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Conheça o nervo vago e como o yoga pode mantê-lo saudável

Um estímulo controlado ao nervo, conhecido como X, pode acalmar o sistema parassimpático e, por isso, ele tem sido estudado para tratar doenças como epilepsia e depressão

Você já tinha ouvido falar do nervo vago? Eu não. Não é engraçado o quão pouco conhecemos nosso próprio corpo?

O nervo vago também é conhecido como nervo pneumogástrico ou nervo X, por ser o décimo par de nervos cranianos. Ele começa na parte de trás do bulbo raquidiano, que liga o cérebro e a medula, e desce pelo pescoço, tórax e termina no estômago. E ele é importantíssimo: é responsável pelos estímulos parassimpáticos e manutenção de funções vitais de órgãos como pulmão, coração, estômago e intestino delgado (com a exceção de parte do intestino grosso e órgãos sexuais). Por se tratar de um nervo, sua estimulação ou tensionamento* pode causar tonturas e desmaios, mas, também, acalmar o sistema parassimpático. Por isso, ele tem sido estudado no tratamento de doenças como epilepsia e depressão. 

Agora, vamos ao que interessa: sabia que o yoga pode ajudar a manter o nervo vagal e todo o sistema parassimpático saudável? Aos poucos, o nervo pode ser fortalecido, o que aumenta a sensação geral de bem-estar.

Segundo o professor de yoga Eddie Stern, fundador do Brooklyn Yoga Club, o nervo vagal está relacionado a emoções, estresse, inflamações, ritmo cardíaco, pressão arterial, expressão vocal, digestão, comunicação entre coração e cérebro, adaptatividade e epilepsia. "Dentre suas inúmeras funções, o vago estimula os músculos voluntários que afetam a fala e a expressão (por isso que Darwin o chamava de nervo da emoção). Ele está associado à digestão e o relaxamento do trato intestinal. Além disso, diminui o ritmo cardíaco e reduz inflamações". 

Citando o Ph.D. Stephen Porges, que estudou o nervo vagal e desenvolveu a teoria polivagal, Eddie afirma que, entre as descobertas do pesquisador, está a de que esse nervo tem uma relação direta com nossas sensações de bem-estar, resiliência, expressão das emoções e, também, com a saúde dos nossos sistemas imunológico e digestivo. O truque, segundo ele, é saber como fortalecer o nervo. Porges propõe o que chama de práticas neurais, que vão da maneira como nos relacionamos com o mundo à respiração e à postura: 

Comportamento: praticar bondade, amizade, alegria e compaixão. Atitudes mentais, como gratidão, também fortalecem o nervo vagal.

Vocalização: cantar, rezar alto ou recitar poesias. Uma das áreas pelas quais o nervo vago passa é ao redor da laringe. "Você pode pensar em cantar como exercício fortificante para o vago. E o que você canta faz diferença - dizem que metal pesado não tem o mesmo efeito que uma melodia calmante", comenta Eddie. 

Respiração: a respiração afeta os nervos da região abdominal que enviam mensagens da barriga para o cérebro, o informando de como anda a situação por lá. A respiração abdominal rítmica, assim como o pranayama (técnica de respiração que manipula o prana, a energia vital) conhecido como ujjayi (respirar e exalar pelo nariz fazendo um som gutural que sai da garganta, normalmente é praticada no yoga), ajudam a criar um equilíbrio entre a região do abdome e o cérebro. 

Postura: a postura ajuda muito o nervo vago por causa de sua proximidade com as artérias carótidas na garganta. Ao redor destas artérias, estão nervos chamados de barorreceptores, que monitoram e controlam a pressão arterial. Simplesmente sentar reto, como nas posturas de meditação, ajudam a fortalecer os barorreceptores. 

