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Brexit

Primeira-ministra britânica pede eleições antecipadas para junho

Theresa May disse que medida tem o objetivo de enfrentar com mais força as negociações de saída da União Europeia

Christopher Furlong/AFP
Segundo a primeira-ministra britânica, Theresa May, decisão foi tomada com relutância, mas que ela era necessária para garantir a liderança forte e segura que o país necessita nos dois anos de negociações com Bruxelas
A primeira-ministra britânica, Theresa May, pediu nesta terça-feira (18), de modo surpreendente, a convocação de eleições legislativas antecipadas para 8 de junho, com o objetivo de enfrentar com mais força as negociações de saída da União Europeia (UE). "Precisamos de uma eleição geral e precisamos agora", disse em Downing Street a primeira-ministra, que precisa da aprovação do Parlamento para convocar a eleição antecipada.

May, que até agora havia rejeitado os pedidos de seu partido para aproveitar a vantagem nas pesquisas e antecipar as eleições, disse que tomou a decisão com relutância, mas que ela era necessária para "garantir a liderança forte e segura que o país necessita" nos dois anos de negociações com Bruxelas.

O líder da oposição britânica, o trabalhista Jeremy Corbyn, expressou rapidamente apoio ao pedido da primeira-ministra, o que abre o caminho para a aprovação da medida no Parlamento. "Eu saúdo a decisão da primeira-ministra de dar ao povo britânico a oportunidade de votar por um governo que dê prioridade aos interesses da maioria", afirma Corbyn em um comunicado. "O Partido Trabalhista oferecerá ao país uma alternativa efetiva ao governo", prometeu Corbyn.

Mas a terceira força parlamentar, os separatistas escoceses do SNP (Partido Nacional Escocês), criticou a convocação. Os conservadores, afirmou a chefe de Governo regional escocês, Nicola Sturgeon, "veem a oportunidade de escorar o Reino Unido à direita, impor um Brexit duro e mais cortes sociais".

Theresa May era ministra do Interior e chegou a Downing Street após a renúncia de David Cameron, em junho de 2016, e graças a sua vitória em uma votação interna do Partido Conservador, mas sua liderança não havia sido referendada pelas urnas. Mas sua popularidade supera com folga - até 20 pontos em algumas pesquisas - a do líder da oposição, o trabalhista Jeremy Corbyn.

Caso o pleito seja confirmado, estas serão as segundas eleições gerais britânicas em dois anos, após a votação de maio de 2015, com o referendo sobre a saída da União Europeia (UE) no meio.

May iniciou formalmente o processo de saída da UE em 22 de março, nove meses depois do referendo. As negociações devem durar 24 meses para encerrar os 44 anos de relação entre o Reino Unido e a União Europeia.

Os conservadores contam com uma estreita maioria absoluta no Parlamento, de cinco deputados (330 dos 650), mas não estão unidos na questão europeia, e cada votação exige a apresentação de garantias a esta minoria rebelde. Desta maneira, Theresa May justificou sua decisão pela necessidade de contar com um Parlamento que respalde sua estratégia no Brexit.

"O país está se unindo, mas Westminster não", disse, em referência ao Parlamento. Tal divisão "coloca em perigo nossas possibilidades de êxito no Brexit". "Nossos oponentes acreditam que, como a maioria do governo é pequena, nossa determinação vai fraquejar e isto nos obrigará a mudar. Estão equivocados".

"Subestimam nossa decisão de fazer o trabalho e não estou preparada para colocar em perigo a segurança de milhões de trabalhadores em todo o país", completou, antes de acusar a oposição de "colocar em risco o trabalho que temos que fazer para preparar o Brexit".

A UE indicou que não vai alterar seus planos para as negociações do Brexit. "As eleições britânicas não modificam os planos da UE a 27", disse Preben Aamann, porta-voz do presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, antes de reiterar que o passo seguinte é a reunião de líderes em 29 de abril para adotar as grandes linhas de negociação do Brexit.


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