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Governo

Temer diz a aliados querer pressa na análise de eventual denúncia da PGR

Presidente acredita ter 'ampla margem' para derrubar pedido de Janot

Evaristo Sá/AFP
Michel Temer

O presidente Michel Temer afirmou a aliados, na manhã desta quinta-feira (15), que quer acelerar o processo de análise da denúncia de que deve ser alvo e que acredita ter "ampla margem" de votos para derrubar o pedido da Procuradoria-Geral da República. A conversa ocorreu no Palácio do Jaburu, com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que também quer um desfecho "sem atraso" para o caso.

Maia disse nesta quinta-feira que o "Brasil precisa" que a eventual denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra Temer seja analisada com prioridade, "com início, meio e fim". Maia disse ainda que os prazos serão respeitados, mas que o País terá que encerrar esta etapa também.

O Palácio do Planalto está querendo liquidar o assunto em até dez sessões. A ideia é encerrar antes do recesso que começa oficialmente em 18 de julho, caso a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) seja aprovada.

Nos últimos anos, a LDO não tem sido aprovada no prazo, e os parlamentares entram no chamado recesso branco. Segundo interlocutores do presidente, a ideia é agilizar a tramitação da denúncia, e os parlamentares saírem a partir do dia 13, uma quinta-feira.

"Esse assunto precisa ter início, meio e fim. O Brasil precisa disso. Mas será respeitado prazo de dez sessões da defesa e as cinco sessões do relator. Depois da comissão, vai a plenário", disse Rodrigo Maia.

Temer também recebeu os ministros Moreira Franco (Secretaria Geral) e Mendonça Filho (Educação). Segundo relatos, o presidente se mostrou tranquilo em relação à denúncia que pode chegar já na próxima semana à Câmara e precisa dos votos de 342 deputados para ser aceita. O presidente afirmou acreditar que já venceu a primeira batalha, com a manutenção da chapa presidencial no julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e que vencerá a segunda, derrotando a denúncia.

Para Temer, a denúncia não se sustentaria por "falta de substância" e "atropelos" jurídicos apontados por sua defesa, como o uso das gravações feitas pelo empresário Joesley Batista, dono da JBS. O presidente também avalia que há um sentimento na Câmara de que a política estaria em "xeque" devido a supostos excessos cometidos nas investigações da Lava-Jato e que isto motivará muitos parlamentares a votarem contra o recebimento da denúncia.

"Se houver denúncia, a tese é de acelerara o processo apreciação para o país não ficar no limbo. O presidente entende que já venceu sua primeira grande batalha, que foi o julgamento no TSE, e acredita que vai vencer a segunda. Ele avalia que tem ampla margem de votos pra vencer, há certa tranquilidade de que a maioria é bastante confortável", afirma um interlocutor de Temer.

A tramitação da LDO está totalmente parada. Só nesta semana foi escolhido o relator, que será o deputado Marcus Pestana (PSDB-MG). O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), também disse que é preciso pensar na estabilidade do País.

"Se possível, seria muito bom uma pausa (recesso). A LDO só será votada por acordo", disse Eunício ao jornal O Globo. Temer ressaltou a aliados que Janot não apresentará uma denúncia com consistência. "Não se preocupem. A denúncia será fraquíssima", disse Temer a aliados.

O Palácio do Planalto não quer ficar refém da chamada "agenda Janot". Por isso, Maia foi cobrado por Temer a ressuscitar a reforma da Previdência. A votação está prevista para ocorrer somente em agosto, mas os aliados disseram que Maia precisa retomar o assunto. Temer se reuniu na quarta-feira à noite com aliados, que disseram a ele que era importante que Maia fizesse esse gesto em torno da Previdência.

"Não dá para ficar esperando o calendário do Janot. Temos que retomar o assunto da Previdência, reunir os líderes, mas a votação fica para agosto", disse um aliado.

A estratégia de agilizar depende da data em que a denúncia for apresentada por Janot. O procurador tinha prometido apresentá-la até dia 19, mas agora deve esperar a conclusão da perícia que a Polícia Federal está fazendo na gravação do empresário Joesley Batista com Temer.

"Temos que liquidar esse assunto o mais rapidamente possível", disse Beto Mansur (PRB-SP).


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