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Gilson Luis da Cunha

O guerreiro definitivo

Diário de bordo de um nerd no planeta Terra (DATA ESTELAR 29102017)
29/10/2017 07:30

Gilson Luis da Cunha - Blog Diário de Bordo de um nerd no planeta terra

Gilson Luis da Cunha é doutor em Genética e Biologia Molecular pela Ufrgs, Old School Nerd, fã incondicional de livros filmes, séries e quadrinhos de ficção científica, fantasia e aventura

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No último dia 22, Rambo: Programado para Matar, completou 35 anos de sua estreia nos cinemas americanos. O filme dirigido por Ted Kotcheff teve uma carreira de sucesso muito maior do que o esperado por seus produtores. Afinal, a guerra do Vietnã ainda era uma ferida recente na alma estadunidense e a adaptação do romance de David Morrell não parecia uma ideia capaz de atrair o público. No entanto, o resultado foi exatamente o oposto, criando o segundo personagem mais famoso de Sylvester Stallone.

O livro First Blood, de 1972, é bastante diferente do filme. Rambo ainda é um veterano de guerra, ex-combatente das forças especiais, sofrendo de estresse pós-traumático e sendo caçado pelo departamento de polícia de uma cidadezinha do interior dos Estados Unidos. Mas as semelhanças param por aí. O Rambo do livro nada tem a ver com Sylvester Stallone. John Rambo é um cara magrelo, desnutrido, até, barbudo e com acne. Como se não bastasse, era filho de um pai abusivo, tendo fugido de casa após alvejá-lo com uma flecha.

Alistou-se nas forças especiais não por patriotismo ou busca por aventura, mas porque sabia que seria convocado de qualquer modo e sua melhor chance de sobreviver ao Vietnã seria possuir o melhor treinamento possível, ou seja, se tornar um boina verde. E, para isso, ele se alista como voluntário nas forças especiais.

O livro também difere do filme no sentido de que Rambo e o Coronel Trautman (Richard Crenna) nunca foram amigos. Para falar a verdade, nem coronel ele era. O Capitão Trautman do livro é retratado nas lembranças de Rambo apenas como uma voz que era ouvida no campo de treinamento, orientando a rotina da unidade, sem nunca ser visto pela tropa. No entanto, ao ser chamado para negociar com o boina verde enlouquecido, sua voz é reconhecida, produzindo uma inquietação e paranoia que o personagem de Stallone em momento algum nutre por seu antigo comandante.

O desfecho também foi mudado, depois de exibições para plateias-teste. No livro, um agonizante Rambo recebe o tiro de misericórdia do Capitão Trautman, que observa o xerife, fatalmente ferido, morrer logo em seguida, mas não antes de se arrepender da desastrosa linha de ação que resultou em diversas mortes, incluindo a sua. O livro é um conto de advertência sobre o lado sombrio da sociedade americana e, de certo modo, fez pelo thriller de ação o mesmo que Carrie, de Stephen King fez pelos livros de terror: humanizou seu protagonista e inseriu um profundo julgamento moral na trama.

No filme, o final ainda é dramático, mas acena com alguma esperança. Acho que não é spoiler nenhum dizer que Rambo sobrevive e, graças aos apelos de Trautman, se entrega às autoridades, numa cena que explora ao máximo os limitados dotes dramáticos de Stallone, ao som de It's a Long Road, canção composta pelo grande Jerry Goldsmith, que assina a trilha sonora, e interpretada por Dan Hill. O resto é história. As continuações de 1985 e 1988, respectivamente, transformariam o ex-boina verde num tipo de super-herói, coisa que nem de longe passava pela mente de David Morrell ao escrever o livro. Começava a rambomania, que acabou, pasmem, gerando até um desenho animado matinal dos tempos do Show da Xuxa. Mas isso é outra história.

Stallone daria a seu personagem um canto de cisne com o filme John Rambo (2008), um filme que, apesar das cenas de ação e da trama bem amarrada, tem um sabor agridoce, principalmente pelo fato de sugerir que o atormentado guerreiro ainda tem um lugar para chamar de lar, mesmo após quase quarenta anos sem ver um único familiar, algo no mínimo estranho e que tira um pouco do brilho do final de Rambo III, onde ele parece finalmente encontrar um pouco da paz que buscou por boa parte de sua vida. Mas Hollywood é assim mesmo.

No domingo, dia 5 de novembro, estarei na Tenda Pasárgada da Feira do Livro de Porto Alegre, no 12° Mutação, evento de quadrinhos e cultura pop, com um painel sobre os 30 anos de Robocop e Juiz Dredd: Lei e ordem nas HQs. A entrada é franca. Apareçam! Vida longa e próspera e que a força esteja com vocês. Até domingo que vem.


Jornal de Gramado
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