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Peso no bolso

Mais de 30% das pessoas que moram sozinhas ficam no vermelho, aponta pesquisa

Justificativa mais dada pelos entrevistados é o fato de não ter ninguém para dividir as contas

Pixabay/Divulgação
Morar sozinho impacta muito no orçamento
O desejo de muitas pessoas de morar sozinho pode ter muitos benefícios com relação à privacidade e momentos de lazer, mas o peso das contas no orçamento com certeza é uma consequência que precisa ser levada em consideração antes da mudança. Uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostra que oito em cada dez pessoas que moram sozinhas (79%) não se planejaram financeiramente para isso e 34% afirmam que morar sozinho contribuiu para que elas extrapolassem o orçamento em alguns meses. A justificativa de metade dos entrevistados é o fato de não ter ninguém para dividir as contas (49%).

O levantamento mostra que 93% das pessoas que vivem só são as únicas responsáveis pelo sustento da casa e que 66% dos entrevistados não fazem um controle efetivo de seus gastos. As razões mais mencionadas para isso são a falta de importância que atribuem ao controle do orçamento (33%) e a falta de hábito e disciplina para fazer o controle diário (27%). Segundo o educador financeiro do SPC Brasil e do portal Meu Bolso Feliz, José Vignoli, é um risco considerável descuidar do controle. “Quem é o único morador da residência precisa de disciplina extra para manter os compromissos em dia. Afinal, é a própria pessoa quem tem de acertar as contas e lidar com o orçamento no dia a dia”, afirma. “Sem controle fica muito mais difícil conhecer os próprios limites, saber se há exagero no consumo de produtos supérfluos ou fazer planos para realizar metas maiores, como uma viagem ou a compra de um carro, por exemplo”, explica Vignoli.

É possível fazer uma simulação do diagnóstico financeiro no Meu Bolso Feliz

Quando os recursos financeiros não são suficientes para fechar as contas do mês, 24% dos entrevistados afirmam mudar seus hábitos de consumo comprando coisas mais baratas e pesquisando preços, 22% pedem dinheiro emprestado a amigos e/ou familiares e 21% fazem cortes no orçamento como gastos com TV a cabo e supermercados.

25% de quem mora sozinho estão negativados

Uma consequência da falta de gestão orçamentária é o fato de que 25% de quem mora sozinho estão atualmente no vermelho e não estão conseguindo honrar seus compromissos. Por outro lado, 41% estão no zero a zero, não falta e nem sobra dinheiro, e 23% estão no azul. Outros 41% ficaram inadimplentes nos últimos 12 meses, e 62% dessas pessoas ainda continuam nesta situação.

Em média, os entrevistados com dívidas atrasadas têm uma dívida aproximada de R$ 1,5 mil, proveniente principalmente do não pagamento da fatura do cartão de crédito (36%) e do cartão de lojas (20%). Segundo os entrevistados, o atraso nessas contas aconteceu por diversos motivos, sendo que os mais recorrentes são a diminuição da renda (23%), o empréstimo do nome para terceiros (23%), desemprego próprio ou de alguém da família (22%) e problemas de saúde (20%).

O levantamento revela que o tempo médio para o pagamento da dívida equivale a 15 meses entre aqueles que pretendem pagar e têm uma estimativa de quando isto será feito. A maioria (40%) não soube informar e outros 10% não têm intenção de honrar os compromissos, sendo que destes 78% alegaram falta de condições financeiras.

Entre aqueles que pretendem pagar, o acordo com o credor para o parcelamento da dívida é a estratégia mais recorrente (49%). Porém, é importante chamar a atenção para o fato de que 40% dos atuais inadimplentes que moram só e pretendem honrar seus compromissos não estão fazendo qualquer economia para viabilizar o pagamento de suas dívidas. Outros 31% estão economizando no consumo de energia elétrica e 27% na compra de itens do vestuário e calçados.

“Caso as pessoas não elaborem um planejamento mínimo para o pagamento de contas atrasadas, corre-se o risco do problema virar uma bola de neve e a dívida aumentar cada vez mais, principalmente se forem de cartão de crédito ou cheque especial”, afirma a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti. “O ideal é reservar uma quantia, ainda que baixa, todo mês rigorosamente, como se fosse uma conta fixa no orçamento como conta de luz ou água. Desse jeito o dinheiro será guardado e não gasto com outras contas do dia a dia ou lazer”, aconselha Kawauti.

Bares, restaurantes e vestuário impactam o orçamento

Os dados da pesquisa mostram que quatro em cada dez (40%) pessoas que vivem sozinhas têm ao menos uma compra parcelada ou financiada, principalmente em cartões de crédito (50%) - 33% delas têm ao menos uma parcela em atraso. Considerando os últimos três meses, 27% dos entrevistados fizeram alguma compra que impactou negativamente o orçamento, principalmente relacionada a bares, restaurantes e baladas (28%) e compra de peças do vestuário (28%). A principal justificativa para este ato é a incapacidade de controlar seus desejos de compra (21%), seguido pelo fato de não ter controle sob suas despesas (14%).

Quase sete em cada dez (67%) não possuem reserva financeira e entre os 33% que possuem, a poupança é a modalidade mais comum (80%). No entanto 78% não sabem o valor que possuem em seus investimentos. A motivação mais recorrente das pessoas que moram só para fazer esta reserva é o uso em caso de imprevistos (31%), viagens (19%) e para a aposentadoria (17%) - já 23% não possuem uma motivação específica. Metade dos entrevistados (49%) costumam fazer planejamento financeiro para o futuro e 38% dos que têm reserva financeira afirmam que têm investido mais após começarem a morar sozinhos.

Dados oficiais do IBGE revelam que, atualmente, são mais de 10 milhões de pessoas que vivem sozinhas, número que cresceu quase 40% apenas na última década.

Metodologia

A pesquisa foi realizada pelo SPC Brasil e pela CNDL no âmbito do Programa Nacional de Desenvolvimento do Varejo em parceria com o Sebrae e entrevistou 600 consumidores que vivem sozinhos nas 27 capitais brasileiras de ambos os gêneros, acima de 18 anos e de todas as classes sociais. A margem de erro é de, no máximo, 3,99 pontos percentuais a uma margem de confiança de 95%.


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