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Luiz Coronel

Quando a vida nos inquieta, só o mar pode nos salvar

''Ironizam os cariocas: só no Rio Grande do Sul as vacas são frutos do mar.''
Luiz CoronelLuiz Coronel é poeta
www.luizcoronel.com.br
No primeiro festival de música regional que participei, tendo como parceiro Haroldo Masi e intérprete Leopoldo Rassier, a letra estabelecia uma conexão entre o pampa e o mar. Areia branca da praia/chão moreno da campanha/um de espumas se banha/outro de verde se ondeia. Os dedos do Haroldo apresentavam um balé sobre as cordas. E Leopoldo tinha mel, veludo e leve granulação em sua voz. Ganhamos o festival. Aquele maravilhar-se ante à extensão do pampa, onde vivi alguns anos, e a descoberta do mar, do qual nunca mais quis me apartar, estão em mim.
Eu deveria ter uns quinze anos a primeira vez que vi o mar. Era um domingo de manhã e aquele verde turmalina das águas que explodiam sobre as areias de Copacabana bateu forte em meu peito e deslumbrou meu olhar. A beleza do mar estava muito além de tudo que eu poderia conceber. Fiquei pasmo. Contrito. Abismado. Siderado. E o encantamento não se desfez. Lembro Maceió. Os coqueirais se abanando com seu verde leque nas tardes quentes. E andar de pés descalços sobre a nuvem de espumas. Deus dando a paisagem, metade do céu já é meu.
Não sei se é coletivo este sentimento: a primavera desponta e já começo a sentir saudades do mar. Em suas praias, vivi encontros inesquecíveis e despedidas que lembram um veleiro se afastando na linha do horizonte. Tão patético quanto uma paixão ensolarada é um convívio amoroso salgado pelo desamor. As gaivotas, qual lenços brancos, prenunciando despedidas. E o adeus, incrustado entre os amantes, qual uma ostra em sua concha. No alto das pétreas rochas, ao cair da tarde, procurávamos estrelas no interior das tulipas repletas de espumante. Sobre os corpos bronzeados, o mar jogava seu confete ao chocar-se contra as rochas. Por mais triste que tenha sido, o adeus não desfez sua poética densidade.

Santa Catarina, seu mapa é uma cuia e o litoral é uma bomba. Nós, os gaúchos, temos direito de desfrutar este saboroso mate amargo. Quando cheguei com meus filhos pequenos a Canasvieiras, havia um único pequeno hotel. Era praia de pescadores. Hoje, quase todos eles, porteiros de edifício ou ofícios similares. Os festejos populares percorriam as ruas: o Boi de Mamão, a Joaquina, a serpente serpenteando pelas ruas de terra batida. E as rendeiras! Como esquecê-las? O vai e vem das ondas e a espuma do mar lhes ensinara, por gerações sucessivas, o gracioso fazer. Aquela graça ingênua das praias catarinas o vento levou, qual guarda-sóis que se soltam ante as ventanias do verão.

Mares do meu Rio Grande, é possível amá-los se não compará-los! Em alguns dias, quando acontecem águas tépidas e claras, nosso mar se redime de seus pecados. Ao desenhar nossas praias, o Senhor teve um pequeno lapso: deu mão à régua, mas esqueceu o compasso. No corpo das veranistas se alojam as curvas que nossos mares não têm. Existe um dado de excepcional desenvoltura: poupamos os peixes. Em nossas praias come-se churrasco. Ironizam os cariocas: só no Rio Grande do Sul as vacas são frutos do mar. Mas apesar de tudo, a cada veraneio voltamos ao nosso litoral. É a praia de nossos filhos, de nossos avós. E tenhamos a vaidade de dizer: não há mulheres mais lindas do que as que povoam os mares do antigo Continente de São Pedro, a república sulina dos gaúchos, onde o vento corre solto, sem rédeas.

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