Olá leitor, tudo bem?

Use os ícones abaixo para compartilhar o conteúdo.
Todo o nosso material editorial (textos, fotos, vídeos e artes) está protegido pela legislação brasileira sobre direitos autorais. Não é legal reproduzir o conteúdo em qualquer meio de comunicação, impresso ou eletrônico.
VOLTAR
FECHAR

Rua Emílio Leobet, 1559, sala 21 - Bairro Avenida Central - Gramado/RS - CEP: 95670-000
Fones: (54) 3286.1666 - Fax: (54) 3286.4015

PUBLICIDADE
Ivar A. Hartmann

Machistas e homofóbicos querem Ives Gandra Filho no Supremo

"Se os brasileiros soubessem a diferença entre igreja e Estado, ele jamais passaria perto da corte constitucional"
Ivar A. HartmannIvar A. Hartmann é professor da FGV
ivar.hartmann@fgv.br
Nesse momento todos os brasileiros preocupam-se com a Lava Jato e os rumos das delações da Odebrecht. Essa atenção é justificada, mas tem feito com que a discussão sobre quem irá substituir Teori Zavascki se resuma a considerações sobre a relatoria da megaoperação contra a corrupção. Ser duro com políticos e empresários protagonistas de corrupção é um requisito essencial do novo ministro ou ministra. Mas não é suficiente.
São alarmantes, portanto, os rumores do favoritismo de Ives Gandra Martins Filho, presidente do Tribunal Superior do Trabalho. Isso foi o que eu disse a uma jornalista do portal UOL que me perguntou sobre o timing da homologação dos acordos de colaboração da grande empreiteira. Expliquei que a matéria da Folha de São Paulo que evidenciou trechos machistas e homofóbicos de Gandra Filho na verdade tocava apenas na ponta do iceberg. Entre as afirmações citadas estavam: “A mulher deve obedecer e ser submissa ao marido”; “O casamento de dois homens ou duas mulheres é tão antinatural quanto uma mulher casar com um cachorro”.
Em nota de resposta à notícia o ministro citou orgulhoso uma decisão sua sobre intervalo de descanso de 15 minutos para mulheres como garantia de que não era machista. Mas a lógica da decisão era de que mulheres merecem mais descanso no trabalho porque são as principais responsáveis pelos “deveres domésticos” e também pelo cuidado dos filhos. O ministro baseia sua interpretação na “doutrina social cristã” e cita trecho de uma encíclica papal de 1891 que afirma: “Trabalhos há também que se não adaptam tanto à mulher, a qual a natureza destina de preferência aos arranjos domésticos”.
Se os brasileiros soubessem a diferença entre igreja e Estado, Gandra Filho e seu fervor religioso na interpretação da lei jamais passariam perto da corte constitucional. Pois bem, a jornalista do UOL escreveu e publicou a matéria sobre a decisão horas depois. O comentário mais curtido pelos leitores é: “Gente o UOL mais um vez querendo deixar uma falsa impressão sobre alguém. Eles retiram o texto de um contexto e colocaram uma manchete parecendo que o cara é machista e na verdade ele está enaltecendo a carga de atividades que as mulheres têm e usou desse argumento para tentar melhorar as condições de trabalho das mulheres (...)”. Outro: “(...) As leis dos homens mudam para pior a todo instante. Este homem mentem-se fiel as leis que não mudam nunca, as Leis de Deus. Ele defende a constituição que só tem 10 artigos, os 10 mandamentos da Lei de Moisés”.
Na Folha, alguns dos comentários são: “Seria excelente escolha. Antes todos pensassem assim. O problema é que ninguém se importa mais com Deus, as pessoas não têm mais temor de Deus, e se acham suficientes sem Ele”. Mais: “(...) Se continuar como anda a carroagem vão oficializar o casamento de macado com humanos”. Para terminar: “(...) ao menos esse me parece honesto, se não gosta de gay e prostituta pra mim tanto faz!”.
Com ou sem Gandra Filho no Supremo, temos ainda muito a evoluir.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
Capa do dia

FOLHEIE O SEU JORNAL PREFERIDO NA TELA DO SEU COMPUTADOR.

ACESSE ASSINE AGORA
51 3600.3636
CENTRAL DO ASSINANTE

51 3591.2020
CENTRAL DE VENDAS DE ASSINATURAS