Para Eddie, que estudou yoga com o mestre Pattabi Jois, o yoga pode ajudar em cada um dos quatro itens mencionados acima, da seguinte maneira: 

Ações do yoga: os yamas e niyamas são uma espécie de código de conduta do yoga. Pequenas ações relacionadas ao mundo externo e a nós mesmos que podem ajudar a tornar nossos dias melhores. Neste caso,  os yamas (atitudes relacionadas ao mundo externo) cobrem a categoria de comportamento sugerida pelos exercícios neurais. Basicamente, os yamas pedem: ahimsa (não-violência), satya (veracidade), asteya (não roubar, seja objetos físicos, energia ou o tempo do outro), brahmacharya (contenção dos sentidos) e aparigraha (desapego). 

A fala do yoga: a vocalizaçãoé uma parte importante da prática de yoga, especialmente no que diz respeito a mantras. Além disso, a respiração ujjayi, que é audível, é um bom substituto para quem não gosta de cantar ou entoar mantras. Tem um efeito similar e estimula o nervo vago, além de criar um estado mental de calma. 

A respiração do yoga: o pranayama significa manipulação e extensão do prana, a energia vital dentro de cada um de nós. Algumas vezes, é visto como exercícios de respiração, mas é muito mais do que isso. O objetivo do pranayama é equilibrar o sistema nervoso e estimular o nervo vago. 

A postura do yoga: o yoga está muito ligado à prática de posturas, embora seja muito mais do que isso. A prática ajuda com a postura, trabalha para melhorar tensões, mas mesmo sentar-se reto periodicamente durante o dia, e respirar profundamente, já ajuda o nervo vagal. 

Eddie ressalta que estas são práticas que exigem disciplina - não adianta fazer esporadicamente. É preciso fazer todos os dias! "Devemos nos esforçar para vivermos uma vida equilibrada, e as práticas que fazemos devem ser feitas com consciência. Essa é a chave para a saúde do nosso sistema nervoso", diz Eddie. "Se praticarmos yoga sem consciência, ou exercício sem consciência, apenas passando pelas nossas rotinas, sem realmente estarmos nelas e as sentirmos, os resultados só chegam até certo ponto e vamos nos aborrecer com qualquer que seja a rotina", alerta.

Segundo ele, a consciência na prática de yoga faz com que o corpo, as emoções e a mente passem a nos dar um retorno a respeito dos questionamentos sobre questionamentos como: meu corpo está na postura correta? Estou sendo sincero a respeito dos meus sentimentos? Minha mente está focada no meu propósito, no que é importante, ou apenas fazendo o que alguém espera de mim, que não está alinhado com quem eu sou

"Esta é a razão pela qual exercícios neurais são tão bons. Eles nos lembram do nosso propósito como pessoas vivendo neste planeta, conectadas com a natureza, animais, a atmosfera e, claro, outras pessoas", conclui Eddie. 

*A estimulação do nervo vago pode provocar tonturas, náuseas e fraquezas e até provocar desmaios, mas também pode levar à calma, por isso que o nervo tem sido estudado no combate a doenças como a depressão. Um nervo vago tensionado também pode causar desmaios. 


Niyama

por Raquel Reckziegel
raquel.reckziegel@gruposinos.com.br

Mente. Energia vital. Autoconhecimento. Respeito ao corpo, aos próprios limites e ao mundo em que vivemos. A prática do yoga vai muito (mas muito mesmo!) além de meia dúzia de posturas de alongamento. O blog Niyama* surgiu justamente para apresentar um pouco desta fascinante filosofia de vida que se concentra não somente no corpo, mas em aquietar as flutuações da mente, curtir o presente e descobrir uma forma diferente de encarar a vida. Raquel Reckziegel é jornalista, trabalha na redação online dos sites do Grupo Sinos e pratica yoga há quase dois anos. (*Niyama é uma espécie de "código de conduta" que permite ao praticante olhar para dentro de si seguindo cinco conceitos: pureza, ou saucha; contentamento, ou santosha; austeridade, ou tapas; auto-estudo, ou svadhyaya; e devoção (ishvara-pranidhana).

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