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Esquecimentos frequentes podem ser causados por fatores orgânicos ou psicossociais

Quando lapsos passam a atrapalhar a rotina é importante buscar avaliação médica

Gabriela da Silva/GES-Especial
Listas com itens separados por categorias facilitam na ida ao supermercado

Abrir a porta da geladeira e não saber mais o que foi buscar. Lembrar de alguma coisa durante uma conversa, esquecer o que ia falar, lembrar de novo, esquecer de novo. Não gravar o nome de alguém a quem acabou de ser apresentado. Não lembrar onde colocou as chaves de casa, o que comeu no almoço ou sequer a senha que acabou de criar. “Eu tenho certeza que guardei em algum lugar, mas não lembro onde” também é uma frase bem típica na sua rotina. Será que é só falta de atenção ou é a memória dando sinais de que já não está mais aquela coisa?

Em geral, os esquecimentos podem ser provocados por fatores biológicos ou psicossociais. Aí estão incluídos a falta de vitaminas B12 e a B9, ômega 3, zinco, ferro e fósforo, já que alguns destes nutrientes ajudam a conduzir os impulsos elétricos que levam informações para o cérebro, questões da tireoide e alterações nas funções renal e hepática, além de estresse, depressão e ansiedade, uso de medicamentos antidepressivos, consumo de drogas e álcool, má alimentação e falta de sono. “Mas a questão principal é a atenção, se a gente não coloca atenção acaba não memorizando. Normalmente, se relaciona a perda de memória com envelhecimento, mas hoje em dia não tem mais idade para as queixas. São muitas informações e tu não consegues processar tudo ao mesmo tempo. Então, vai processar aquilo em que colocar a tua atenção”, explica a psicóloga Lidiane Andrade Klein, especialista em neuropsicologia. Segundo ela, não tem estratégia, a pessoa tem que ter a intenção de colocar a atenção no momento específico. “Aí os pais reclamam da criança que não consegue prestar atenção na escola, mas fica horas atenta ao videogame. Claro, porque ativa circuitos que estão relacionados ao prazer e ela quer estar ali. Quando tem motivação acaba direcionando mais a atenção”, destaca.

Estratégias

Às vezes, mesmo quando a pessoa percebe que está esquecendo as coisas do dia a dia com frequência, não consegue achar meios para acabar com os esquecimentos, por isso Lidiane ressalta a importância do autoconhecimento e de estratégias para manter a memória ativa. Isso porque, em algumas situações, os lapsos podem estar envolvidos com a organização do ambiente externo, exemplifica.

De uma hora para outra, a coordenadora de eventos Neuza Schmidt, 60 anos, começou a notar que estava esquecendo das coisas a fazer mais do que o normal. “Parei para pensar o motivo e percebi que começou quando troquei de sala no trabalho, porque afetou também minha organização mental”, conta. Identificar a origem do problema a ajudou a pensar em estratégias para lembrar das tarefas diárias. “E envolve mais do que isso. É o que a gente faz, a forma que se alimenta, sono, tudo vai influenciar. Antes, não tinha parado para refletir sobre isso”, comenta.

A memória vai sendo afetada com o passar do tempo, mas o natural é que não ocorram perdas tão significativas, que vão atrapalhar a vida da pessoa. “O esquecimento não é normal no envelhecimento”, destaca a psicóloga Lidiane. Quando as falhas para lembrar passam a comprometer as atividades rotineiras é importante procurar um médico para avaliação. “Muitas vezes, as famílias demoram a levar idosos a um profissional, por exemplo, porque acham que é normal esquecer de tudo com o avançar da idade”, alerta.

Você é aquilo que você lembra

Memória é a codificação, o armazenamento e a recordação das informações. Mais do que isso, se trata também de uma questão de identidade. “O que nós somos é o resultado das nossas memórias e das nossas vivências. Imagine se não lembrar o que gosto de comer, o que gosto de vestir, das pessoas que eu gosto, o quanto isso deve ser triste. Porque aí você já não se reconhece mais como pessoa, fica um vazio e um questionamento: quem eu sou?”, reflete a psicóloga Lidiane Klein. O acervo da memória faz com que cada pessoa seja diferente uma da outra, com experiências diferentes. “O conjunto de memórias de cada um determina o que se denomina personalidade ou forma de ser”, observa. As emoções e o estado de ânimo são os fatores que mais influenciam no armazenamento de informações. Por isso, é mais fácil lembrar do dia do nascimento de um filho, por exemplo, do que o que comeu no jantar na segunda-feira da semana passada. “O que mais faz lembrar é a emoção que aquilo gerou, tanto a positiva quanto a negativa. Quando tem uma carga emocional muito grande, a gente lembra daquela situação e faz algum sentido para ti. Se não faz sentido é muito mais fácil esquecer. A gente lembra muito mais de coisas que a gente vivenciou do que outros nos contaram. Quando a gente vive, está com todos os estímulos cinestésicos ali ativados”, enfatiza Lidiane. Não há controle e não se sabe tudo o que fica armazenado, mas quanto mais um momento se torna especial, mais é lembrado.

