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Oncologia

Mesmo com vacina e o Papanicolau, câncer do colo do útero mata 5 mil brasileiras por ano

Prevenível com vacinação contra o HPV e através de exames citopatológicos, tumor é o terceiro mais frequente na população feminina no País

Embora seja totalmente prevenível e demore anos para se desenvolver, o câncer do colo do útero é o terceiro tumor mais frequente na população feminina no Brasil, com 16,3 mil novos casos diagnosticados e 5 mil mortes por ano, conforme estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Somente no Rio Grande do Sul, são 15,64 casos a cada 100 mil habitantes. Um dos meios mais simples e eficazes para reduzir estes números é a vacina contra o papilomavírus humano (HPV), principal agente causador da doença. No entanto, apesar de estar disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2014, a imunização ainda não chegou a 80% do público-alvo no País. Hoje, a recomendação do Ministério da Saúde é que sejam vacinadas as meninas de 9 a 15 anos e meninos de 11 a 14 anos – são duas doses a serem aplicadas em um intervalo de seis meses, disponíveis o ano todo em unidades de saúde.

Somente entre as meninas, a cobertura vacinal de 2014 a junho de 2017 foi de apenas 46,2% (5,5 milhões) no País, considerando as que receberam as duas doses – as que receberam uma dose representam 73,6%. Entre os meninos, que começaram a ser vacinados em 2017, o índice é de 20%. Apesar da aplicação da primeira dose ter tido um alcance maior, a adesão vem caindo ao longo do tempo. “E não adianta tomar só uma dose da vacina, tem que ser as duas para que seja eficaz”, alerta Ana Goretti Kalume Maranhão, do Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde. Somente de janeiro a agosto deste ano, foram distribuídas 1.875.790 doses aos Estados e Distrito Federal, mas apenas 8% dos municípios brasileiros atingiram a meta. “A cobertura tem de ser de 80% desta população para que se alcance o nível de prevenção necessário”, destaca Ana Goretti.
Os dados foram apresentados durante o workshop Câncer do colo do útero: o câncer que não deveria existir, promovido pelo Instituto Oncoguia, em São Paulo, na última semana.

Baixa adesão
No Rio Grande do Sul, desde 2014, já foram cerca de 260 mil meninas consideradas imunizadas, ou seja, que receberam as duas doses previstas. O que representa uma cobertura de 45% da população-alvo, segundo a Secretaria Estadual da Saúde (SES). Neste ano, foi aberta a vacinação para os meninos de 11 a 14 anos, com cerca de 38 mil primeiras doses já aplicadas até julho, ou cerca de 11% da população estimada para a faixa etária. Ainda não estão contabilizadas as mais de 30 mil doses em meninas e 36 mil em meninos aplicadas durante a Semana de Vacinação do Adolescente, ocorrida entre os 21 e 25 de agosto, destaca a SES em nota.

Entre os fatores que os profissionais de saúde identificam na baixa da adesão à imunização está o temor por parte dos pais de que a vacina incentive a iniciação sexual. “Mas não é falar sobre sexo, é falar de câncer, de uma vacina cuja proteção pode se estender por anos. Quanto mais gente vacinada, menor a chance de infecção”, acrescenta a pediatra Mônica Levi, presidente da Comissão para Revisão de Calendários da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). Em países como a Austrália e Nova Zelândia, onde os programas de prevenção começaram há mais tempo, houve redução de 90% nas infecções por HPV em 10 anos.

A vacinação de meninas e meninos não terá impacto imediato na incidência de câncer do colo do útero, mas vai garantir a prevenção à doença para o futuro, além de ajudar a prevenir casos de câncer de pênis, ânus, verrugas genitais, boca e orofaringe.

Razões para redução na procura por vacina

Entre os fatores que acabaram afastando meninas e meninos da vacinação contra o HPV foram informações controversas divulgadas na imprensa e nas redes sociais sobre seus possíveis efeitos adversos. No entanto, enfatiza a pediatra Mônica Levi, os efeitos são leves a moderados e podem incluir dor no local da injeção, dor de cabeça e febre. “Raramente ocorrem dormência e fraqueza nas pernas, que geralmente são ligados a ansiedade e medo diante da aplicação de injeções. Este fato aconteceu tanto no Brasil como em outros países, fenômeno este conhecido como reação de ansiedade relacionada à vacinação”, afirma, acrescentando que estudos já descartaram eventos adversos como AVC, reação alérgica e desordens neurológicas.

Além disso, segundo Ana Goretti, do Ministério da Saúde, seria importante que houvesse melhor articulação entre Saúde e Educação nos municípios para aumentar a adesão à vacinação contra o HPV. O ideal, diz, seria levar a vacina para dentro das escolas, onde está o público-alvo, mas este trabalho ainda precisaria ser melhor negociado entre os setores responsáveis. Logo que a vacina foi disponibilizada na rede pública de saúde, houve uma parceria com o Ministério da Educação para que a vacinação ocorresse nas escolas, o que explica a grande adesão no início.

