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Plantando uma nova história

Horta ajuda apenados a antecipar liberdade no Presídio de Canela

Iniciativa também tem refletido no comportamento dos detentos

Letícia de Lima/GES-Especial
Mão de obra prisional: na horta
As notícias que envolvem o Presídio Estadual de Canela (Pecan) estão, em sua maioria, relacionadas a crimes. A situação da penitenciária local não é das melhores e, assim como demais casas prisionais no Estado, está superlotada: a capacidade de receber internos é de 90 vagas, mas hoje opera com 204 detentos. Interditado há dois meses pela justiça, o Pecan está recebendo somente presos de Gramado e Canela. Mas, apesar de o sistema carcerário estar longe do ideal, não são apenas notícias ruins que permeiam o local.

Através de um trabalho em equipe desenvolvido pela administração da unidade prisional, em parceria com diversos órgãos da região, as mesmas mãos que cometeram algum delito no passado estão tendo a oportunidade de recuperar a dignidade por meio do trabalho. Trata-se de um projeto que vem sendo realizado na penitenciária desde março deste ano. A iniciativa começou com o antigo administrador da unidade, Fernando Demutti, e vem sendo seguida pela atual gestora Vivian Nunes Minato, que está desde junho no cargo.

Em um amplo espaço no pátio do presídio foi construída uma estufa com mão de obra prisional, onde hoje quatro apenados (três do regime semi-aberto e um do fechado) cultivam verduras e temperos. Os alimentos são preparados e consumidos nas refeições da casa prisional. Cada interno se dedica a aproximadamente oito horas de trabalho por dia na horta, sendo liberados em horário de visita e de aula.

Além de beneficiar os internos com a remissão de pena (cada três dias trabalhados desconta um dia da pena) e progressão de regime (que possibilita o preso a partir para um regime menos rigoroso), o programa tem refletido no comportamento dos detentos. “Eles ficam menos ociosos, já diminuiu o índice de brigas e o tratamento com os servidores está melhor”, avalia a diretora Vivian. Na última colheita, no início do mês, a maior produção na estufa foi de couve e alface.

Disciplina e união
Segundo Vivian, a seleção dos internos que trabalham na estufa é baseada na análise do perfil do detento, como histórico de comportamento e disciplina. A administradora também ressalta que o trabalho em equipe entre os presos nestas atividades é fortalecido. “Se um deles não colaborar, os outros também assumirão as responsabilidades. Então a gente percebe que o serviço une eles”, comenta.

Intenção é ampliar projeto

Letícia de Lima/GES-ESPECIAL
Administração: Flaviana, Vivian e Romulo
Como o terreno do Presídio Estadual de Canela é grande, a intenção da administração é ampliar o projeto. “Para isso, dependemos de doações de mudas, tudo que puderem nos auxiliar é bem-vindo. Atualmente a Secretaria de Agricultura de Gramado tem nos fornecido e apoiado bastante”, afirma Vivian. Com uma produção maior na horta, o objetivo é fornecer os alimentos para entidades e escolas da região.

A equipe administrativa do presídio, formada também pela administradora substituta Flaviana Rodrigues Freitas, e pelo chefe de segurança Romulo Tomazini, estuda, ainda, a possibilidade de implantar uma fábrica de móveis na unidade prisional, colocando mais apenados em atividade. “O trabalho dignifica. A população esquece que as pessoas que estão aqui um dia retornarão para a sociedade, então cumprir uma pena mais digna proporciona que eles saiam daqui pessoas melhores”.

O trabalho no cárcere

Letícia de Lima/GES-Especial
"Esse trabalho é uma terapia"
Um dos detentos que trabalha na estufa, que terá sua identidade preservada, conta que o trabalho na horta funciona como uma terapia. “Faz um bem pra gente. A cabeça é outra, pois o pensamento fica no trabalho. É gratificante ter a confiança do pessoal e ter a oportunidade de trabalhar. É muito bom saber que alguém acredita na gente”, opina o interno de 61 anos, recluso há um ano e quatro meses. “Trabalhei até os 14 anos na colônia, então voltei a colocar em prática o que sabia da lida com a terra. Também comecei a estudar aqui dentro, no ano passado”, relata orgulhoso.


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