alemães e gaúchos.
Traumann - Que venham participar! Foi um desafio e um grande trabalho, especialmente da Fiergs, no apoio ao encontro. Acho que teremos uns 300 empresários alemães participando, talvez um pouco mais, mas estamos muito felizes com essa adesão. Nove meses atrás foi uma situação muito complicada. Então, venham participar, discutir e fazer conhecimentos pessoais, estabelecer relacionamentos pessoais, isso não pode ser substituído. E tem que ter fôlego, otimismo e coragem de fazer, de olhar no futuro. E não num sentido único. É uma boa oportunidade pra indústria gaúcha estabelecer mais laços na Alemanha, investir lá. Há potencial lá e acho que agora é o tempo de desfrutar disso.


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