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Imunização

''Vacinas são vítimas do próprio sucesso''

Controle e eliminação de doenças acaba provocando despreocupação com a prevenção

Arquivo/GES
Procura por vacinas aumenta e traz preocupação principalmente quando surgem casos de óbitos relacionados a alguma doença

Embora as vacinas sejam responsáveis pela eliminação e controle de doenças graves e uma das formas de menor custo para reduzir a mortalidade infantil, as ações para imunização da população nem sempre têm o alcance esperado, como a campanha de vacinação contra a gripe deste ano, que começou em abril e teve de ser prorrogada até o início de junho por conta da baixa procura. No Rio Grande do Sul, somente entre crianças de 6 meses a menores de 5 anos a redução foi de cerca de 17% entre 2016 e 2017, passando de 514 mil para 425 mil crianças imunizadas, mostram dados da Secretaria Estadual da Saúde. No Brasil, até o fim de maio (prazo inicial para o fim da campanha), haviam sido imunizados apenas 63,6% de um total de 54,2 milhões de pessoas pertencentes ao público-alvo, conforme o Ministério da Saúde.

“As vacinas são vítimas do próprio sucesso”, afirma o pediatra Juarez Cunha, membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim). “Quando se tem um controle de uma doença, as pessoas se sentem seguras porque não existe mais essa doença, mas não se dão conta de que não existe mais justamente por causa da vacinação”, observa. Segundo o médico, a única doença erradicada até hoje é a varíola (em 1971), pois não existe mais nem em laboratório, mas, entre as doenças preveníveis por vacina, já foram eliminados nas Américas a poliomielite (1994), o sarampo (2016) e a rubéola (2015). “São doenças que se consegue controlar por causa da vacinação”, destaca, citando em seguida o retorno recente do sarampo na Europa, onde mais de 500 casos já foram reportados neste ano, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A transmissão do vírus já foi interrompida em dois terços dos 53 países da região, mas continua endêmica em 14 nações. A maioria dos novos casos de sarampo foi confirmada em sete países, incluindo alguns dos mais ricos do continente: Alemanha, França, Itália, Polônia, Romênia, Suíça e Ucrânia. A Itália e a Romênia são as que mais concentram casos de sarampo, sendo a maioria em áreas com baixa cobertura de imunização. Só na Romênia, foram registrados 4.881 casos de sarampo de janeiro de 2016 até meados de abril deste ano, sendo 23 mortes.

Cunha comenta que a procura por vacinas aumenta e traz preocupação principalmente quando surgem casos de óbitos relacionados a alguma doença. “No caso da campanha de vacinação contra a gripe, por exemplo, as pessoas deixaram para depois, vão fazendo atrasado. Mas quando tem uma notícia de que aquela doença está ocorrendo com maior frequência e gravidade, ou que houve alguma morte, há uma corrida atrás de imunização, como no ano passado, quando a sazonalidade da gripe começou mais cedo e houve notícia de mortes”, exemplifica, lembrando que clínicas particulares de vacinação chegaram a ficar com os estoques vazios.

Movimento antivacinal

Além da despreocupação com as vacinas, um movimento antivacinal, com mais representantes na Europa e com pouca força no Brasil, também tem feito barulho com relação à importância da imunização, com compartilhamento de informações por redes sociais. À medida que as doenças desaparecem e vão sendo esquecidas, surge o temor dos efeitos colaterais, que é no que se baseiam os grupos contrários a qualquer tipo de vacinação. A figura talvez mais conhecida do movimento seja o médico britânico Andrew Wakelfield. Em um artigo publicado na revista inglesa The Lancet, em 1998, ele afirmou que a tríplice viral contra sarampo, rubéola e caxumba causava autismo – em 2010, a publicação retirou o estudo de seu site e o médico teve licença cassada pelo Conselho de Medicina do Reino Unido após investigação. Outros grupos defendem que é preciso deixar transcorrer o processo natural da doença ao invés de vacinar e há ainda quem tenha motivos filosóficos, religiosos ou seja contrário à indústria.

Para Cunha, porém, o movimento antivacinal é infinitamente inferior ao número de pessoas que não fazem vacina por esquecimento ou atraso. Quanto aos efeitos colaterais provocados pelas vacinas, o pediatra explica que qualquer evento adverso que possa ocorrer sempre será mais leve do que a doença a que está protegendo. “No caso do sarampo, quando a criança recebe a dose pode desenvolver no decorrer dos dias um quadro semelhante ao sarampo, pode ter febre por dois ou três dias, mas depois passa. Enquanto a doença natural é considerada a principal causa de morte em países menos desenvolvidos, principalmente na África”, exemplifica. Para o médico, um grande problema é a repercussão maior que têm os casos de efeitos adversos diante dos casos de sucesso de imunização. “A vacina contra HPV é gratuita para meninos e meninas. O vírus é o principal fator para o câncer de colo de útero, que está entre as maiores causas de morte entre mulheres. Então é uma vacina que vai proteger contra o câncer e contra a morte. Mas as pessoas acabam tendo mais receio dos efeitos adversos. Faço três milhões de doses e tenho dois casos desses eventos. Esses dois terão uma repercussão maior. Isso é uma coisa que assusta”, comenta.

