Olá leitor, tudo bem?

Use os ícones abaixo para compartilhar o conteúdo.
Todo o nosso material editorial (textos, fotos, vídeos e artes) está protegido pela legislação brasileira sobre direitos autorais. Não é legal reproduzir o conteúdo em qualquer meio de comunicação, impresso ou eletrônico.
VOLTAR
FECHAR

Rua Emílio Leobet, 1559, sala 21 - Bairro Avenida Central - Gramado/RS - CEP: 95670-000
Fones: (54) 3286.1666 - Fax: (54) 3286.4015

PUBLICIDADE
Neurologia

Cartunista transforma a esclerose múltipla em tema para tirinhas

Diagnosticado com a doença em 2010, o gaúcho Rafael Corrêa usa sua arte para falar sobre o dia a dia de um esclerosado

Rafael Corrêa/Rafael Corrêa/Especial
Tirinhas contam a experiência de Rafael e, ao mesmo tempo, informam sobre os sintomas da doença


A vida de um paciente com esclerose múltipla (EM) ganhou contornos, cores e humor nas mãos do cartunista gaúcho Rafael Corrêa, 41 anos. “Fui diagnosticado em 2010 e vi que tinha uma grande história para contar”, revela o ilustrador. Ele diz que imediatamente pensou em transformar o que estava passando em quadrinhos, mas a ideia só começou a tomar forma em 2015, com Memórias de um Esclerosado, série de tirinhas que falam da experiência de Rafael e, ao mesmo tempo, informam sobre os sintomas e as consequências da EM no dia a dia. “Como sou cartunista, nada mais natural do que usar a arte para falar sobre isso”, destaca. 


Carol de Goes/Divulgação
Rafael acabou desenvolvendo um novo estilo de trabalho
Canhoto, ele começou a ficar com os movimentos da mão esquerda limitados e, aos poucos, passou a desenhar apenas com a direita. “Foi o lado esquerdo que afetou mais, cada paciente tem uma maneira muito peculiar de desenvolver a doença, em cada um se manifesta de um jeito”, comenta. O traço sempre retinho do artista deu lugar então a linhas mais soltas e a um novo estilo de trabalho. “Sempre admirei cartunistas com o traço solto, mas queria fazer certinho. Hoje vejo que meu traço está muito mais evoluído”, observa o ilustrador multipremiado.

Além de perceber dificuldades de movimentos, o que o levou a procurar um neurologista em 2010, ainda em 2004 Rafael havia passado por diversos oftalmologistas na busca por solução para um problema de visão. “Diziam que não tinha nada e acho incrível que não pensaram que poderia ser uma coisa neurológica”, comenta.

Atenção

De causas ainda desconhecidas, a esclerose múltipla normalmente é detectada após um episódio sintomático. No entanto, é preciso entender seus sinais para que a doença seja identificada o quanto antes. “Várias pessoas têm formigamento, dormência, borramento visual e ficam uma semana com isso. Não é normal ficar com o lado do corpo dormente, faltar força, alteração da visão. As pessoas têm que procurar atendimento”, enfatiza o neurologista Jefferson Becker, presidente do Comitê Brasileiro de Tratamento e Pesquisa em Esclerose Múltipla e Doenças Neuroimunológicas (BCTRIMS), citando alguns sinais da EM. Ele explica que os sintomas surgem aos poucos e o problema vai piorando lentamente. O diagnóstico é confirmado através de exame de ressonância magnética.

O que é esclerose múltipla?

Não se sabe exatamente o que predispõe a doença, mas a esclerose múltipla atinge pessoas na faixa dos 20 a 40 anos. Segundo o neurologista Jefferson Becker, a prevalência também varia de acordo com o lugar, sendo mais comum nas regiões mais frias. “Ainda tem muita coisa para saber, como porque em uns é mais grave e outros não”, reflete.

A EM é uma doença neurodegenerativa, ocasionada pela inflamação e destruição da mielina, camada protetora da fibra nervosa, que tem por função acelerar a trajetória do estímulo nervoso. No momento inflamatório, há a instalação do sintoma, chamado de surto e, com sua remissão, a cicatriz e a possível perda funcional da área atingida. Ou seja, é como se o “fio” que liga um neurônio a outro fosse desencapado e aí demora mais a transmitir mensagens entre eles ou as envia de forma diferente. A consequência que causará vai depender do lugar que afetar. “Não é todo mundo que ficará com limitação, não necessariamente a doença deixa incapacitado. O tipo vai depender de onde as lesões aconteceram, cada paciente é totalmente diferente do outro”, explica Becker. Segundo ele, a doença pode ser dividida em duas formas, uma parte mais inflamatória, com surtos de sintomas, e outra progressiva, que pode levar o paciente a limitações na marcha (caminhar). O tratamento para a doença é multidisciplinar.