Gabriela da Silva/GES-Especial
Lidiane explica que emoções e estado de ânimo são os fatores que mais influenciam no armazenamento de informações

Tem que haver interesse

Atenção é a capacidade e o esforço realizado para focar, selecionar e processar um estímulo do ambiente, em detrimento de outro. De acordo com Lidiane, a atenção compreende uma capacidade cognitiva multidimensional, sendo pré-requisito para a memória, para novas aprendizagens e para outros aspectos da cognição (conjunto de habilidades cerebrais/mentais necessárias para a obtenção de conhecimento). Uma de suas principais características é o interesse e a necessidade em relação à tarefa em questão. A psicóloga explica que existem dois elementos fundamentais para que haja atenção plena ao que se está fazendo. “É intencional, ou seja, estamos conscientemente praticando-a. E estamos aceitando, em vez de julgando o que percebemos ou notamos”, descreve. Estar conversando com alguém e se dar conta de que não escutou praticamente nada do que a outra pessoa disse, por exemplo, está mais para falta de atenção do que perda de memória. “Estamos tão absortos em nossos pensamentos sobre o que aconteceu ou está para acontecer que percebemos bem menos o presente. Estar mais engajado no momento presente pode levar a uma experiência mais rica das coisas”, observa Lidiane.

Oficina para trabalhar a memória

Com casos da doença de Alzheimer na família, a aposentada Seila Maria Acauan Hartz, 70 anos, fica preocupada com as falhas de memória e se assustou quando a energia elétrica de casa chegou a ser cortada porque esqueceu de pagar a conta. Para evitar que situações como essa não se repitam e prevenir problemas mais graves, ela tem seus métodos para lembrar das coisas do dia a dia. “A memória visual ajuda muito. Quando coloco um objeto em determinado lugar, vejo bem onde estou colocando, presto muita atenção no local”, diz. No último mês, ela participou da Oficina de Memória, ministrada pela psicóloga Lidiane Klein em Novo Hamburgo. Ao todo, foram cinco encontros, de cerca de 1h30 cada, baseados em temas como o funcionamento da cognição durante o envelhecimento, estímulo a habilidades cognitivas (memória, atenção, funções executáveis) e estratégias de memorização e convivência social. A oficina, aberta para todas as idades, inclui teoria e exercícios práticos que podem ser aplicados no cotidiano, como a elaboração de listas de compras divididas por categorias, que facilitam bastante a ida ao supermercado. “Não é ruim utilizar estes recursos. Hoje em dia a gente tem que dar conta de tantos estímulos, que só vão trazer benefícios”, diz Lidiane.

Gabriela da Silva/GES-Especial
Seila compartilha com demais participantes da oficina experiências e estratégias que utiliza para lembrar de tarefas do dia a dia

Doença temida

Entre um dos problemas mais graves e mais temidos que podem afetar a memória está a doença de Alzheimer, que atinge em média 7% dos idosos. A doença pode causar perda de funções cognitivas, causada pela morte de células cerebrais, como orientação, atenção e linguagem, além da memória. No entanto, se diagnosticada logo no início, é possível retardar seu avanço ou ainda controlar os sintomas, garantindo melhor qualidade de vida ao paciente. “O esquecimento tem um limite. No caso do Alzheimer, a pessoa acaba esquecendo fatos recentes, mas lembra da infância. É uma doença progressiva e chega um ponto em que o paciente não vai mais lembrar de nada”, observa Lidiane. Ela explica que não é possível trabalhar com reabilitação, mas há métodos para fortalecer outras memórias, para que não se percam tão facilmente. “A escolaridade é muito importante também, principalmente porque a pessoa vai criando uma reserva cognitiva (capacidade cerebral para lidar com lesões no sistema nervoso, formada por experiências intelectuais). Se há duas pessoas de 65 anos, a que tem mais escolaridade vai demorar mais para desenvolver a doença porque ela tem mais reserva cognitiva”, ressalta.

Tipos de memória

Memória de longo prazo declarativa Semântica: refere-se a lembranças de conhecimentos gerais ou com base em fatos, como saber quais as cores da bandeira do Brasil.

Memória de longo prazo declarativa Episódica: refere-se a lembranças de eventos e responde o que, onde e quando.

Memória processual: como lembrar como se escova os dentes ou como se dirige um carro. É esse tipo de memória que faz não esquecer como se anda de bicicleta.

Memória de trabalho: memória breve, serve para “gerenciar a realidade”, mantém-se no mínimo por alguns minutos.

Memória prospectiva: intenção de realizar alguma ação em um momento futuro, como lembrar de tomar um medicamento.

Estratégias de memorização externas

  • Calendário: pode ser usado para marcar datas de vencimentos de contas.
  • Notas com lembretes em destaque
  • Agenda: recurso complexo, porque a pessoa tem que lembrar de abrir a agenda para checar o compromisso anotado
  • Organização do ambiente
  • Listas divididas em categorias. Exemplo: creme dental, papel higiênico, sabonete, leite, pão, manteiga

Estratégias de memorização internas

  • Repetição
  • Gravar primeiras letras de uma sentença. Exemplo: para decorar o nome dos planetas (Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão) lembrar de “Minha vó tem muitas joias, só usa no pescoço”
  • Criação de imagens mentais
  • Para reconhecimento de faces: identificar uma característica peculiar do rosto a ser memorizado (ex.: olhos azuis)
  • Escolher palavra-chave que representa um objeto que pode ser imaginado; conversão de palavra-chave para imagem mental.
  • Fortalecer o planejamento da intenção futura. Exemplo: “Quando chegar ao escritório sentarei na minha cadeira e olharei para o computador. Então mandarei um e-mail para um cliente”.
  • Ler e reler para memorizar textos

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