Agente causador de câncer

O câncer do colo do útero é uma doença de evolução lenta que atinge, principalmente, mulheres acima dos 25 anos e tem o HPV como principal agente causador. Estima-se que 50 a 80% das mulheres irão adquirir o vírus ao longo da vida, mas nem todas desenvolverão alterações causadoras de lesões que podem vir a se transformar em tumor, já que a maioria das infecções por HPV são transitórias e se resolvem espontaneamente. O câncer do colo do útero ocorre quando há infecção permanente. O vírus é transmitido por contato direto com mucosas infectadas, que pode ocorrer por relação sexual. Existem mais de 100 subtipos do papilomavírus humano, nem todos capazes de provocar verrugas ou tumores malignos. O ginecologista Júlio Possatti, do Hospital de Câncer de Barretos (SP), explica que as lesões são mais comuns na faixa dos 25 a 30 anos. “Adolescentes não precisam ser rastreadas porque não têm lesões”, ressalta. Assim, a vacinação dos 9 aos 15 anos é uma ferramenta para prevenir a doença na idade adulta – e a imunização dos meninos contribui para evitar a propagação do vírus. Também são vacinados contra o HPV homens e mulheres de 9 a 26 anos com HIV/aids, pacientes oncológicos e transplantados de órgãos sólidos e de medula óssea.

É possível evitar que lesão vire tumor

Essencial para a detecção precoce do câncer do colo do útero, o exame citopatológico, o Papanicolau, é recomendado para mulheres entre 25 e 64 anos, destaca o ginecologista Júlio Possatti. Com ele, é possível identificar se há algum tipo de lesão que possa levar ao desenvolvimento da doença, já que é feita uma coleta de material que posteriormente é analisado sob microscópio para identificar se há ou não alterações nas células do colo do útero. “Mas o resultado não serve como diagnóstico de câncer, é um teste de triagem. Se for identificada uma lesão, essa mulher precisa ser examinada de maneira mais detalhada”, acrescenta o médico.

Os dois primeiros exames devem ser feitos com intervalo anual e, se ambos resultados forem negativos, os próximos podem ser feitos a cada três anos. Quando as lesões provocadas pelo HPV são detectadas logo no início são facilmente tratadas, por isso é importante a periodicidade dos exames para impedir que progridam até chegar a um tumor. Uma das principais dificuldades no País hoje, diz Possatti, é fazer com que as mulheres sejam examinadas, já que 76,8% das pacientes são diagnosticadas em estágio avançado da doença. “No País, prevalece o método de rastreamento oportunístico. Se a mulher não procura atendimento, não tem alguém que vá até ela. E a gente precisa saber quem é essa mulher que não faz os exames”, afirma o ginecologista, citando a necessidade de implantação de um rastreamento organizado no Brasil, com base em registros populacionais.

Até agosto deste ano, 3.326.448 de brasileiras de 25 a 64 anos fizeram o exame Papanicolau pela rede pública de saúde, o que representa cerca de 5,5% da população feminina nesta faixa etária – o total é de 60.284.357 mulheres, conforme estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já em Novo Hamburgo, por exemplo, o cenário é positivo. São feitos 877 exames citopatológicos por mês em mulheres nesta faixa etária. A meta é de 45% e o município já atingiu nesse ano 81% dessa população-alvo, segundo a Secretaria de Saúde.

Tratamento

Além do exame Papanicolau, o câncer do colo do útero também pode ser identificado através de sintomas como sangramento vaginal anormal ou dor durante a relação sexual. A diretora da oncologia clínica do Instituto do Câncer de São Paulo (Icesp), Maria Del Pilar, enfatiza que o diagnóstico precoce garante a curabilidade, por isso a importância da prevenção. As principais opções de tratamento são a cirurgia, quimioterapia, radioterapia e braquiterapia, utilizadas isoladamente ou associadas. O método escolhido vai depender do tamanho do tumor, sua extensão e fatores pessoais, como idade e desejo de ter filhos. “Dependendo do caso tem que retirar o útero, os ovários. A infertilidade é um evento frequente, a maioria das pacientes não consegue engravidar no futuro”, destaca. A falta de tratamento pode ter consequências como disfunções urinária, intestinal e sexual. “Quanto não se trata, a doença progride e vai trazer mais sofrimento”, alerta.

Campanha do Oncoguia

Para tentar reverter o cenário de alta incidência de câncer do colo do útero entre as brasileiras, o Instituto Oncoguia lança a campanha “Se dê colo. Dê colo”, que destaca a importância do exame Papanicolau e incentiva a vacinação contra HPV. “A mulher é protagonista da sua vida. Estamos informando e empoderando-as para que elas tomem a rede da sua saúde, sua e dos seus filhos, e que saibam que estão, sim, prevenindo o câncer do colo do útero”, explica a presidente da associação, Luciana Holtz. A ação tem início agora em setembro porque é o mês de conscientização para diferentes tipos de câncer.


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