Importância das vacinas

O objetivo da vacina é fazer com que o organismo crie anticorpos para agir quando tiver contato com o agente transmissor da doença. “O sarampo é uma doença altamente contagiosa, que pode ser fatal, se não tiver proteção com a vacina, vou ter um quadro grave até de saúde pública, com muitas pessoas adoecendo, hospitalizando e morrendo”, destaca Cunha. Não vacinar pode parecer uma ação individual, mas, segundo o médico, afeta a população como um todo, já que quanto mais pessoas vulneráveis, maiores as chances de contaminação. “Uma criança com leucemia, por exemplo, não poderá fazer determinada vacina. Quando a população toda ao redor está vacinada, ela também está protegida contra aquela doença. No entanto, a pessoa não quis vacinar seu filho, pelo motivo que for, ele contrai a doença e transmite para aquela criança que não pôde ser vacinada. É uma coisa egoísta não contribuir para a imunidade coletiva”, opina.

Doenças que podem ser evitadas com vacinas

Poliomielite: doença causada por um vírus e é caracterizada por fraqueza súbita, geralmente nas pernas. Encontra-se erradicada no nosso país, graças à cobertura vacinal adequada.

Coqueluche: também conhecida como tosse comprida, é uma doença infecciosa que compromete o aparelho respiratório e se caracteriza por ataques paroxísticos de tosse seca.

Rubéola: é uma doença provocada por um vírus. Pode provocar febre e manchas vermelhas na pele. Sua apresentação mais grave é a forma congênita, quando a mãe transmite a doença para o feto.

Febre amarela: é uma doença causada por um vírus transmitido por vários tipos de mosquitos. A forma da doença que ocorre no Brasil é a febre amarela silvestre, que é transmitida através da picada pelos mosquitos Haemagogus.

Difteria: é causada por uma bactéria produtora de uma toxina que pode atingir as amígdalas, a faringe, o nariz e a pele, onde provoca placas branco-acinzentadas.

Hepatite B: é uma doença causada por um vírus e quando cursa com sintomas, pode provocar mal-estar, febre baixa, dor de cabeça, fadiga, dor abdominal, náuseas, vômitos e aversão a alguns alimentos. O doente pode ficar com a pele de coloração amarelada.

Tuberculose: é uma doença transmissível que afeta principalmente os pulmões. O principal sintoma é a tosse (seca ou produtiva) persistente por mais de três semanas.

Hepatite A: é uma doença contagiosa, causada pelo vírus da hepatite A. Costuma ocorrer mais frequentemente na infância.

Papilomavírus Humano (HPV): sua infecção pode não causar sintomas ou se caracterizar pela presença de verrugas, principalmente na região genital. A infecção persistente por determinado subtipos deste vírus pode levar ao desenvolvimento do câncer de colo do útero, nas mulheres.

Meningite C: Meningites são inflamações nas membranas que recobrem o sistema nervoso central (as meninges). A Neisseria meningitidis (conhecida como meningoco) é uma das causas mais comuns de meningite nas crianças.

Pneumonias: A pneumonia é caracterizada pela infecção dos pulmões e pode ser causada por diversos agentes. O Streptococcus penumoniae (pneumococo) é o principal agente causador desta doença. A pneumonia é a terceira maior causa de mortes do mundo.

Gripe: A influenza (gripe) é uma doença respiratória de origem viral e que pode levar ao óbito, especialmente nos indivíduos que apresentam fatores de risco para as complicações da doença.

Tétano: Uma doença considerada grave e frequentemente fatal, é causada por uma bactéria que contamina ferimentos e pode ser encontrada no solo e até mesmo em objetos. Para evitar a contaminação, é necessário vacinar a pessoa desde criança.

Varicela: Mais conhecida como catapora, à doença é infecciosa e contagiosa por um vírus que atinge principalmente crianças com menos de 10 anos. A epidemia pode ocorrer pelo contato aéreo com gotículas de saliva em espirros, tosse,bem como através do contato direto com as lesões de pessoas doentes.

Caxumba: É uma infecção viral que atinge as glândulas parótidas, ocasionando inchaço e desconforto na região, além de outros sintomas, como febre, por exemplo. É uma doença mais comum entre crianças, porém nos últimos anos teve um aumento da proliferação de casos entre adultos pela falta de cobertura vacinal adequada em determinadas pessoas.

Rotavírus: Ocasionado por um vírus, é uma das causas mais comuns de diarreia em um nível mais grave em jovens e crianças.


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