Amigos Múltiplos


Rafael Corrêa/Especial
Canhoto, Rafael teve que aprender a desenhar com a mão direita
O Dia Nacional de Conscientização da Esclerose Múltipla, celebrado em 30 de agosto, traz à tona o impacto e os obstáculos que a progressão da EM pode acarretar. Superar as incapacidades físicas e manter a independência são alguns dos desafios enfrentados diariamente pelos pacientes. Assim, falar sobre os aspectos que envolvem a doença, contribuir para a busca de diagnóstico precoce, tratamento adequado e melhora na qualidade de vida faz parte do propósito da AME – Amigos Múltiplos pela Esclerose. Fundada oficialmente em 2012, a organização adotou como missão compartilhar informação sobre a EM de forma acessível. Hoje, reúne mais de 30 blogueiros que abordam temas diversos, como vida social, maternidade, sexualidade e viagens, tudo relacionado à esclerose múltipla.

A ideia surgiu quando Gustavo San Martin, 30, atual superintendente da AME, foi diagnosticado com a doença. “Não achei apoio na época e resolvi montar uma instituição que apoiasse os pacientes. Difícil aceitar que uma doença tão comum, que 2,5 milhões de pessoas no mundo têm, não é conhecida”, opina.

O trabalho da AME é norteado por uma visão otimista, de que existe vida depois do diagnóstico. Recentemente, o cartunista Rafael Corrêa se juntou ao time de blogueiros da associação e publicará suas tirinhas uma vez por semana, traduzindo em ilustrações situações corriqueiras de um paciente esclerosado.

Desafios para os pacientes

O principal desafio para o tratamento da doença é o diagnóstico precoce. “Diversos estudos internacionais mostram que o paciente com diagnóstico precoce está muito melhor do que o paciente que demorou anos para descobrir. Sem tratamento, em 10 anos ou menos o paciente precisa de cadeira de rodas. Com tratamento correto quase não precisa. Garante ficar bem por mais tempo”, destaca Gustavo, da Amigos Múltiplos. Segundo ele, outro problema que cerca os pacientes é a dificuldade de acesso a medicamentos, que precisam ser administrados todos os dias. “Em uma pesquisa da AME, 51% dos pacientes declararam que faltou remédio em algum momento nos últimos três anos”, destaca. Além disso, outro entrave é o sistema de etapas de tratamento que funciona no Brasil. Assim, o paciente recém-diagnosticado só pode receber alguns determinados tipos de medicamento. “Nos Estados Unidos, não existe linha de tratamento, o médico percebe que é uma forma mais ativa da doença e vai dar um remédio mais potente. É um engessamento que o protocolo clínico propõe. O ideal seria o paciente decidir o melhor tratamento para seu caso junto com o médico”, analisa.

Atendimento pelo SUS no País

Em nota, o Ministério da Saúde informa que Sistema Único de Saúde (SUS) oferta 44 procedimentos (clínicos e de reabilitação), de forma integral e gratuita, para pacientes cadastrados no Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF) que se enquadram nos critérios clínicos e nas diretrizes terapêuticas determinadas pelo Protocolo Clínico da Esclerose Múltipla. Atualmente são 15.689 usuários. “Com investimento de mais de R$ 279 milhões para aquisição de medicamentos que compõem o elenco que trata esta patologia, os medicamentos ofertados para esclerose múltipla são: betainterferona 1a 6.000.000 UI (22 mcg); betainterferona 1a 6.000.000 UI (30 mcg); betainterferona 1a 12.000.000 UI (44 mcg); betainterferona 1b 9.600.000 UI (300 mcg); fingolimode 0,5mg, glatirâmer 20mg/mL e natalizumabe 20mg/ml. Recentemente, o Ministério da Saúde incorporou o medicamento Teriflunomida ao SUS. A partir da publicação da decisão de incorporação há um prazo de 180 dias para efetivar a oferta”, destaca o texto. Para a distribuição, os Estados devem encaminhar ao Ministério a necessidade trimestral de cada medicamento. A reportagem entrou em contato com a Secretaria Estadual de Saúde, mas não teve retorno até a publicação desta reportagem. 


PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
Capa do dia

FOLHEIE O SEU JORNAL PREFERIDO NA TELA DO SEU COMPUTADOR.

ACESSE ASSINE AGORA
51 3600.3636
CENTRAL DO ASSINANTE

51 3591.2020
CENTRAL DE VENDAS DE ASSINATURAS